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Dólar inicia pregão sob impacto do ‘tarifaço’ de Trump

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O dólar abriu o pregão desta sexta-feira (4) ainda sob reflexo do “tarifaço global” anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao longo da semana. A imposição de tarifas recíprocas sobre produtos importados pelos EUA gerou forte reação nos mercados internacionais e ampliou a volatilidade cambial.

Na véspera, a moeda norte-americana recuou 1,23%, atingindo R$ 5,62, seu menor valor do ano e o mais baixo desde 14 de outubro, quando fechou a R$ 5,58. O movimento acompanhou a desvalorização global do dólar, refletida na queda de 1,5% do índice DXY, que mede o desempenho da moeda frente às principais divisas mundiais.

As novas tarifas estabelecidas pelos EUA visam sobretaxar produtos de países que impõem barreiras aos itens americanos. O Brasil foi um dos menos impactados, com alíquotas de 10%, enquanto regiões como Ásia, Oriente Médio e União Europeia sofreram taxas superiores a 20%, chegando a 40% em alguns casos.

Desempenho do mercado

A desvalorização do dólar influenciou os mercados financeiros globais. As principais bolsas registraram quedas expressivas, diante do temor de que o aumento nos custos de importação pressione a inflação e reduza os lucros das empresas.

Nos Estados Unidos, o impacto foi severo: o índice Dow Jones caiu 3,98%, o S&P 500 recuou 4,85% e o Nasdaq teve uma desvalorização de 5,99%. Na Europa, as quedas ficaram na casa dos 3%, refletindo a incerteza gerada pelas novas medidas. Na Ásia, o índice Nikkei, do Japão, sofreu um recuo de quase 3%.

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Na contramão do cenário internacional, o Ibovespa registrou uma leve alta de 0,04% na quinta-feira, encerrando o dia aos 131.141 pontos. Com isso, o principal índice da B3 acumulou uma queda semanal de 0,58%, mas segue positivo no mês (+0,67%) e no ano (+9,03%).

O impacto das tarifas

A imposição de tarifas de importação era uma das principais promessas de campanha de Trump. Desde sua posse, ele implementou medidas contra parceiros comerciais como México, Canadá e China, e agora amplia a estratégia para outros mercados.

Especialistas alertam que o aumento dos custos pode reduzir o consumo nos EUA e provocar uma desaceleração econômica, com potencial de impacto global. As medidas também geram preocupação sobre uma possível guerra comercial, afetando a confiança dos investidores e pressionando os ativos de risco.

Reação internacional

O anúncio das tarifas recíprocas gerou reações duras de líderes mundiais. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou a medida como “um duro golpe à economia global” e disse que a União Europeia está “preparada para responder”.

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Na Alemanha, o chanceler Olaf Scholz considerou as decisões “fundamentalmente erradas”, enquanto o presidente francês Emmanuel Macron pediu a suspensão de investimentos europeus nos EUA. No Reino Unido, o primeiro-ministro Keir Starmer alertou que as tarifas trarão impacto econômico significativo.

O Japão também demonstrou insatisfação. O ministro do Comércio, Yoji Muto, lamentou as tarifas unilaterais e pediu que Washington reconsidere sua aplicação ao país. A China, por sua vez, exigiu a “revogação imediata” das novas tarifas e prometeu adotar contramedidas.

No Brasil, o Senado aprovou um projeto que autoriza o governo a retaliar barreiras comerciais impostas por outros países aos produtos brasileiros.

Perspectivas

A escalada protecionista pode impactar a inflação global, dificultando a recuperação econômica em diversos países. Nos EUA, analistas alertam que o aumento dos preços pode reduzir o poder de compra dos consumidores, elevando o risco de recessão.

Com o mercado atento aos desdobramentos, o comportamento do dólar e das bolsas continuará sendo influenciado pela resposta internacional e por possíveis novas medidas da administração Trump.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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