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Crise no mercado de arroz: produtores operam no prejuízo e indústria enfrenta cenário insustentável
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O mercado brasileiro de arroz vive um momento de grave crise, com produtores acumulando prejuízos e a indústria operando sob forte pressão. A estagnação nas negociações, os preços em queda e o colapso da rentabilidade têm gerado um ambiente de tensão e incerteza em toda a cadeia produtiva. A avaliação é do analista Evandro Oliveira, da consultoria Safras & Mercado.
Produção encerrada, mas mercado segue paralisado
Embora a colheita da safra de arroz já tenha sido tecnicamente encerrada no Rio Grande do Sul — principal estado produtor — o setor segue parado. Segundo o analista, ao contrário de anos anteriores, não há movimentação comercial significativa, e todos aguardam sinais que indiquem os próximos rumos da temporada.
Produtores enfrentam prejuízos crescentes
Os preços praticados atualmente no mercado não são suficientes para cobrir os altos custos de produção, que seguem em trajetória de aumento. Isso tem gerado um desequilíbrio grave entre receita e despesa, resultando em margens cada vez mais pressionadas e crescimento do endividamento entre os produtores.
A consequência mais imediata, segundo Evandro Oliveira, é o desestímulo ao plantio na próxima safra. Isso pode levar a uma redução na área cultivada e maior dependência de arroz importado, o que já preocupa agentes da cadeia produtiva.
Indústria opera no limite com margens espremidas
A indústria também sente os impactos da crise. Com dificuldade de repassar os custos ao varejo, enfrenta margens apertadas enquanto precisa lidar com despesas crescentes de logística, embalagens e operação. De acordo com Oliveira, o setor industrial se vê obrigado a manter o abastecimento dos supermercados mesmo operando em condições financeiras insustentáveis, o que gera um risco estrutural para o funcionamento das empresas.
Varejo reduz espaço para o arroz nas prateleiras
No ponto de venda, o arroz tem perdido relevância. Trata-se de um produto com baixo giro, margens reduzidas e intensa concorrência de preços. Como resultado, redes varejistas têm diminuído o espaço dedicado ao cereal nas gôndolas, substituindo-o por categorias mais lucrativas. Há ainda pulverização de marcas e redução da presença de marcas tradicionais.
Queda expressiva nos preços do arroz no RS
No fechamento do dia 5, a saca de 50 quilos de arroz (com 58/62% de grãos inteiros e pagamento à vista) foi cotada a R$ 70,83 no Rio Grande do Sul. O valor representa uma queda de 3,24% em relação à semana anterior. Na comparação mensal, o recuo chega a 7,71%. Já em relação ao início de 2024, a desvalorização é ainda mais acentuada: 41,50%.
A crise que se agrava no setor do arroz exige atenção imediata e ações coordenadas para evitar prejuízos ainda maiores à produção nacional e garantir o abastecimento interno com sustentabilidade econômica para todos os elos da cadeia.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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El Niño eleva risco climático na Bacia do Paraná e acende alerta para produtores rurais e seguro agrícola
A possibilidade de retorno do fenômeno El Niño ao longo de 2026 aumenta o nível de incerteza climática para produtores rurais da Bacia Hidrográfica do Paraná, uma das regiões mais importantes para o agronegócio brasileiro. O cenário acende alerta para riscos de seca, excesso de chuvas e impactos diretos na produtividade agrícola e no mercado de seguro rural.
Um estudo desenvolvido pelo IRB(Re), por meio da área de pesquisa e desenvolvimento IRB(P&D), analisou a relação entre fases do fenômeno climático e a ocorrência de eventos extremos, além dos efeitos sobre indicadores de sinistralidade do seguro rural.
A área estudada envolve estados estratégicos como São Paulo e Paraná, que concentram parte relevante da produção nacional de grãos, especialmente soja, milho e outras culturas essenciais para o agronegócio.
NOAA aponta alta probabilidade de formação do El Niño em 2026
De acordo com projeção da NOAA divulgada em maio, há 82% de probabilidade de desenvolvimento do El Niño entre maio e julho, com possibilidade de avanço para 96% até dezembro de 2026.
O cenário indica um curto período de neutralidade climática, seguido por transição para o fenômeno ao longo de 2026, com possibilidade de manutenção até o fim do ano.
O El Niño ocorre quando há aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, alterando padrões de circulação atmosférica e influenciando regimes de chuva em diversas regiões do planeta, incluindo o Brasil.
Agricultura e seguro rural são diretamente impactados por variações climáticas
Segundo o estudo, as variações climáticas provocadas por fenômenos como El Niño e La Niña afetam diretamente a disponibilidade hídrica, a produtividade agrícola e o nível de perdas no seguro rural.
A proposta do IRB(P&D) é integrar indicadores climáticos globais, sinais regionais de seca e métricas de sinistralidade do seguro agrícola, permitindo uma leitura mais ampla dos riscos.
“O objetivo é conectar sinais climáticos de grande escala aos impactos observados no território e no mercado segurador”, explica Reinaldo Marques, superintendente atuarial do IRB(Re) e responsável pelo IRB(P&D).
A metodologia também pode auxiliar na melhoria de estratégias de subscrição, monitoramento de carteiras e gestão de riscos no setor de seguros rurais.
Bacia do Paraná concentra forte relevância econômica e agrícola
A Bacia Hidrográfica do Paraná reúne áreas de alta relevância para o agronegócio brasileiro, com forte presença de produção agrícola e importância econômica e energética.
Somente nos estados de São Paulo e Paraná, o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) ultrapassou R$ 1,3 trilhão em 2023, com grande parte desse resultado oriunda de municípios inseridos na bacia.
Como a atividade agrícola da região depende fortemente da regularidade das chuvas, períodos de déficit hídrico durante fases críticas das culturas podem resultar em perdas de produtividade e impactos econômicos significativos.
Impactos do El Niño variam entre regiões do Brasil
O estudo aponta que os efeitos do El Niño não são uniformes no território nacional e variam conforme a região.
No Norte e em parte do Nordeste, o fenômeno tende a aumentar o risco de redução de chuvas, estiagens prolongadas e estresse hídrico nas lavouras. Já no Sul do Brasil, o padrão mais comum está associado ao aumento de precipitações e maior probabilidade de eventos extremos, incluindo cheias.
Apesar disso, o IRB(P&D) reforça que a relação entre El Niño e impactos climáticos não é linear e deve ser analisada com base em recortes regionais.
“O sinal existe, é monitorável e deve ser considerado na avaliação de risco, mas não determina sozinho o que ocorrerá em cada região ou atividade produtiva”, destaca Reinaldo Marques.
Monitoramento climático é chave para reduzir riscos no campo
Diante do aumento da probabilidade do fenômeno, especialistas reforçam a importância do monitoramento climático contínuo e da adoção de estratégias de gestão de risco no agronegócio.
Embora o El Niño possa indicar tendências, sua intensidade e efeitos variam significativamente, exigindo cautela nas interpretações e planejamento regionalizado por parte de produtores, seguradoras e agentes do setor agrícola.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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