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Dólar abre em queda com foco na inflação brasileira e tensões comerciais entre EUA e China
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Abertura dos mercados com atenção voltada à inflação
O dólar iniciou o pregão desta sexta-feira (25) com os mercados atentos à divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia oficial da inflação no Brasil. A expectativa dos analistas era de uma alta de 0,39% no índice referente ao mês de abril, dado que pode influenciar as decisões de política monetária no país.
Tensão internacional: tarifas entre EUA e China seguem no radar
Além dos dados domésticos, investidores continuam monitorando os desdobramentos do tarifaço promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A escalada da guerra comercial com a China segue sendo um dos principais fatores de instabilidade nos mercados internacionais.
Nos últimos dias, sinais emitidos pelo governo chinês sobre uma possível flexibilização de tarifas sobre produtos norte-americanos contribuíram para um clima de maior otimismo entre os agentes financeiros.
Desempenho do dólar
Na quinta-feira (24), o dólar registrou queda de 0,47%, encerrando o dia cotado a R$ 5,6916. Com isso, acumulou recuos de:
- 1,94% na semana
- 0,25% no mês
- 7,90% no ano
Ibovespa atinge maior nível desde setembro de 2024
O principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, encerrou o último pregão com alta de 1,79%, alcançando os 134.580 pontos — o maior patamar desde setembro do ano passado. O índice acumulou:
- 3,80% de alta na semana
- 3,32% de valorização no mês
- 11,89% de ganho em 2025
A bolsa brasileira opera a partir das 10h.
Impasse comercial mantém os mercados em alerta
Apesar de certo otimismo, as negociações entre EUA e China ainda estão envoltas em incertezas. Em declarações conflitantes, Trump afirmou que os líderes dos dois países haviam retomado o diálogo, enquanto autoridades chinesas negaram qualquer negociação em curso. Posteriormente, o presidente norte-americano reiterou que as conversas estavam abertas.
Atualmente, as tarifas impostas pelos EUA sobre produtos chineses chegam a 245%, enquanto a China responde com taxas de até 125% sobre mercadorias americanas, dificultando significativamente o comércio bilateral.
Possíveis sinais de alívio nas tensões
Segundo fontes consultadas pela agência Reuters, a Casa Branca estuda reduzir tarifas sobre produtos chineses enquanto as negociações avançam. Embora nenhuma decisão definitiva tenha sido tomada, o gesto é visto como um indicativo de possível aproximação.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, também se manifestou de forma positiva, sugerindo a possibilidade de um “grande acordo” entre as duas potências.
Avaliações do Federal Reserve influenciam o mercado
As expectativas sobre a condução da política monetária americana também ganharam destaque. O diretor do Federal Reserve, Christopher Waller, alertou que a guerra tarifária pode elevar rapidamente o desemprego nos EUA e criar espaço para cortes de juros.
Por sua vez, Beth Hammack, presidente do Fed de Cleveland, pediu cautela diante do cenário de incerteza, mas não descartou alterações na taxa de juros até junho, caso os dados econômicos justifiquem.
Impactos já perceptíveis na economia americana
Os efeitos do tarifaço começam a ser refletidos nos indicadores econômicos dos EUA. O Índice de Gerentes de Compras (PMI) divulgado pela S&P Global mostrou que a atividade empresarial do país recuou para o menor nível em 16 meses, enquanto os preços de bens e serviços continuaram a subir — cenário que eleva os temores de uma estagflação.
O Livro Bege, relatório do Federal Reserve, também apontou os primeiros impactos das políticas comerciais, com empresas relatando aumento de preços, redução de investimentos e início de demissões em meio à instabilidade.
Com informações das agências de notícias AFP e Reuters.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Agro ajuda Brasil a fechar agosto com superávit de R$ 37,7 bilhões
O Brasil encerrou agosto com superávit comercial de R$ 37,7 bilhões, crescimento de 23,8% em relação ao mesmo mês de 2025. O resultado foi sustentado pelo aumento das exportações de soja, café, animais vivos, carne de frango e farelo de soja, além do avanço das vendas da indústria extrativa e de outros segmentos da indústria de transformação.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações brasileiras somaram R$ 169,1 bilhões em agosto, alta de 12,2% na comparação anual. As importações cresceram 9,2% e alcançaram R$ 131,4 bilhões.
A corrente de comércio, que corresponde à soma das exportações e importações, movimentou R$ 300,5 bilhões no mês, aumento de 10,9% em relação a agosto do ano passado.
A agropecuária respondeu diretamente por R$ 37,7 bilhões em exportações durante agosto, crescimento de 11,4%. Esse valor considera os produtos classificados pelo governo como pertencentes à atividade agropecuária e não inclui carnes, farelo de soja, açúcar, sucos e outros itens processados contabilizados dentro da indústria de transformação.
Entre os produtos do campo, o valor das exportações de animais vivos avançou 174,3%. As vendas externas de café não torrado cresceram 24,1%, enquanto a soja, principal item da pauta agropecuária brasileira, registrou aumento de 14%.
A contribuição do agronegócio também apareceu entre os produtos industrializados. As exportações de carne de aves e miudezas aumentaram 40,5%, enquanto as vendas de farelo de soja e de outros produtos destinados à alimentação animal cresceram 36,6%.
O desempenho positivo compensou a retração observada em outras cadeias importantes. As exportações de milho não moído caíram 25,3% em agosto. Também houve redução de 34,7% no mel natural e de 35,7% nas vendas de sementes oleaginosas, grupo que inclui produtos como girassol, gergelim, canola e algodão.
Na indústria de transformação, o valor das exportações de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada recuou 19,7% em agosto. Açúcares e melaços tiveram queda de 37%. A redução mensal da carne bovina ocorreu depois de um período de embarques elevados e não anulou o crescimento acumulado pelo setor ao longo do ano.
Entre janeiro e agosto, o Brasil exportou R$ 1,28 trilhão, aumento de 10,3% na comparação com os primeiros oito meses de 2025. As importações somaram R$ 997,3 bilhões, com crescimento de 6,1%.
Com isso, o superávit comercial acumulado em 2026 chegou a R$ 282,1 bilhões, avanço de 28,2%. A corrente de comércio alcançou R$ 2,28 trilhões no período, alta de 8,4%.
As exportações classificadas como agropecuárias totalizaram R$ 295 bilhões entre janeiro e agosto, crescimento de 9,5%. O resultado foi favorecido pelo aumento de 81,9% nas vendas de animais vivos, de 15,2% nos embarques de soja e de 15,1% nas exportações de algodão em bruto.
A indústria extrativa exportou R$ 316,9 bilhões nos oito primeiros meses, alta de 19,6%. A indústria de transformação respondeu por R$ 660 bilhões, crescimento de 6,6%.
Apesar da queda isolada de agosto, a carne bovina acumulou aumento de 22,3% nas exportações de janeiro a agosto. O desempenho mostra que o recuo mensal ocorreu sobre uma base de vendas externas ainda elevada no conjunto do ano.
Outros produtos do agronegócio apresentaram resultado menos favorável. As exportações acumuladas de trigo e centeio diminuíram 31,3%, enquanto as de milho recuaram 3,6%. O café não torrado acumulou queda de 13,7%, apesar da recuperação registrada em agosto.
Também houve redução de 35,8% nas vendas externas de sucos de frutas e vegetais e de 28,2% nos embarques de açúcares e melaços durante os oito primeiros meses.
Do lado das compras brasileiras, as importações da agropecuária chegaram a R$ 2,4 bilhões em agosto, crescimento de 7,4%. O aumento foi influenciado por pescado, trigo, centeio e produtos hortícolas.
O valor das importações de pescado avançou 64,8%, enquanto as compras de trigo e centeio cresceram 10,5%. Os produtos hortícolas frescos ou refrigerados registraram alta de 54%. Em sentido contrário, as importações de soja diminuíram 22,2%, e as de frutas e nozes não oleaginosas recuaram 9,3%.
A indústria de transformação concentrou a maior parcela das compras externas, com R$ 123 bilhões em agosto, crescimento de 13,4%. No acumulado do ano, as importações do segmento chegaram a aproximadamente R$ 930 bilhões.
Entre os insumos estratégicos para a produção rural, o valor importado de adubos e fertilizantes químicos caiu 35,9% em agosto. As compras de fertilizantes brutos apresentaram redução de 15,6%.
A queda não significa necessariamente redução equivalente no volume desembarcado, porque os dados também refletem mudanças nos preços internacionais. O movimento pode estar relacionado ainda à antecipação de compras, à formação de estoques, à volatilidade do mercado e ao ritmo de aquisição para a safra 2026/2027.
Os números de agosto reforçam o papel do agronegócio na geração de receitas externas e na sustentação do saldo comercial brasileiro. Ao mesmo tempo, a diferença de desempenho entre as cadeias mostra que o resultado depende tanto da produção nacional quanto dos preços internacionais, do câmbio e das condições de acesso aos principais mercados compradores.
Fonte: Pensar Agro



