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Conheça a história de Aramar Castro Pinheiro, vencedora na categoria Pesca ou Aquicultura de Ornamentais
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Hoje vamos apresentar a Aramar Castro Pinheiro, ganhadora na categoria Pesca ou Aquicultura de Ornamentais, do Prêmio Mulheres das Águas. Conhecida em toda a região de Barcelos (AM) como “Mara dos Peixinhos”, ela construiu uma trajetória marcada por força, resiliência e dedicação à pesca artesanal de peixes ornamentais. Sua relação com a atividade iniciou em 1999 e, desde 2002, exerce profissionalmente a pesca no Médio e Alto Rio Negro, consolidando-se como uma das principais referências femininas do setor.
Mara foi criada na comunidade de Daracuá e enfrentou, desde o início, os desafios impostos pela pesca artesanal conduzida em família, inicialmente em uma pequena canoa de cinco metros. Todos os dias rema longas distâncias com seu companheiro e sua filha ainda pequena. Com muito esforço, evolução técnica e organização comunitária, ela e sua família passaram de trabalhadores dependentes de atravessadores para empreendedores rurais, comercializando diretamente com empresas de Manaus e fortalecendo parcerias locais.
Empreendedorismo na pesca
Ao longo de mais de vinte anos dedicados à pesca artesanal de peixes ornamentais, Aramar desenvolveu ações e iniciativas que transformaram sua história e contribuíram de forma significativa para sua comunidade. Seu percurso começou com recursos mínimos, enfrentando jornadas exaustivas em uma pequena canoa, mas, com perseverança, organização familiar e compromisso com a atividade, ela consolidou uma estrutura de trabalho sólida, responsável e reconhecida regionalmente.
Com o tempo, Mara reinvestiu seus ganhos na atividade, adquirindo materiais, embarcações e, posteriormente, construindo um barco reformado e uma casa flutuante, que funciona como ponto de armazenamento, viveiro e apoio logístico para a pesca. Essa infraestrutura foi fundamental para melhorar as condições de trabalho e ampliar a capacidade de escoamento sustentável da produção.
Ela também inovou ao criar a Loja de Aquários e Peixes Ornamentais de Barcelos, hoje considerada um ponto turístico local e um espaço de educação ambiental informal. A atuação dela fortaleceu a visibilidade da pesca ornamental e contribuiu para valorizar o peixe vivo como patrimônio cultural e econômico do município.
Mara integra a Colônia de Pescadores Z-33 e a Cooperativa de Pescadoras e Pescadores Artesanais de Peixes Ornamentais do Médio e Alto Rio Negro, participando ativamente de eventos, oficinas e workshops relacionados à atividade, compartilhando sua experiência e defendendo os direitos da categoria.
Na comunidade da pesca, ela fortalece o diálogo, defende os interesses da categoria e representa a presença feminina em um setor ainda marcado pela predominância masculina. Mara participa frequentemente de eventos, cursos e workshops, compartilhando sua experiência e reforçando a importância do manejo responsável e da legalidade.
Orgulho de pertencer às águas
Com orgulho da profissão e profundo vínculo com a floresta, os rios e as comunidades do Rio Negro, Mara representa a força das mulheres amazônidas que transformam a pesca ornamental em meio de vida, identidade e futuro para suas famílias e para sua região.
A trajetória dela representa autonomia financeira, fortalecimento da cadeia produtiva, estímulo ao turismo local, promoção da educação ambiental e valorização da pesca ornamental como atividade tradicional amazônica.
A história de Mara mostra que a permanência na atividade é possível quando há amor pelo que se faz, vínculo com o território e capacidade de adaptação sem abandonar a identidade local. Sua dedicação diária representa a força feminina que sustenta famílias, mantém tradições vivas e contribui para a economia regional de maneira silenciosa, mas fundamental.
Sobre o Mulheres das Águas – O prêmio foi criado em 2023 para reconhecer o trabalho de mulheres que se destacam na pesca e aquicultura, promovendo práticas sustentáveis e, principalmente, o empoderamento das mulheres que vivem das águas. Esta edição será realizada no dia 18 de março, no Teatro Nacional, em Brasília.
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Embrapa investe quase R$ 60 milhões em nova unidade para o Matopiba
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) vai investir R$ 58,9 milhões na reestruturação da sua unidade no Maranhão, em um movimento que reforça a presença da instituição no Matopiba — região que se consolidou como a principal fronteira de expansão agrícola do país.
O aporte inclui R$ 43,9 milhões do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), além de R$ 10 milhões do Governo do Maranhão e R$ 5 milhões da bancada federal do estado.
A nova sede será instalada no campus Maracanã do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), em São Luís, e integra o processo de reorganização da Embrapa no estado, que também prevê a contratação de 50 novos empregados aprovados em concurso público.
O projeto está inserido em uma estratégia mais ampla de fortalecimento da pesquisa aplicada ao Cerrado e à Amazônia Legal, com foco especial no Matopiba — que abrange áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
A região representa hoje cerca de 33% do território maranhense e se consolidou como uma das áreas mais dinâmicas da expansão agrícola brasileira, com forte avanço de soja, milho e algodão nas últimas duas décadas.
Embora o Brasil já seja o maior produtor mundial de soja, com produção próxima de 180 milhões de toneladas por safra, o crescimento recente da oferta tem sido puxado justamente por novas áreas do Cerrado, com destaque para o Matopiba.
No Maranhão, esse processo convive com forte dualidade: de um lado, o avanço da agricultura moderna e mecanizada; de outro, indicadores sociais ainda baixos, com o estado entre os menores Índices de Desenvolvimento Humano do país e elevada concentração de pobreza rural.
A nova estrutura da Embrapa será equipada com laboratórios de alta complexidade, incluindo centrais analíticas, unidades de bioinsumos, agroindústria piloto e um laboratório voltado à redução de emissões de metano na pecuária — o primeiro do tipo na Amazônia e no Nordeste.
O Matopiba — formado por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — é hoje uma das áreas de maior expansão agrícola do Brasil e já reúne uma produção estimada em cerca de 32 a 35 milhões de toneladas de grãos por safra, segundo levantamentos setoriais recentes, com forte concentração em soja, milho e algodão.
Na soja, principal cultura da região, a participação do Matopiba já gira em torno de 10% a 14% da produção brasileira, dependendo da safra e da metodologia de cálculo, com crescimento acelerado sobre áreas de Cerrado antes consideradas de baixa aptidão agrícola.
O Brasil, maior produtor global de soja, colheu cerca de 180 milhões de toneladas na safra mais recente, segundo dados consolidados da Conab. Nesse contexto, o avanço do Matopiba tem sido um dos principais vetores de aumento de oferta, especialmente nas últimas duas décadas.
Além da soja, a região tem ganhado relevância na produção de milho segunda safra e algodão, com destaque para áreas do oeste da Bahia e sul do Maranhão, onde a agricultura altamente mecanizada se consolidou com uso intensivo de tecnologia, correção de solo e integração de sistemas produtivos.
Apesar do avanço, o Matopiba ainda concentra gargalos estruturais importantes. Logística de escoamento, dependência de corredores como Norte-Sul e Arco Norte, e limitações de armazenagem seguem como pontos críticos que impactam o custo final da produção e a competitividade em relação a regiões tradicionais como Centro-Oeste e Sul.
É nesse cenário que a ampliação da presença da Embrapa ganha peso estratégico. A instituição é responsável por desenvolver tecnologias adaptadas ao Cerrado, como cultivares mais tolerantes a solos ácidos, sistemas de plantio direto e manejo de baixa emissão de carbono, fundamentais para sustentar a expansão agrícola na região.
A nova estrutura no Maranhão deve reforçar esse eixo de pesquisa aplicada, aproximando o desenvolvimento tecnológico das áreas de expansão produtiva, onde o crescimento da agricultura ocorre em ritmo mais acelerado do país.
Na prática, o Matopiba já se consolidou como uma das últimas grandes fronteiras agrícolas ainda em expansão no território nacional, com papel direto na ampliação da oferta de grãos e na sustentação do crescimento das exportações do agronegócio brasileiro.
Fonte: Pensar Agro

