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Cresce interesse estrangeiro por terras brasileiras à medida que agro se consolida como protagonista global
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Brasil se destaca como fornecedor global de alimentos
O agronegócio brasileiro reafirma seu protagonismo na produção mundial de alimentos, despertando atenção de investidores nacionais e internacionais. Estudos recentes da Cargill indicam que, nos próximos 20 anos, cerca de 80% do crescimento do consumo global será atendido por produtos agrícolas produzidos no Brasil.
Com aproximadamente 41% do território brasileiro classificado como agricultável, a busca por terras produtivas está em alta, movimentando significativamente o mercado imobiliário rural.
Plataforma Chãozão registra alta recorde na procura por propriedades rurais
Segundo dados do portal Chãozão, especializado em anúncios de imóveis rurais, a demanda por fazendas aptas à lavoura e pecuária cresceu 250% em janeiro de 2026 em comparação a dezembro de 2025. Atualmente, o portal reúne cerca de R$ 500 bilhões em propriedades anunciadas.
“Estamos vendo a consolidação de um movimento iniciado no final do ano passado. Só em dezembro, as buscas já haviam registrado alta de 38% acima da média, e agora esses números foram superados. O Brasil se posiciona no centro das decisões geopolíticas relacionadas à segurança alimentar”, afirma Geórgia Oliveira, CEO do Chãozão e especialista em gestão de negócios imobiliários para o agro.
Interesse estrangeiro cresce, principalmente dos EUA e Europa
O aumento do interesse internacional por terras brasileiras já é uma realidade desde 2025. Nos primeiros sete meses do ano passado, a procura por investidores dos Estados Unidos cresceu 15%, representando atualmente 41% de todas as consultas estrangeiras na plataforma.
Além dos EUA, a demanda vem crescendo de países como Portugal, Alemanha, Reino Unido, França, Espanha e China. Geórgia Oliveira destaca que “o investidor global reconhece que alimentos são ativos estratégicos, escassos e, muitas vezes, com peso político. A decisão de investir no Brasil é estratégica para quem busca segurança e retorno no agro”.
Mercado de terras caminha para maior profissionalização
O setor imobiliário rural brasileiro enfrenta desafios estruturais que refletem a necessidade de maior profissionalização. O acesso restrito ao crédito, aliado à baixa incorporação de tecnologia e inteligência de dados, ainda limita operações baseadas em modelos tradicionais.
“O mercado está amadurecendo. Hoje, não basta apenas ofertar uma propriedade; é necessário apresentar informações estruturadas, precificação técnica e inteligência de mercado para atender a compradores cada vez mais qualificados”, explica Geórgia Oliveira.
Segundo a especialista, o setor está se transformando em um ambiente técnico e orientado por dados, no qual informação qualificada, transparência e profissionalismo se tornaram pilares essenciais para conectar terras produtivas a investidores exigentes.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Tarifa de 25% dos EUA ameaça exportações brasileiras e exige reação imediata das empresas
A possível aplicação de uma tarifa adicional de 25% pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros acendeu um alerta entre exportadores e autoridades brasileiras. A medida, proposta pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), ainda está em fase de consulta pública e audiência, mas já exige atenção das empresas que mantêm negócios com o mercado norte-americano.
Embora a lista preliminar contemple exceções relevantes, como café, carne bovina, energia, metais, terras raras e componentes aeronáuticos, especialistas alertam que os impactos podem ultrapassar a questão tarifária e atingir diretamente a competitividade das empresas brasileiras.
Investigação envolve temas além das tarifas
Segundo Fernando Canutto, sócio do Godke Advogados e especialista em Direito Internacional Empresarial, o processo conduzido pelos Estados Unidos possui alcance mais amplo do que uma simples discussão sobre tarifas de importação.
A investigação inclui temas estratégicos como comércio digital, meios de pagamento, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, políticas anticorrupção e questões relacionadas ao desmatamento.
Na avaliação do especialista, o avanço da investigação pode criar um ambiente de maior insegurança regulatória para empresas brasileiras que atuam no comércio internacional, exigindo monitoramento constante e planejamento antecipado.
Brasil tem três caminhos para responder à medida
No campo institucional, o governo brasileiro dispõe de diferentes mecanismos para contestar ou negociar a proposta norte-americana.
A primeira frente é diplomática, conduzida por órgãos como o Itamaraty, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e a Câmara de Comércio Exterior (Camex), que podem atuar diretamente junto ao USTR para tentar modificar ou reduzir os efeitos da medida.
Como a proposta ainda está em fase de consulta pública, existe espaço para negociações e eventuais ajustes antes de uma decisão definitiva.
A segunda alternativa envolve o sistema multilateral de comércio, por meio da Organização Mundial do Comércio (OMC). O Brasil já manifestou, em episódios anteriores, posicionamento contrário à adoção de medidas unilaterais fora das regras multilaterais estabelecidas pela entidade.
A terceira possibilidade está prevista na Lei de Reciprocidade Econômica (Lei nº 15.122/2025), que criou instrumentos para que o Brasil possa responder a ações comerciais consideradas prejudiciais à competitividade nacional.
No entanto, especialistas alertam que qualquer reação deve ser cuidadosamente calibrada para evitar prejuízos às cadeias produtivas brasileiras, importadores e consumidores.
Empresas precisam revisar contratos e operações
Mesmo sem uma definição sobre a implementação das tarifas, especialistas recomendam que empresas exportadoras iniciem imediatamente uma análise detalhada de sua exposição ao mercado norte-americano.
O primeiro passo é identificar quais produtos poderão ser atingidos pela sobretaxa e avaliar os impactos sobre contratos em andamento e negociações futuras.
Em muitos casos, uma tarifa adicional de 25% pode comprometer a viabilidade econômica de operações já contratadas, especialmente em setores que trabalham com margens reduzidas.
Além disso, torna-se fundamental revisar cláusulas contratuais, estratégias de precificação, alternativas logísticas e possibilidades de diversificação de mercados.
Setores mais vulneráveis podem sentir maior impacto
Os segmentos mais expostos aos efeitos da medida tendem a ser aqueles que exportam produtos não contemplados pelas exceções anunciadas pelos Estados Unidos.
Empresas que atuam em mercados altamente competitivos, com baixa margem de lucro e pouca capacidade de repassar custos aos compradores americanos, podem enfrentar maiores dificuldades caso a tarifa seja efetivamente implementada.
Por outro lado, setores ligados ao café, carne bovina, energia, mineração estratégica e indústria aeronáutica devem sofrer impacto direto mais limitado devido à exclusão preliminar desses produtos da lista tarifária.
Lista de exceções revela interesses estratégicos dos EUA
Para Ricardo Inglez de Souza, sócio do IW Melcheds Advogados e especialista em Comércio Internacional, a composição da lista de exceções evidencia uma lógica geopolítica e econômica por trás da proposta norte-americana.
Segundo ele, os produtos isentos são justamente aqueles em que os Estados Unidos dependem fortemente do fornecimento brasileiro ou enfrentam dificuldades para substituí-los rapidamente por outros mercados.
Entre os itens preservados estão carne bovina, café, frutas tropicais, petróleo, fertilizantes, aeronaves e componentes aeronáuticos.
Na avaliação do especialista, a medida busca proteger cadeias estratégicas de abastecimento norte-americanas ao mesmo tempo em que aumenta a pressão sobre outros segmentos exportadores brasileiros.
Cenário exige planejamento e gestão de riscos
Enquanto o processo segue em análise nos Estados Unidos, empresas brasileiras com operações internacionais devem reforçar suas estratégias de gestão de risco e acompanhar de perto a evolução das negociações.
Além dos possíveis impactos financeiros, a discussão evidencia o crescente peso das questões geopolíticas, regulatórias e ambientais nas relações comerciais globais.
Para exportadores, a antecipação de cenários, a revisão de contratos e a diversificação de mercados podem ser decisivas para reduzir riscos e preservar a competitividade diante de um ambiente internacional cada vez mais complexo e imprevisível.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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