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CNA defende fortalecimento do Proagro e seguro rural para proteger agricultores familiares

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A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) participou na última terça-feira (10) de uma audiência pública conjunta das Comissões de Agricultura da Câmara e do Senado. O tema central foi a análise da situação do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e do seguro rural, com foco na ampliação da proteção aos agricultores familiares.

Impactos dos eventos climáticos extremos no setor

Durante o debate, o assessor de política agrícola da CNA, Guilherme Rios, destacou que os ciclos climáticos relacionados aos fenômenos El Niño e La Niña têm se tornado mais curtos, aumentando a exposição dos produtores a períodos alternados de seca e excesso de chuva, reduzindo o tempo de estabilidade para o campo.

Seguro rural e Proagro já pagaram R$ 80 bilhões em indenizações

Entre janeiro de 2015 e janeiro de 2025, o seguro rural e o Proagro acumularam aproximadamente R$ 80 bilhões em indenizações, segundo dados apresentados pela CNA. “Esses instrumentos permitiram que o produtor não precisasse vender seu patrimônio ou acumular dívidas”, afirmou Guilherme.

Baixa cobertura em regiões Norte e Nordeste e no país

Apesar da importância, o acesso a essas ferramentas ainda é limitado, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, mesmo para culturas consolidadas como soja e milho. Atualmente, apenas 23% da área agrícola brasileira conta com cobertura pelo Proagro ou seguro rural.

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Desafios enfrentados pelos programas

Guilherme apontou problemas como alíquotas elevadas, cobertura insuficiente, orçamento limitado, oferta concentrada e falta de estrutura para lidar com catástrofes. Segundo ele, o enfraquecimento desses mecanismos eleva o endividamento dos produtores, restringe o crédito rural e aumenta os gastos públicos com ações emergenciais. “Não há investimentos em prevenção, mas há gastos com socorro”, alertou.

Crescimento da inadimplência no setor agrícola

O assessor da CNA também destacou que a inadimplência no setor agrícola cresceu de 1,62% em abril de 2024 para mais de 5% em abril de 2025, reforçando a necessidade urgente de reforço nas ferramentas de proteção.

Propostas da CNA para melhorar o sistema de proteção

Para reverter esse cenário, a CNA defende:

  • Aprovação do PL 2.951/2024, que moderniza o seguro rural e prevê recursos para situações de catástrofes;
  • Destinação de R$ 4 bilhões ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), para ampliar a cobertura;
  • Modernização do Proagro com foco na agricultura familiar;
  • Criação de um banco de dados nacional para aprimorar a definição da matriz de riscos da agropecuária brasileira.
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Segurança para acesso a crédito e mercados

Guilherme ressaltou que a proteção por meio de ferramentas eficazes de gestão de risco é essencial para garantir que os produtores tenham acesso a mercados privados e ao crédito. “O Plano Agrícola e Pecuário 2025/2026 enfrentará dificuldades de crédito, e essas ferramentas serão essenciais para garantir a segurança da produção e da renda no campo”, concluiu.

Participação de entidades e ministérios na audiência

Além da CNA, participaram representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), do Banco Central, da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) e da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Estudo aponta que revisão das regras pode reduzir piso do frete de grãos em até 11%

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A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) ampliou a pressão por mudanças no cálculo do piso mínimo do frete rodoviário após um estudo da Universidade de São Paulo (USP) apontar que a metodologia atual pode superestimar os custos do transporte. No caso dos grãos, alterações em apenas um dos parâmetros poderiam reduzir os valores calculados entre 6,38% e 11,04%, dependendo da distância e da configuração do caminhão.

A discussão ocorre poucas semanas depois da sanção da Lei 15.485/2026, que modificou as regras da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas (PNPM-TRC). A bancada ruralista participou das negociações no Congresso para construir um texto que preservasse a remuneração dos caminhoneiros sem impor custos considerados excessivos aos produtores e demais contratantes de frete.

Parte desse acordo, porém, foi vetada na sanção presidencial. Os vetos ainda aguardam análise do Congresso. Paralelamente, entidades do setor produtivo apresentaram à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) 15 sugestões para a regulamentação das novas regras.

A principal reivindicação é que o piso reflita com maior precisão o custo efetivamente necessário para realizar cada operação. A própria legislação sancionada determina que a metodologia seja técnica, transparente e aderente aos custos operacionais do transporte.

O debate ganhou respaldo de um estudo do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial (Esalq-Log), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP. Os pesquisadores identificaram pelo menos 17 pontos que poderiam ser aperfeiçoados na metodologia utilizada para calcular o piso.

Um dos principais questionamentos está na quantidade de horas mensais atribuídas à utilização do caminhão. O cálculo atual considera 181 horas por mês. O estudo propõe elevar a referência para 220 horas, mais próxima da disponibilidade efetiva do veículo e do motorista.

A diferença é importante porque os custos fixos do caminhão são divididos pelo número de horas de operação. Quanto menor a utilização considerada na fórmula, maior tende a ser o custo atribuído a cada viagem.

Nas simulações realizadas pelos pesquisadores, a adoção de 220 horas reduziria em média 7,6% os pisos calculados. No transporte de grãos, a diferença ficaria entre 6,38% e 11,04%, conforme o número de eixos e a distância percorrida.

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Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), a discussão não deve ser tratada como uma disputa entre produtores e caminhoneiros, mas como uma correção necessária da forma de calcular o custo do transporte.

“Não interessa ao produtor rural ter um frete artificialmente barato que inviabilize o transportador. Caminhão parado também significa soja, milho, algodão e insumos parados. O que precisamos é de uma metodologia que remunere corretamente quem transporta, mas que seja baseada no custo real da operação. Se a fórmula parte de premissas que não correspondem à realidade, alguém acaba pagando uma conta maior do que deveria”, afirma Rezende.

Segundo Rezende, a diferença ganha importância porque o Brasil depende fortemente das rodovias para escoar a produção agrícola. “Uma diferença de 6%, 8% ou 10% no frete pode parecer pequena quando se olha apenas uma viagem. Quando isso é multiplicado por milhares de toneladas transportadas por centenas ou até mais de mil quilômetros, estamos falando de um impacto muito grande sobre a margem do produtor e sobre a competitividade do produto brasileiro”.

Rezende acrescenta que o custo logístico começa antes da venda da safra. “O caminhão não leva apenas o grão para o armazém, para o porto ou para a indústria. Ele também traz fertilizante, sementes, defensivos, máquinas e outros insumos até a propriedade. Uma metodologia distorcida pode pesar nas duas pontas: aumenta o custo para produzir e volta a pesar quando chega a hora de comercializar a safra”.

Outro parâmetro questionado pela pesquisa é a vida econômica utilizada para calcular depreciação e remuneração do capital investido no caminhão. A metodologia considera sete anos, enquanto dados da própria ANTT indicam idade média de 16,4 anos para os veículos de tração que circulam no País.

Ao simular uma vida útil próxima de 16 anos e fazer outros ajustes relacionados a esse parâmetro, o estudo encontrou possibilidade de redução entre 6% e 10% no custo calculado para determinadas operações de transporte de grãos.

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As propostas não se limitam a esses dois pontos. Os pesquisadores analisaram consumo de combustível, configuração e número de eixos dos veículos, retorno vazio, operações de maior produtividade e diferentes modalidades de contratação. A conclusão é que uma fórmula única pode não representar adequadamente a diversidade das operações realizadas nas rodovias brasileiras.

Entre as 15 contribuições apresentadas pelo setor produtivo à ANTT está justamente a adoção do custo operacional efetivo como referência. As entidades defendem que despesas que não representem desembolso necessário para a realização do transporte não sejam incorporadas artificialmente ao piso.

Outra discussão envolve o prazo para pagamento. A nova lei estabelece limite máximo de 30 dias úteis. O setor produtivo defende que a contagem comece na entrega da carga ao destino, evitando que parte do prazo seja consumida enquanto a mercadoria ainda está em trânsito.

A Lei 15.485 também tornou mais rígida a fiscalização. Toda operação de transporte rodoviário remunerado deverá ser registrada por meio do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), conforme cronograma a ser estabelecido pela ANTT. A legislação prevê ainda multa de R$ 10,5 mil para determinadas infrações relacionadas à oferta ou contratação abaixo do piso e permite medidas contra reincidentes.

A FPA agora trabalha em duas frentes: tenta influenciar a regulamentação da ANTT para que a nova metodologia considere os custos efetivamente observados nas operações e articula no Congresso a análise dos vetos presidenciais.

Para o produtor rural, o resultado dessa discussão terá efeito direto sobre uma das principais despesas para colocar a safra no mercado. Em um País no qual boa parte dos grãos percorre centenas de quilômetros de caminhão entre a fazenda, os armazéns, as indústrias e os portos, alguns pontos percentuais no frete podem representar uma diferença relevante no resultado final da produção.

Fonte: Pensar Agro

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