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Cooperativa familiar inaugura frigorífico de tilápia com apoio do Estado no Noroeste do Paraná
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A Cooperativa da Agricultura Familiar da Região Noroeste do Paraná (Coopersul) inaugurou em Cruzeiro do Sul sua Unidade de Beneficiamento de Pescado, com capacidade de abate de 15 mil quilos de peixe por dia. O projeto recebeu R$ 600 mil do Governo do Estado, por meio do Programa Coopera Paraná, e visa ampliar a presença da tilápia no mercado nacional.
Investimento público e financiamento viabilizam empreendimento
Além do aporte estadual não reembolsável, a cooperativa obteve empréstimo de R$ 7,5 milhões pelo Pronaf, via Banco do Brasil, garantindo a realização de um projeto que vinha sendo planejado há quatro anos.
O presidente da Coopersul, Leandro Aparecido Espiniano, destacou a importância do selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF), que permite a comercialização dos pescados em todo o país. “Recebemos o SIF no final da obra, o que nos coloca aptos a atender o mercado nacional”, afirmou.
Produção e comercialização de tilápia
A tilápia é criada em tanques-rede no Rio Paranapanema, beneficiando diretamente cerca de 123 cooperados. A cooperativa também mantém parceria com a Prefeitura de Santa Inês, que incentiva a atividade pesqueira na Usina Hidrelétrica de Taquaruçu, e oferece assistência técnica aos produtores.
A produção será focada principalmente em filés de tilápia, com menor volume de postas, e os produtos serão destinados ao mercado institucional e a pequenos e médios supermercados das regiões norte e noroeste do Paraná, além do oeste paulista. Todos os pescados saem com selo de Agricultura Familiar.
Impacto socioeconômico da piscicultura na região
Segundo José Jorge Oliveira Neto, chefe do Núcleo Regional de Paranavaí, o frigorífico representa um avanço significativo para os pescadores do Rio Paranapanema. “O investimento permitirá industrializar o produto local, gerar mais renda às famílias e abrir novas perspectivas de emprego no setor”, destacou.
Histórico e trajetória da Coopersul
A Coopersul surgiu a partir da Associação dos Produtores Rurais de Cruzeiro do Sul, criada no início da década de 1990 com incentivo do padre Roberto Kuriyama. Inicialmente, a associação foi beneficiada por recursos do Japão para aquisição de uma área de 2,42 hectares, onde foram construídos sede, casa, barracão e centro de treinamento.
Após um período de baixa atividade, a associação se reorganizou em 2015 e passou a atuar como cooperativa, expandindo sua produção de ovos, hortifrúti e tilápia. Desde 2017, os primeiros lotes de peixe foram vendidos ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), embora o processamento fosse terceirizado, elevando os custos. A inauguração do novo frigorífico elimina essa dependência, garantindo maior controle da produção e logística, com matéria-prima fornecida dentro de um raio de 100 quilômetros e fácil acesso à zona urbana de Cruzeiro do Sul.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Produtos bovinos brasileiros podem ganhar mais espaço no mercado japonês
Estabelecimentos brasileiros registrados no Serviço de Inspeção Federal (SIF) que produzem produtos bovinos processados têm até as 18h desta segunda-feira (31.08) para manifestar interesse em participar da auditoria sanitária que o Japão realizará no Brasil e que poderá ampliar o acesso de produtos bovinos processados ao mercado japonês. A iniciativa ocorre em meio ao esforço brasileiro para aumentar a presença da pecuária nacional em um dos mercados de carne mais exigentes e valorizados do mundo.
A chamada foi aberta pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para identificar estabelecimentos interessados e preparados para receber a missão japonesa. O trabalho será conduzido pelas autoridades sanitárias do Japão e deverá avaliar as condições brasileiras de produção e processamento.
A lista inclui produtos como carne bovina desidratada, conhecida internacionalmente como beef jerky, envoltórios bovinos submetidos a tratamento térmico e o chamado Prime Beef, produto elaborado a partir de colágeno bovino e extrato de carne.
O objetivo da auditoria é revisar o Programa de Verificação de Exportação (EVP, na sigla em inglês), conjunto de procedimentos que estabelece as condições que os estabelecimentos brasileiros precisam cumprir para vender determinados produtos ao Japão.
Na prática, uma avaliação favorável poderá permitir a inclusão de novos produtos e estabelecimentos brasileiros no comércio com o país asiático.
O prazo desta segunda-feira não significa, portanto, abertura automática do mercado. Ele representa uma etapa preparatória para a auditoria e para a negociação sanitária necessária antes da autorização das exportações.
A movimentação ganha importância porque o Japão é fortemente dependente da importação de alimentos. Cerca de 60% das calorias consumidas pela população japonesa têm origem externa, ao mesmo tempo em que o país mantém padrões sanitários rigorosos para entrada de produtos agropecuários.
Na carne bovina, aproximadamente 70% do consumo japonês é abastecido por importações. Austrália e Estados Unidos estão entre os principais fornecedores, enquanto o Brasil ainda busca ampliar sua participação nesse mercado.
A abertura para a carne bovina brasileira in natura é uma negociação separada e muito mais ampla, que se arrasta há mais de duas décadas. Brasil e Japão decidiram acelerar as discussões e estabeleceram a realização de inspeções técnicas como uma das etapas necessárias para avançar na avaliação de risco.
Por isso, embora a auditoria relacionada ao prazo de segunda-feira seja destinada a produtos processados, o movimento ocorre dentro de uma aproximação sanitária e comercial mais abrangente entre os dois países.
Para a pecuária brasileira, conquistar espaço no Japão teria importância que vai além do volume vendido. O país asiático é considerado um mercado de elevado valor agregado e possui exigências sanitárias capazes de funcionar como referência para outros compradores.
A diversificação também ganhou importância neste segundo semestre. As exportações brasileiras de carne bovina chegaram a 1,97 milhão de toneladas entre janeiro e julho, crescimento de 9,9% em relação ao mesmo período do ano passado, mas o setor enfrenta mudanças nas condições de acesso a alguns de seus principais destinos.
Nesse cenário, ampliar o número de compradores reduz a dependência de poucos mercados e aumenta as alternativas comerciais dos frigoríficos. O efeito pode chegar ao pecuarista por meio de maior disputa pela matéria-prima e da valorização de animais que atendam às exigências dos destinos mais remuneradores.
A abertura de um mercado, entretanto, não termina com a autorização sanitária. Frigoríficos precisam cumprir requisitos específicos de produção, processamento, rastreabilidade e certificação para serem habilitados a exportar.
É justamente esse processo que começa agora para os produtos incluídos na chamada. Os estabelecimentos interessados devem encaminhar a documentação por meio do Serviço de Inspeção Federal (SIF) e do respectivo Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa), para que a manifestação chegue ao Mapa dentro do prazo.
Manifestações apresentadas depois das 18h desta segunda-feira não serão consideradas.
A auditoria japonesa será o passo seguinte. Se o resultado permitir a revisão das regras atuais, o Brasil poderá acrescentar novos produtos bovinos à pauta de exportações para o Japão enquanto continua negociando o objetivo de maior peso econômico para a pecuária nacional: a abertura do mercado japonês à carne bovina brasileira in natura.
Fonte: Pensar Agro



