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Decisão sobre IOF pressiona crédito e eleva custos para o agronegócio
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A decisão do Ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou parcialmente válida a elevação das alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) por meio de decreto presidencial, trouxe apreensão ao agronegócio.
A medida, embora ainda pendente de confirmação pelo Plenário da Corte, já acende um alerta entre cooperativas, fornecedores de insumos e produtores rurais, que veem no aumento do tributo mais um fator de pressão sobre o financiamento da atividade.
A mudança ocorre em um contexto de crédito apertado: juros elevados, recuo de subsídios em algumas linhas e aumento da inadimplência em diversos segmentos do agronegócio.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende (foto), o impacto da mudança na cobrança do IOF é direto sobre o custo de operação das cooperativas e das agroindústrias que atuam fora do crédito rural tradicional.
“Embora as linhas com recursos dos fundos constitucionais estejam preservadas, boa parte do financiamento no campo ocorre por meio de outras fontes, inclusive operações privadas. Ao tributar essas movimentações, o decreto torna o crédito mais caro e pode comprometer a viabilidade econômica de pequenos e médios produtores que dependem dessas estruturas”, avalia Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA).
Na opinião de Rezende, a nova alíquota de 0,38% parece pequena em números absolutos, mas representa um efeito acumulativo importante, sobretudo em operações de valor elevado ou com ciclos de capital mais longos.
“Não se trata apenas de um ajuste técnico, mas de um sinal de aumento da complexidade e do custo regulatório. Quando o setor busca diversificar fontes de financiamento, como FIDCs, LCAs e plataformas privadas, um encargo adicional como esse desestimula investidores e eleva o risco da operação”, afirma.
Rezende também aponta que a decisão chega em um momento delicado para o agro, com margens pressionadas e ambiente financeiro restritivo. “Estamos diante de uma combinação adversa: juros altos, redução de subsídios e, agora, aumento de tributação. Isso obriga o produtor a rever o planejamento financeiro e impacta a tomada de decisão sobre investimentos. O ideal seria um debate mais amplo e transparente, envolvendo todos os agentes do setor, antes da adoção de medidas com potencial tão sensível”, comenta Isan.
Essa alteração não afeta de forma homogênea todos os agentes do setor. Cooperativas agropecuárias, por exemplo, deixam de ter isenção automática e só mantêm o benefício se movimentarem até R$ 100 milhões em operações de crédito no ano anterior.
Na prática, isso significa aumento do custo médio das operações para grande parte das cooperativas de produção. O reflexo direto deve ser sentido no repasse desses custos ao produtor rural, seja via preços de insumos, seja na remuneração por produtos entregues.
Fornecedores de fertilizantes, sementes, defensivos e máquinas também serão afetados. Com a elevação do IOF para pessoas jurídicas, parte desse custo adicional deve ser embutida nos preços finais. O cenário, portanto, tende a agravar o já estreito espaço de margem de muitos produtores, especialmente os que dependem de capital de giro fora das linhas oficiais.
Do ponto de vista das instituições financeiras, a incidência de IOF afeta principalmente as operações bancárias tradicionais e alguns produtos de crédito estruturado. O mercado de capitais, por sua vez, não escapa totalmente: os Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDCs), que vêm ganhando espaço no financiamento do agro, devem ser impactados nas aplicações feitas por investidores finais. Isso reduz a atratividade desses papéis e pode encarecer o custo de captação para quem origina os empréstimos.
Organizações representativas do setor agropecuário alertam que a decisão ameaça a competitividade de instrumentos importantes para o financiamento rural, como as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs).
Esses títulos vinham sendo utilizados para ampliar o volume de recursos disponíveis ao campo, com condições atrativas por conta da isenção fiscal. A aplicação do IOF sobre esses papéis pode afastar investidores e comprometer o fluxo de capital que sustenta grande parte da produção nacional.
Mesmo que o impacto não seja homogêneo, a avaliação predominante entre analistas do setor é que o ambiente de crédito se torna mais desafiador. Com a taxa básica de juros ainda elevada, menor espaço para subsídios oficiais e pressão de custos, o produtor rural terá de reavaliar estratégias financeiras, renegociar dívidas e redobrar o cuidado com o planejamento da próxima safra.
O julgamento no STF ainda não está encerrado. A decisão monocrática que validou parcialmente o decreto será levada ao Plenário, onde pode ser confirmada, modificada ou revertida. Enquanto isso, a insegurança jurídica e a instabilidade regulatória seguem como fatores que dificultam o ambiente de negócios no campo.
Fonte: Pensar Agro
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Mapa reconhece servidores e iniciativas de destaque no Prêmio Ouv+ Integridade 2026
Nesta terça-feira (9), o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) realizou a cerimônia de entrega do Prêmio Ouv+ Integridade – Edição 2026, na sede da Pasta, em Brasília. A premiação integra o conjunto de ações estratégicas do plano de integridade do Mapa e reflete o compromisso institucional com a escuta ativa, a transparência, a resolutividade e a melhoria contínua dos serviços públicos.
“Hoje estamos reconhecendo servidores e iniciativas que compreenderam que a excelência no serviço público não é um conceito abstrato; ela se materializa no atendimento prestado, na qualidade da informação disponibilizada, na agilidade das respostas, na capacidade de resolver problemas e na busca permanente por inovação e melhoria dos serviços”, destacou a chefe de gabinete, Adriana Toledo, que representou o ministro André de Paula na cerimônia.
Adriana também enfatizou a missão do Mapa e seu impacto direto na vida dos brasileiros, por meio de agendas relacionadas à produção agropecuária, à segurança alimentar, à defesa agropecuária e à abertura de mercados. Segundo ela, há igualmente o compromisso de oferecer serviços públicos de qualidade aos cidadãos.
O prêmio foi instituído pela Portaria nº 781, de 13 de março de 2025, com o objetivo de reconhecer e valorizar agentes públicos e unidades que se destacaram na promoção da excelência no atendimento aos usuários, no tratamento de manifestações registradas na plataforma Fala.BR, da Controladoria-Geral da União (CGU), na melhoria dos serviços públicos e na gestão da Carta de Serviços ao Usuário.
Durante a cerimônia, a ouvidora do Mapa, Graças Salles, apresentou dados extraídos de relatórios do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), que apontam indicadores positivos da Ouvidoria em 2025. No período, foram respondidas 7.426 manifestações, com tempo médio de resposta de nove dias e índice de resolutividade de 98,27%.
“É importante destacar que a Ouvidoria do Mapa conseguiu manter um padrão de atendimento superior em relação aos prazos, com agilidade, eficiência e resolutividade. Mais do que um canal de atendimento, a Ouvidoria é um instrumento de escuta institucional e um observatório permanente da experiência do cidadão. Além disso, atua como mecanismo de monitoramento da qualidade dos serviços públicos prestados e como importante fonte de inteligência para subsidiar a tomada de decisões pela alta administração”, comemorou Salles.
Também participaram da cerimônia o secretário-executivo adjunto do Mapa, Fábio Rodrigues; a ouvidora-geral da União, Valdirene Medeiros; e o coordenador-geral de Relacionamento e Parcerias da Secretaria de Governo Digital do MGI, Walid Ghazale.
PREMIADOS E HOMENAGEADOS
A criação do prêmio é uma homenagem ao comprometimento e à dedicação dos servidores que contribuem para o aperfeiçoamento contínuo dos serviços públicos, promovendo uma cultura de escuta ativa, transparência e integridade institucional.
A premiação é dividida em quatro categorias: Atuação dos Agentes Públicos; Agilidade e Eficiência no Atendimento; Destaques da Carta de Serviço; e Melhoria dos Serviços Públicos.
Na categoria Atuação dos Agentes Públicos, que reúne elogios registrados pelos próprios cidadãos na plataforma Fala.BR, 11 servidores foram reconhecidos pelo atendimento prestado e pela qualidade dos serviços oferecidos à sociedade.
Na categoria Agilidade e Eficiência no Atendimento, foram reconhecidos o Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (Dipov), o Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa), ambos da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Os agraciados na categoria Destaques da Carta de Serviços foram os serviços: “Obter certificado para exportação de bebidas, fermentados acéticos, vinhos e derivados da uva e do vinho”; “Obter certificado de registro de produto inoculante, biofertilizante e remineralizador”; e “Obter registro de produtos de origem animal”.
Por fim, na categoria Melhoria dos Serviços Públicos, foram reconhecidas e premiadas as seguintes iniciativas: “Programa e-Monitora – Monitoramento e Combate ao Comércio Eletrônico de Produtos Agropecuários Irregulares”, da Coordenação-Geral de Operações Especializadas; “Inovação no atendimento ao usuário do Sisa-São Paulo – Proposta de transformação digital”, do Serviço de Fiscalização de Insumos e Saúde Animal da SFA/SP; e “As caravanas de educação como método de atuação do Programa Nacional de Educação Sanitária em Defesa Agropecuária”, da Coordenação-Geral do Suasa.
Informações à imprensa
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