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Crédito rural terá fiscalização mais rígida em 2026 e exigirá comprovação detalhada dos gastos
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Nova regra muda fiscalização do crédito rural no Brasil
A entrada em vigor da Resolução CMN nº 5.267/2025, em março de 2026, marca uma nova etapa na fiscalização do crédito rural brasileiro. A medida amplia o controle sobre a aplicação dos recursos financiados e endurece as exigências de comprovação por parte dos produtores rurais.
A nova regulamentação determina que bancos e instituições financeiras passem a adotar mecanismos mais rigorosos de monitoramento das operações, combinando análise documental e imagens de satélite para verificar a correta destinação do dinheiro contratado.
O objetivo central da medida é reduzir fraudes, desvios de finalidade e inconsistências em operações de custeio, investimento agropecuário, compra de máquinas, aquisição de animais e aplicação em lavouras.
Monitoramento por satélite ganha força no agronegócio
A fiscalização via satélite passa a integrar oficialmente o processo de acompanhamento das operações de crédito rural. A tecnologia permitirá verificar se houve efetivamente plantio, manutenção de áreas produtivas e execução das atividades declaradas no financiamento.
No entanto, especialistas destacam que as imagens, sozinhas, não serão suficientes para validar todas as operações.
Segundo Frederico Franco, gerente e especialista em GRC e Auditoria da Kassy Consultoria, o satélite consegue comprovar apenas o que é visível na propriedade.
“O satélite fiscaliza o que é visível; a documentação fiscaliza o que é invisível”, afirma o especialista.
Isso significa que operações relacionadas à compra de gado, insumos, fertilizantes, peças, equipamentos ou manutenção precisarão de comprovação documental detalhada.
Bancos passam a exigir notas fiscais e comprovantes
Com a nova regulamentação, os bancos deverão intensificar a exigência de documentos fiscais para validar a aplicação dos recursos liberados.
Na prática, produtores rurais precisarão apresentar:
- Notas fiscais;
- Recibos;
- Comprovantes de pagamento;
- Documentos de aquisição de bens e insumos;
- Registros vinculados à operação financiada.
As instituições financeiras também deverão cruzar as informações documentais com os dados obtidos por imagens de satélite, verificando a coerência entre o crédito contratado e a atividade desenvolvida na propriedade.
O novo modelo elimina práticas anteriormente comuns no mercado, em que parte dos recursos acabava direcionada para finalidades diferentes das previstas no contrato.
Mudança amplia rastreabilidade no agro
A nova fiscalização do crédito rural também acompanha uma tendência crescente de rastreabilidade no agronegócio brasileiro.
Segundo especialistas do setor, a medida está alinhada às exigências internacionais de transparência e controle produtivo, especialmente diante das novas demandas de mercados importadores.
Entre os fatores acompanhados pelo setor está o avanço das exigências ligadas ao acordo entre Mercosul e União Europeia, que prevê maior controle sobre origem, produção e rastreabilidade de produtos agropecuários.
Produtor que atua corretamente tende a ganhar competitividade
A avaliação de especialistas é que produtores que utilizam corretamente o crédito rural poderão ser beneficiados pelo novo modelo de fiscalização.
A redução de fraudes tende a diminuir riscos para os bancos, reduzir desperdícios de recursos públicos e melhorar a eficiência do sistema de financiamento agrícola.
Além disso, operações mais transparentes podem ampliar a confiança do mercado financeiro e facilitar futuras liberações de crédito para produtores com histórico regular.
Setor entra em um novo modelo de controle
A combinação entre tecnologia, cruzamento de dados e comprovação documental inaugura um novo padrão de fiscalização no crédito rural brasileiro.
O modelo reforça o acompanhamento contínuo das operações e amplia a responsabilidade sobre a correta utilização dos recursos contratados.
Para o setor agropecuário, a tendência é de adaptação gradual a um ambiente de maior controle, rastreabilidade e transparência financeira nas operações de crédito rural.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Safra de laranja deve cair quase 13% no cinturão citrícola e mercado já sente pressão nos preços
A citricultura brasileira entra em um novo ciclo de atenção em 2026/27. Segundo análise do relatório Agro Mensal, da Consultoria Agro do Itaú BBA, a primeira estimativa divulgada pelo Fundecitrus aponta que a safra de laranja no cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro deverá atingir 255,2 milhões de caixas de 40,8 quilos, uma queda de 12,9% em relação à temporada anterior.
O recuo expressivo da produção ocorre em meio à combinação de bienalidade negativa, condições climáticas adversas e avanço do greening, doença que continua pressionando a produtividade dos pomares brasileiros.
Ao mesmo tempo, o mercado internacional do suco de laranja enfrenta um cenário de demanda enfraquecida, após os elevados preços registrados na safra passada reduzirem o consumo em importantes mercados compradores, especialmente na Europa e nos Estados Unidos.
Clima e greening ampliam preocupação no cinturão citrícola
De acordo com o Itaú BBA, a redução da safra reflete principalmente o menor número de frutos por árvore e o aumento da queda prematura dos frutos, fatores que superaram os ganhos obtidos com o maior peso médio das laranjas e a expansão do parque produtivo.
As condições climáticas também tiveram impacto direto no desempenho da cultura. As chuvas abaixo da média durante o segundo semestre de 2025 prejudicaram o desenvolvimento da safra, especialmente no cinturão citrícola paulista e mineiro.
Além da estiagem, temperaturas elevadas e ventos intensos registrados em setembro comprometeram o florescimento e o pegamento dos frutos, reduzindo o potencial produtivo para a temporada 2026/27.
O relatório alerta ainda que novas perdas podem ocorrer caso as precipitações entre maio e outubro fiquem abaixo do necessário. Nesse cenário, o peso dos frutos tende a diminuir, reduzindo ainda mais a produtividade.
Outro fator que segue no radar do setor é o avanço do greening. Segundo o Itaú BBA, a doença continua agravando os desafios fitossanitários da citricultura brasileira e pode provocar novas revisões negativas nas estimativas de safra, como ocorreu em temporadas anteriores.
Preço da laranja cai abaixo do custo de produção
Apesar da expectativa de uma safra menor, o mercado doméstico vive um momento de pressão sobre os preços pagos ao produtor.
A laranja destinada à indústria encerrou abril cotada em R$ 26,20 por caixa de 40,8 kg, retornando aos mesmos níveis observados em 2021 e ficando abaixo do custo de produção para boa parte dos citricultores brasileiros.
Segundo o relatório, ainda há incertezas sobre os contratos firmados entre produtores e indústria neste início de safra. A tendência é que o mercado ganhe maior clareza após a consolidação dos números do Fundecitrus e o avanço da colheita das variedades precoces.
O cenário atual é influenciado principalmente pelo elevado nível de estoques da indústria e pela desaceleração das exportações de suco, fatores que limitam o potencial de recuperação dos preços da fruta, mesmo diante de uma produção menor.
Suco de laranja recua em Nova York com demanda mais fraca
No mercado internacional, os preços do suco de laranja concentrado congelado (FCOJ) seguem em queda na Bolsa de Nova York.
Nos últimos 30 dias, as cotações acumularam retração de 16%, chegando a 167,2 centavos de dólar por libra-peso.
A pressão ocorre em função de um mercado mais abastecido após a safra brasileira 2025/26 mais volumosa, além da perda de demanda global provocada pelos preços recordes registrados anteriormente.
As exportações brasileiras de suco totalizaram 56 mil toneladas equivalentes de FCOJ em abril de 2026, alta de 26% frente ao mesmo período do ano passado. Porém, houve queda de 34% na comparação com março.
No acumulado da safra 2025/26, os embarques avançaram apenas 1,6%, desempenho considerado modesto diante da maior disponibilidade de produto no mercado.
Segundo o Itaú BBA, os preços elevados praticados anteriormente reduziram o consumo, principalmente na União Europeia, tradicional compradora do suco concentrado brasileiro.
Consumidor americano ainda não sente queda nos preços
Mesmo com a recente desvalorização do suco em Nova York e a redução dos preços de exportação brasileiros, o consumidor americano ainda não percebeu alívio nas prateleiras.
Em março de 2026, o preço do suco concentrado no varejo dos Estados Unidos atingiu US$ 4,89 por lata de 473 ml, o maior valor da série histórica iniciada em 2000.
O movimento reforça a cautela do mercado internacional e indica que o consumo global ainda pode enfrentar limitações ao longo dos próximos meses.
Diante desse cenário, o setor citrícola brasileiro segue atento ao comportamento climático, ao avanço do greening e à recuperação da demanda global, fatores que deverão definir o rumo dos preços da laranja e do suco ao longo da safra 2026/27.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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