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Crédito internacional oferece financiamento mais vantajoso ao produtor rural, afirma consultor
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Segundo Luciano Bravo, CVO da consultoria Inteligência Comercial, especializada em crédito internacional, obter empréstimos fora do Brasil pode reduzir significativamente os custos financeiros para o agronegócio. Empresas como JBS, BRF e Cutrale já adotam esse modelo, que oferece taxas mais baixas e maior flexibilidade de pagamento.
Empréstimos internacionais: alternativa aos juros elevados do Plano Safra
Luciano Bravo defende que recorrer a fundos estrangeiros pode ser uma solução eficaz frente às altas taxas cobradas nas linhas de crédito do Plano Safra, que podem chegar a 20% ao ano, em juros compostos. Segundo ele, as taxas praticadas por fundos internacionais giram em torno de 6,5%, o que representa uma economia considerável e amplia a liquidez dos produtores rurais.
Menor demanda por crédito rural no Brasil
O atual Plano Safra 2024/2025 disponibiliza R$ 400,59 bilhões para custeio e investimento, um aumento de 10% em relação ao ciclo anterior. No entanto, o número de contratos fechados caiu: foram 1,4 milhão até fevereiro deste ano, contra 1,6 milhão no mesmo período de 2023. Para Bravo, isso evidencia uma retração na busca por financiamento rural, provocada pelo aumento dos juros e pelo crescimento da inadimplência no setor.
“Houve encolhimento na tomada de crédito rural e menor capacidade de endividamento do produtor, devido ao custo elevado das taxas e à inadimplência crescente”, pontua o especialista.
Grandes empresas do agronegócio já adotam o modelo internacional
Embora ainda represente uma fatia pequena no total de crédito movimentado pelo agronegócio brasileiro, o financiamento internacional já se tornou uma prática consolidada entre grandes companhias do setor. A JBS, por exemplo, estruturou sua liquidez com cerca de US$ 10 bilhões, sendo US$ 1 bilhão provenientes de títulos emitidos no mercado americano.
BRF e Cutrale seguem o mesmo caminho, buscando no exterior melhores condições para viabilizar seus projetos de expansão e consolidar sua presença internacional.
Crédito externo fortalece estratégia de crescimento e reduz riscos
Bravo destaca que o crédito internacional permite às empresas brasileiras fortalecerem suas estratégias de crescimento e internacionalização, ao acessar recursos mais baratos e prazos de pagamento mais longos. Isso proporciona não apenas maior competitividade, mas também mais resiliência e capacidade de adaptação em um mercado global em constante transformação.
“O Brasil precisa reconhecer a importância dessa ferramenta. Ela é essencial para empresas que desejam protagonismo no cenário internacional”, defende o consultor.
Caso JBS: expansão global viabilizada por financiamento externo
Um dos exemplos mais emblemáticos do uso bem-sucedido de crédito internacional é o da JBS. Em 2017, a empresa emitiu US$ 1,25 bilhão em bônus para financiar a aquisição da americana Tyson Foods. A operação impulsionou em cerca de 15% as atividades internacionais da companhia, especialmente nos mercados dos Estados Unidos e Europa.
Bravo ressalta que, sem esse tipo de suporte financeiro, muitas empresas não teriam condições de competir globalmente. “O impacto do crédito externo no crescimento é significativo. Ele possibilita aquisições estratégicas e entrada em novos mercados, o que seria inviável com os custos praticados internamente”, afirma.
Com custos menores, prazos mais longos e maior flexibilidade, o crédito internacional surge como uma ferramenta estratégica para produtores rurais e grandes empresas do agronegócio que buscam expansão e competitividade. Apesar de ainda pouco explorado entre pequenos e médios produtores, esse modelo pode ganhar força nos próximos anos, diante da necessidade crescente de alternativas ao financiamento tradicional.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Exportação recorde não impede queda do frango vivo no mercado interno
O Brasil caminha para estabelecer um novo recorde nas exportações de carne de frango em 2026, mas o avanço das vendas externas ainda não foi suficiente para absorver o aumento da oferta. Com mais animais prontos para o abate, os preços do frango vivo recuaram em algumas das principais regiões produtoras, enquanto as cotações dos cortes permaneceram praticamente estáveis no atacado.
A pressão ocorre em uma cadeia que produziu 15,3 milhões de toneladas de carne de frango em 2025 e faturou cerca de R$ 50 bilhões somente com exportações, considerando a receita de R$ 9,8 bilhões convertida pelo câmbio de R$ 5,10. O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores produtores mundiais e lidera o comércio internacional da proteína.
No ano passado, o país exportou o volume recorde de 5,324 milhões de toneladas. Para 2026, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta embarques de até 5,5 milhões de toneladas, além de uma produção próxima de 15,6 milhões de toneladas. A disponibilidade no mercado interno pode alcançar 10,1 milhões de toneladas.
O avanço da oferta já aparece nos abates. No primeiro trimestre deste ano, o peso das carcaças chegou a 3,73 milhões de toneladas, crescimento de 6,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Paraná respondeu por 35% da produção, seguido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.
A ampliação dos abates ajuda a explicar por que os preços não acompanham o desempenho das exportações. A demanda internacional segue aquecida, mas o mercado doméstico precisa absorver cerca de dois terços de toda a carne produzida no país. O consumo estimado para 2026 é de 47,3 quilos por habitante, um dos maiores do mundo, mas ainda insuficiente para provocar uma reação mais forte diante da oferta atual.
Levantamento mostra que o frango vivo foi negociado a R$ 5,20 por quilo em São Paulo. No oeste do Paraná, a referência ficou em R$ 4,60. Goiás e Mato Grosso do Sul registraram queda de R$ 4,65 para R$ 4,55, enquanto Minas Gerais e Distrito Federal passaram de R$ 4,70 para R$ 4,60 por quilo.
No Sul, as referências ficaram em R$ 4,75 no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os preços mais elevados continuam concentrados no Nordeste e no Norte, variando de R$ 6,80 no Ceará a R$ 7,20 no Pará. As diferenças refletem custos logísticos, disponibilidade regional de aves e características próprias de cada mercado.
No atacado paulista, o peito congelado permaneceu em R$ 8,50 por quilo, a coxa em R$ 6,90 e a asa em R$ 11. Os cortes resfriados foram negociados por R$ 8,60, R$ 7 e R$ 11,10, respectivamente. A estabilidade, porém, não representa recuperação, porque as indústrias encontram dificuldade para elevar os preços diante da quantidade de carne disponível.
O principal instrumento para ajustar o mercado é o controle dos alojamentos. O termo corresponde ao número de pintinhos de um dia colocados nas granjas para engorda. Como as aves chegam ao peso de abate em aproximadamente 40 a 45 dias, um alojamento elevado hoje se transforma em maior oferta de carne poucas semanas depois.
A redução dos lotes permite diminuir gradualmente a quantidade de animais disponíveis e recuperar o equilíbrio entre produção, consumo e exportações. O ajuste precisa ser planejado porque uma redução excessiva também pode provocar falta de produto e aumento repentino dos preços no futuro.
A pressão não alcança todos os avicultores da mesma maneira. No sistema de integração, predominante nas principais regiões produtoras, a indústria normalmente fornece pintinhos, ração, medicamentos e assistência técnica. O produtor entra com as instalações, mão de obra, energia e manejo, recebendo conforme o desempenho do lote e as condições estabelecidas em contrato.
Por isso, a cotação do frango vivo não corresponde diretamente ao valor recebido por todos os integrados. Ainda assim, o excesso de oferta reduz a rentabilidade geral da cadeia e pode afetar o ritmo dos alojamentos, a remuneração dos contratos e a capacidade das empresas de repassar custos. O impacto é mais direto sobre produtores independentes, que compram os insumos e comercializam os animais por conta própria.
A disponibilidade de milho e farelo de soja ajuda a conter parte da pressão. Os dois produtos formam a base da ração e representam a maior parcela do custo de produção. Com oferta elevada de grãos, a alimentação das aves está menos onerosa do que em períodos de escassez, evitando uma deterioração maior das margens.
No comércio exterior, os embarques continuam funcionando como principal sustentação do setor. Nos primeiros 13 dias úteis de julho, o Brasil exportou 299,2 mil toneladas de carne de aves e miudezas, com receita equivalente a R$ 2,73 bilhões. A média diária cresceu 41% em relação a julho de 2025, embora o preço médio tenha recuado 1,3%.
O cenário indica que a avicultura brasileira permanece competitiva e deve ampliar sua presença internacional. No curto prazo, porém, o recorde das exportações terá de ser acompanhado por um controle mais preciso dos alojamentos. Sem esse ajuste, a expansão da produção continuará chegando ao mercado antes que a demanda consiga absorvê-la, mantendo os preços do frango vivo sob pressão.
Fonte: Pensar Agro


