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Dólar recua com foco nos cenários fiscais do Brasil e dos EUA; Ibovespa atinge recorde histórico

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Nesta quarta-feira (21), o dólar opera em baixa, cotado a R$ 5,65, em um dia de agenda econômica esvaziada. O mercado segue cauteloso, com atenção voltada para a situação fiscal tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.

Na véspera, a moeda norte-americana subiu 0,26%, encerrando o pregão a R$ 5,6692. Apesar da alta do dólar, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou pela primeira vez acima dos 140 mil pontos, marcando um novo recorde.

Ibovespa bate novo recorde com apoio de investidores estrangeiros

O desempenho da bolsa brasileira destoou do cenário internacional. O otimismo dos investidores foi impulsionado pela melhora na recomendação de ações brasileiras feita pelo banco Morgan Stanley, que classificou o mercado local como “barato”, incentivando a entrada de capital estrangeiro.

Rebaixamento da nota de crédito dos EUA gera incertezas

O mercado ainda repercute o rebaixamento da nota de crédito dos Estados Unidos pela agência Moody’s, que reduziu a classificação de “AAA” para “AA1”, mudando a perspectiva de “negativa” para “estável”.

Segundo a agência, o aumento da dívida pública dos EUA — que já soma US$ 36 trilhões — elevou a preocupação dos investidores com a sustentabilidade das contas públicas. O temor aumentou com a proposta de cortes de impostos promovida por Donald Trump, que pode adicionar de US$ 3 trilhões a US$ 5 trilhões à dívida nos próximos dez anos.

Fed aponta risco de alta nos preços e desaceleração econômica

O presidente da distrital do Federal Reserve em St. Louis, Alberto Musalem, alertou nesta terça-feira (20) que as incertezas políticas ligadas a Trump podem pressionar os preços e afetar a economia. Ele destacou que uma resposta equilibrada da política monetária ainda é possível, desde que as expectativas de inflação se mantenham bem ancoradas.

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Desempenho do dólar e do Ibovespa

Às 9h25 desta quarta-feira (21), o dólar recuava 0,23%, cotado a R$ 5,6564.

Na semana, a moeda acumulava leve alta de 0,01%; no mês, queda de 0,14%; no ano, recuo de 8,26%.

O Ibovespa, que inicia os negócios após as 10h, fechou a terça-feira (20) em alta de 0,34%, aos 140.110 pontos, com os seguintes acumulados:

  • +0,32% na semana
  • +3,38% no mês
  • +16,09% no ano
China corta juros para estimular economia e reduz impacto da guerra comercial

A China anunciou nesta semana o corte das taxas de juros de referência para empréstimos pela primeira vez desde outubro, com o objetivo de incentivar a economia diante dos impactos da guerra comercial com os EUA.

A taxa primária de empréstimos (LPR) de um ano caiu para 3%, enquanto a de cinco anos foi reduzida para 3,5% — os menores níveis desde a reformulação do mecanismo em 2019. As reduções impactam diretamente novos empréstimos e financiamentos imobiliários no país.

Como reflexo, os mercados asiáticos tiveram desempenho positivo:

  • Índice de Xangai: alta de 0,38%
  • Índice CSI300: alta de 0,54%
Possíveis novos acordos comerciais aliviam tensões tarifárias

O mercado também acompanha possíveis avanços em negociações comerciais dos EUA com seus parceiros. A expectativa é que novos acordos possam aliviar os efeitos do tarifaço proposto por Trump, que, se implementado, pode elevar os preços, pressionar a inflação e frear o consumo.

Na segunda-feira, a China cobrou dos EUA posturas mais responsáveis para preservar a estabilidade econômica global. Em resposta, o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, indicou que Trump poderá manter tarifas elevadas para países que não negociarem de forma considerada “justa”.

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Reportagem do Financial Times revelou que os EUA iniciaram tratativas com a União Europeia, quebrando um impasse de longa data. Recentemente, o governo norte-americano também firmou acordo com o Reino Unido e mantém conversas com Índia, Japão e Coreia do Sul.

Expectativa no Brasil gira em torno do novo relatório fiscal

No cenário doméstico, os investidores aguardam a divulgação, nesta quinta-feira (22), do relatório bimestral de receitas e despesas do governo. A expectativa é que a equipe econômica promova cortes significativos de gastos já neste documento, sinalizando compromisso com o cumprimento da meta fiscal para 2025.

Na última segunda-feira (19), uma declaração do diretor de Política Monetária do Banco Central, Gabriel Galípolo, animou o mercado. Ele defendeu a manutenção dos juros em níveis elevados por mais tempo, reforçando o esforço da autoridade monetária para controlar a inflação.

O BC tem reafirmado que uma desaceleração da economia é necessária para alinhar a inflação à meta. Juros altos inibem o consumo e reduzem a demanda, contribuindo para conter a alta de preços. Por outro lado, o aumento de gastos do governo pode dificultar esse processo, segundo analistas.

Resumo:

  • Dólar cai com foco nas incertezas fiscais no Brasil e nos EUA.
  • Ibovespa atinge recorde histórico com entrada de capital estrangeiro.
  • Moody’s rebaixa nota dos EUA e acende alerta sobre sustentabilidade da dívida americana.
  • China reduz juros para estimular economia e ações sobem.
  • Mercado observa negociações comerciais dos EUA e seus possíveis impactos globais.
  • Brasil aguarda medidas do governo para conter gastos e reforçar o controle fiscal.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Atacado e exportação estabelecem ritmo recorde em agosto

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Os preços da carne de frango voltaram a subir no mercado interno, enquanto as exportações brasileiras iniciaram agosto no maior ritmo diário já registrado. A combinação de estoques ajustados, recuperação do consumo doméstico e forte procura internacional dá sustentação às cotações neste começo de mês.

Na quinta-feira (13.08), o frango congelado foi negociado no atacado da Grande São Paulo a R$ 7,20 o quilo, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O valor acumula alta de 0,84% desde o início de agosto.

A reação ocorre depois de um período de pressão sobre os preços no fim de julho e nos primeiros dias deste mês. O recebimento de salários aumentou o poder de compra das famílias, enquanto a volta às aulas impulsionou a procura por uma proteína amplamente utilizada no consumo doméstico, em restaurantes e na alimentação escolar.

Os estoques também estão relativamente ajustados à demanda. Esse equilíbrio reduz a necessidade de concessão de descontos por atacadistas e frigoríficos e ajuda a conter a pressão provocada pela maior oferta nacional de carne de frango.

A melhora no atacado, entretanto, não significa necessariamente uma recuperação imediata e na mesma proporção para todos os elos da cadeia. O efeito sobre a remuneração dos avicultores depende dos contratos de integração, dos custos de produção e do comportamento dos preços do milho e do farelo de soja, principais componentes da alimentação das aves.

No mercado externo, os números indicam uma procura ainda mais forte. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), analisados pelo Cepea, mostram que o Brasil embarcou, em média, 30 mil toneladas de carne de frango in natura por dia nos cinco primeiros dias úteis de agosto.

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É a maior média diária para o período desde o início da série histórica, em 1997. Considerada a parcial, aproximadamente 150 mil toneladas foram exportadas nos cinco primeiros dias úteis do mês.

O resultado deve ser interpretado com cautela, porque ainda não permite projetar o volume total de agosto. O ritmo dos embarques pode variar ao longo do mês devido à programação dos portos, à disponibilidade de navios, aos contratos dos frigoríficos e ao calendário dos países compradores.

A arrancada de agosto, porém, dá sequência a um julho de forte desempenho. No mês passado, o Brasil exportou 519,2 mil toneladas de carne de frango, considerando produtos in natura e processados, crescimento de 29,9% em relação a julho de 2025. A receita ficou próxima de R$ 5,2 bilhões, alta de 34,3% na comparação anual, medida originalmente em dólares.

O avanço elevado também reflete a base mais fraca de 2025, quando restrições sanitárias temporárias adotadas após a confirmação de influenza aviária em uma granja comercial afetaram as vendas brasileiras. O foco foi eliminado e o Brasil recuperou gradualmente o acesso aos mercados que haviam suspendido as compras.

No primeiro semestre de 2026, os embarques chegaram a 2,936 milhões de toneladas, alta de 12,9% sobre igual período do ano anterior e recorde para os seis primeiros meses do ano.

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O desempenho reforça a posição do Brasil como maior exportador mundial de carne de frango. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) estima que o país poderá produzir entre 16 milhões e 16,15 milhões de toneladas em 2026, crescimento de até 5,6% sobre as 15,289 milhões de toneladas de 2025.

As exportações podem alcançar 5,875 milhões de toneladas neste ano, avanço de até 10,3%. Mesmo com o crescimento dos embarques, a disponibilidade para o mercado interno está estimada em aproximadamente 10,275 milhões de toneladas, 3,1% acima do volume registrado no ano passado.

A presença simultânea de demanda doméstica mais aquecida e exportações em ritmo elevado tende a reduzir a pressão de oferta sobre o atacado. A continuidade da recuperação, contudo, dependerá do consumo após o período de pagamento de salários e da manutenção das encomendas internacionais.

Para produtores e agroindústrias, o cenário é favorável, mas exige atenção aos custos. A valorização da carne melhora a capacidade de absorver despesas, enquanto uma eventual alta do milho ou do farelo de soja pode limitar as margens. Nas próximas semanas, o mercado acompanhará se o recorde diário dos embarques será mantido e se a reação observada no atacado chegará aos demais elos da cadeia.

Fonte: Pensar Agro

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