AGRONEGOCIOS
Congresso Abramilho 2026 discutirá geopolítica, custos e segurança alimentar em Brasília
AGRONEGOCIOS
Evento será realizado em maio e reunirá lideranças do agronegócio em Brasília
A Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho) promove, no dia 13 de maio, o 4º Congresso Abramilho, em Brasília (DF). O encontro será realizado no espaço Unique e reunirá representantes do setor produtivo, autoridades e especialistas para discutir os principais desafios do agronegócio diante de um cenário global instável.
As inscrições já estão abertas e podem ser feitas pela plataforma Sympla. O evento terá início às 8h e seguirá até o período do almoço.
Congresso abordará incertezas globais e competitividade do agro brasileiro
Com foco na proteção do agro frente às incertezas internacionais, o congresso se consolida como um dos principais fóruns estratégicos para as cadeias do milho e do sorgo no Brasil.
A proposta da programação é analisar como o país pode manter sua competitividade mesmo diante de desafios como conflitos geopolíticos, volatilidade econômica e aumento nos custos de produção.
Painel de abertura discutirá desafios e propostas para o setor
O primeiro painel, intitulado “Agricultura em transformação: desafios atuais e propostas para fortalecer o setor”, reunirá lideranças do agronegócio e representantes institucionais.
Entre os participantes previstos estão integrantes da Presidência da República, do Ministério da Agricultura (Mapa), da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), da Abramilho, da Aprosoja-MT e da CNA.
Segundo o diretor executivo da Abramilho, Glauber Silveira, o objetivo é reunir tomadores de decisão para discutir soluções práticas. “Nosso foco é olhar para o que está tirando o sono do produtor, como os custos elevados de produção, e buscar alternativas diante de um cenário internacional delicado”, afirma.
Segurança alimentar e inovação ganham destaque no segundo painel
O segundo painel terá como tema “Inovação que alimenta o mundo: o futuro da segurança alimentar”, abordando a necessidade de ampliar a oferta de alimentos com qualidade e acesso global.
Especialistas brasileiros e internacionais discutirão o papel da biotecnologia e da inovação na produção agrícola, especialmente em países tropicais.
De acordo com a organização, o uso de tecnologia é fundamental para manter o crescimento sustentável das safras brasileiras.
Geopolítica e impactos no agro serão foco de debate estratégico
O terceiro painel, “Geopolítica: como proteger o agro frente às incertezas globais?”, analisará os efeitos dos conflitos internacionais sobre o agronegócio brasileiro.
O debate incluirá temas como a volatilidade nos preços de fertilizantes e diesel, além de questões fitossanitárias e exigências de protocolos internacionais.
Participam especialistas do mercado, representantes do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e empresários, com o objetivo de antecipar riscos e contribuir para a proteção das margens do produtor rural.
Inscrições são limitadas e já estão abertas
As vagas para o 4º Congresso Abramilho são limitadas. Os interessados devem se inscrever antecipadamente pela plataforma Sympla.
O evento reforça a importância do diálogo entre setor produtivo, governo e especialistas para enfrentar os desafios globais e fortalecer o agronegócio brasileiro.
Inscrições para o 4º Congresso Abramilho
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGOCIOS
Exportação recorde não impede queda do frango vivo no mercado interno
O Brasil caminha para estabelecer um novo recorde nas exportações de carne de frango em 2026, mas o avanço das vendas externas ainda não foi suficiente para absorver o aumento da oferta. Com mais animais prontos para o abate, os preços do frango vivo recuaram em algumas das principais regiões produtoras, enquanto as cotações dos cortes permaneceram praticamente estáveis no atacado.
A pressão ocorre em uma cadeia que produziu 15,3 milhões de toneladas de carne de frango em 2025 e faturou cerca de R$ 50 bilhões somente com exportações, considerando a receita de R$ 9,8 bilhões convertida pelo câmbio de R$ 5,10. O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores produtores mundiais e lidera o comércio internacional da proteína.
No ano passado, o país exportou o volume recorde de 5,324 milhões de toneladas. Para 2026, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta embarques de até 5,5 milhões de toneladas, além de uma produção próxima de 15,6 milhões de toneladas. A disponibilidade no mercado interno pode alcançar 10,1 milhões de toneladas.
O avanço da oferta já aparece nos abates. No primeiro trimestre deste ano, o peso das carcaças chegou a 3,73 milhões de toneladas, crescimento de 6,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Paraná respondeu por 35% da produção, seguido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.
A ampliação dos abates ajuda a explicar por que os preços não acompanham o desempenho das exportações. A demanda internacional segue aquecida, mas o mercado doméstico precisa absorver cerca de dois terços de toda a carne produzida no país. O consumo estimado para 2026 é de 47,3 quilos por habitante, um dos maiores do mundo, mas ainda insuficiente para provocar uma reação mais forte diante da oferta atual.
Levantamento mostra que o frango vivo foi negociado a R$ 5,20 por quilo em São Paulo. No oeste do Paraná, a referência ficou em R$ 4,60. Goiás e Mato Grosso do Sul registraram queda de R$ 4,65 para R$ 4,55, enquanto Minas Gerais e Distrito Federal passaram de R$ 4,70 para R$ 4,60 por quilo.
No Sul, as referências ficaram em R$ 4,75 no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os preços mais elevados continuam concentrados no Nordeste e no Norte, variando de R$ 6,80 no Ceará a R$ 7,20 no Pará. As diferenças refletem custos logísticos, disponibilidade regional de aves e características próprias de cada mercado.
No atacado paulista, o peito congelado permaneceu em R$ 8,50 por quilo, a coxa em R$ 6,90 e a asa em R$ 11. Os cortes resfriados foram negociados por R$ 8,60, R$ 7 e R$ 11,10, respectivamente. A estabilidade, porém, não representa recuperação, porque as indústrias encontram dificuldade para elevar os preços diante da quantidade de carne disponível.
O principal instrumento para ajustar o mercado é o controle dos alojamentos. O termo corresponde ao número de pintinhos de um dia colocados nas granjas para engorda. Como as aves chegam ao peso de abate em aproximadamente 40 a 45 dias, um alojamento elevado hoje se transforma em maior oferta de carne poucas semanas depois.
A redução dos lotes permite diminuir gradualmente a quantidade de animais disponíveis e recuperar o equilíbrio entre produção, consumo e exportações. O ajuste precisa ser planejado porque uma redução excessiva também pode provocar falta de produto e aumento repentino dos preços no futuro.
A pressão não alcança todos os avicultores da mesma maneira. No sistema de integração, predominante nas principais regiões produtoras, a indústria normalmente fornece pintinhos, ração, medicamentos e assistência técnica. O produtor entra com as instalações, mão de obra, energia e manejo, recebendo conforme o desempenho do lote e as condições estabelecidas em contrato.
Por isso, a cotação do frango vivo não corresponde diretamente ao valor recebido por todos os integrados. Ainda assim, o excesso de oferta reduz a rentabilidade geral da cadeia e pode afetar o ritmo dos alojamentos, a remuneração dos contratos e a capacidade das empresas de repassar custos. O impacto é mais direto sobre produtores independentes, que compram os insumos e comercializam os animais por conta própria.
A disponibilidade de milho e farelo de soja ajuda a conter parte da pressão. Os dois produtos formam a base da ração e representam a maior parcela do custo de produção. Com oferta elevada de grãos, a alimentação das aves está menos onerosa do que em períodos de escassez, evitando uma deterioração maior das margens.
No comércio exterior, os embarques continuam funcionando como principal sustentação do setor. Nos primeiros 13 dias úteis de julho, o Brasil exportou 299,2 mil toneladas de carne de aves e miudezas, com receita equivalente a R$ 2,73 bilhões. A média diária cresceu 41% em relação a julho de 2025, embora o preço médio tenha recuado 1,3%.
O cenário indica que a avicultura brasileira permanece competitiva e deve ampliar sua presença internacional. No curto prazo, porém, o recorde das exportações terá de ser acompanhado por um controle mais preciso dos alojamentos. Sem esse ajuste, a expansão da produção continuará chegando ao mercado antes que a demanda consiga absorvê-la, mantendo os preços do frango vivo sob pressão.
Fonte: Pensar Agro


