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CPR permanece em destaque no início da nova safra agrícola 2025/26
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A nova edição do Boletim de Finanças do Agro divulgada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária mostrou que a Cédula de Produto Rural (CPR) alcançou R$ 521 bilhões, um aumento de 40% no mês de julho, se comparado a idêntico período do ano anterior. A participação da CPR no financiamento agrícola permanece em destaque no início da nova Safra 2025/26.
Em termos de novas emissões na Safra 2025/26, foram registrados R$ 31,67 bilhões em julho, aumento de 4% ante o início da Safra 2024/25.
As Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) apresentaram um percentual de crescimento de 25% nos últimos 12 meses, atingindo a marca de R$ 599 bilhões de contratações.
É importante destacar que a partir do dia 1º de julho de 2025 entrou em vigor a Resolução CMN n° 5.216, de 22 de maio de 2025, que promoveu ajustes no direcionamento da LCA, elevando de 50% para 60% a destinação de recursos captados com a emissão desse título na contratação de operações de crédito rural e na aquisição de títulos do agronegócio. A nova resolução também promoveu ajustes para fins de cumprimento desse direcionamento, ficando facultada a aplicação na aquisição de títulos do agronegócio e de fundos garantidores de operações de crédito rural de até 50% para até 55%, e, consequentemente, reduzindo a aplicação obrigatória em operações de crédito rural de, no mínimo, 50% para, no mínimo, 45%.

- Tabela
O Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA), um dos títulos pioneiros do agro a ser negociado no mercado de capitais, apresentou crescimento de 10% nos últimos 12 meses. O CRA possui um perfil mais concentrado em grandes companhias e investidores institucionais e segue apresentando um bom desempenho como observado ao longo dos últimos anos.
Quanto ao Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA), seu desempenho no último mês foi menos robusto se comparado aos demais títulos referidos. O percentual de crescimento em agosto foi de 5% comparado a idêntico período do ano passado.
A atualização do desempenho dos Fundos de Investimentos nas Cadeias Produtivas do Agronegócio (Fiagro) foi interrompida em abril e voltará a partir de setembro deste ano, quando termina o prazo de adaptação do fundo à entrada em vigor do Anexo VI da Resolução CVM 17.
Os dados podem ser consultados no Boletim de Finanças Privadas do Agro.
Informações à imprensa
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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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