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Crise nas máquinas: tarifas ameaçam indústria de equipamentos agrícolas nos EUA e Canadá

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Durante uma recente feira agrícola no Canadá, fabricantes e revendedores de máquinas agrícolas enfrentaram grandes dificuldades para fechar negócios com produtores preocupados com os impactos das tarifas comerciais. Diante de equipamentos que podem ultrapassar US$ 800 mil, qualquer aumento inesperado de custo causado por tarifas representa um golpe difícil de absorver para o orçamento das propriedades rurais.

Embora o Canadá tenha sido poupado de parte das tarifas globais impostas pelo governo Trump em 2 de abril, o país ainda enfrenta taxas sobre exportações de aço e alumínio destinadas aos Estados Unidos, além de possíveis tarifas sobre veículos que não estejam em conformidade com o Acordo Comercial Estados Unidos-México-Canadá (USMCA).

Na última sexta-feira, agricultores canadenses relataram incertezas quanto à aplicação de tarifas ou contramedidas retaliatórias sobre os equipamentos agrícolas. De acordo com os produtores, a definição de regras mais claras pode levar semanas. Enquanto isso, o interesse por novos tratores, colheitadeiras e implementos agrícolas despencou, levando os fabricantes a reverem sua produção.

Em março, a Case IH — tradicional fabricante norte-americana de maquinário agrícola pertencente à CNH Industrial — comunicou centenas de trabalhadores em Minnesota e Dakota do Norte sobre demissões. A empresa não comentou o caso.

A instabilidade tem afastado os produtores da compra de máquinas fabricadas nos Estados Unidos. Em Saskatchewan — província canadense responsável por grande parte da produção de trigo de primavera, canola e trigo duro para exportação — o presidente da Associação de Produtores Agrícolas, Bill Prybylski, afirmou que os agricultores estão sendo extremamente cautelosos em relação a investimentos de capital. Ele apontava para uma colheitadeira John Deere exposta durante o evento agrícola de março enquanto comentava a situação.

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Nas áreas da feira, era comum ver agricultores examinando pneus e esteiras de colheitadeiras, semeadoras, pulverizadores e escavadeiras, mas as compras efetivas eram escassas.

Do lado dos fabricantes, o receio é de sofrer com a aplicação de tarifas no momento da entrega dos equipamentos, o que tornaria os custos inviáveis. “Estamos com muitas variáveis no ar e não sabemos onde vão parar”, disse Derek Molnar, diretor de marketing da Degelman Industries, diante de uma linha de implementos amarelos da empresa.

Como as compras são negociadas com meses ou até mais de um ano de antecedência, a incerteza sobre eventuais aumentos de tarifas até o momento da entrega tem travado o mercado. “Decidimos adiar. Vamos manter nossas colheitadeiras por mais tempo”, afirmou o produtor Gunter Jochum, de Manitoba. Como a maioria dos agricultores, Jochum adquire máquinas de diferentes partes do mundo, como colheitadeiras Claas (Alemanha e EUA), tratores AGCO, pulverizadores Case (EUA) e semeadoras Bourgault (Canadá).

Segundo Kip Eideberg, vice-presidente sênior da Associação de Fabricantes de Equipamentos — entidade que representa empresas como John Deere e Case IH —, os produtores de ambos os lados da fronteira estão revendo para baixo seus volumes de produção. A justificativa é a “incerteza econômica contínua e as iminentes guerras comerciais”.

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Aproximadamente 30% dos equipamentos agrícolas produzidos nos Estados Unidos são exportados, e o Canadá representa o maior destino internacional dessas vendas. “As tarifas interrompem nossas cadeias de suprimentos na América do Norte, elevam os custos de produção e ameaçam dezenas de milhares de empregos familiares”, alertou Eideberg.

Jamie Pegg, gerente-geral da fabricante canadense Honey Bee, com sede em Saskatchewan, afirmou que a empresa pode ter que reduzir a produção para evitar o acúmulo de estoque, caso as tarifas ou o receio delas afetem as vendas. “Estoque é o que mata um negócio”, resumiu.

Para os revendedores canadenses, o cenário é de insegurança. “A incerteza criou um ambiente terrível para os negócios”, afirmou Nancy Malone, vice-presidente para o Canadá da North American Dealers Association, entidade que representa distribuidores de máquinas, fertilizantes e outros insumos agrícolas. Malone disse estar em contato com o governo canadense para evitar tarifas retaliatórias sobre equipamentos dos EUA.

Enquanto isso, a expectativa é de paralisação. “Só nos resta esperar”, concluiu Malone.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Crédito privado ao agro cresce e CPR chega a R$ 565 bilhões em maio

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O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que o financiamento privado do agronegócio segue em expansão e atingiu novos patamares em maio de 2026, segundo o Boletim de Finanças Privadas do Agro. O levantamento reúne os principais instrumentos usados pelo setor para obter crédito fora das linhas tradicionais do governo.

O estoque de Cédulas de Produto Rural (CPR) chegou a R$ 565 bilhões, alta de 13% em 12 meses. Na prática, esse instrumento funciona como uma antecipação de recursos ao produtor, muitas vezes usada para custear a safra antes da colheita. O crescimento indica maior uso desse tipo de operação no campo.

Apesar do avanço no estoque, o ritmo de novas emissões de CPR perdeu força no acumulado da safra 2025/26. Entre julho de 2025 e maio de 2026, os registros somaram R$ 343,9 bilhões, queda de 6% em relação ao ciclo anterior.

Já as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), usadas pelos bancos para captar dinheiro no mercado e emprestar ao setor, somaram R$ 571,51 bilhões em estoque, praticamente estáveis na comparação anual, com leve recuo de 0,3%. Mesmo assim, a parcela desses recursos que chega efetivamente ao campo aumentou.

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Ao menos R$ 342,9 bilhões estavam direcionados ao financiamento agropecuário, com crescimento de 20% em relação ao ano anterior. Esse avanço está ligado à mudança na regra que obriga os bancos a aplicarem uma fatia maior dos recursos captados no setor, que passou de 50% para 60%.

Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), que também funcionam como uma forma de antecipação de recursos por meio do mercado financeiro, cresceram 12% em 12 meses e chegaram a R$ 175,7 bilhões. Já os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) recuaram 6%, após um período de forte expansão no ano anterior.

Entre os fundos de investimento voltados ao agro (Fiagro), o patrimônio chegou a R$ 62 bilhões em abril, com 247 fundos em operação. Esse instrumento vem ganhando espaço por aproximar investidores do financiamento direto da produção rural.

De forma geral, os dados mostram que o produtor rural depende cada vez mais de diferentes fontes de crédito além dos bancos tradicionais. Hoje, parte do dinheiro que financia a safra vem diretamente do mercado financeiro, o que amplia as opções, mas também torna o custo do crédito mais sensível às condições do mercado.

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Fonte: Pensar Agro

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