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Dólar sobe com mercado atento a dados econômicos e incertezas fiscais
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Dólar inicia a semana em alta
Na manhã desta segunda-feira (30), o dólar registrava alta de 0,25%, cotado a R$ 5,4969 por volta das 9h30. O movimento ocorre na última sessão de junho, com os mercados atentos à divulgação de dados econômicos no Brasil e no exterior.
Na sexta-feira anterior, a moeda norte-americana havia recuado 0,27%, encerrando cotada a R$ 5,4834. Já o Ibovespa fechou com queda de 0,18%, aos 136.866 pontos. As negociações no principal índice da bolsa brasileira começam às 10h.
Semana marcada por agenda econômica intensa
- No Brasil:
- Boletim Focus: Divulgado nesta manhã, o relatório apontou redução nas projeções de inflação pela quinta semana consecutiva, refletindo maior otimismo do mercado.
- Caged: Ainda nesta segunda-feira, será divulgado o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, que deve oferecer sinais mais claros sobre a atividade econômica e possíveis decisões do Banco Central quanto aos juros.
- Nos Estados Unidos:
- Inflação e consumo: O índice PCE, principal medida de inflação do Fed, subiu 0,1% em maio — mesmo ritmo de abril. Em 12 meses, a inflação acumulada foi de 2,3%.
- Gastos do consumidor: Caíram 0,1% em maio, indicando menor demanda por bens antes de novas tarifas. O dado reforçou a expectativa de corte de juros pelo Fed.
- Orçamento e juros: O Senado norte-americano vota nesta segunda o projeto “One Big Beautiful Bill”, que ainda precisa passar pela Câmara e ser sancionado pelo presidente. Também seguem no radar falas de dirigentes do Fed, como Jerome Powell, que volta a se manifestar sobre política monetária e impactos do tarifaço.
- Na Europa:
- Banco Central Europeu: O BCE anunciou que ajustará sua estratégia de juros após surpresas inflacionárias recentes. O novo plano ocorre após anos de oscilação entre deflação e alta de preços provocada por conflitos como a guerra na Ucrânia e tensões comerciais.
- Inflação da zona do euro: O CPI europeu deve ser divulgado nos próximos dias e será acompanhado de perto pelos mercados.
IOF: mercado observa impactos da decisão do Congresso
Na semana passada, o Congresso Nacional derrubou o decreto presidencial que aumentava a alíquota do IOF em determinadas operações de crédito. A medida, segundo o Ministério da Fazenda, pode reduzir em R$ 10 bilhões a arrecadação em 2024, pressionando o Orçamento do próximo ano.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acionou a Advocacia-Geral da União (AGU) para avaliar se a decisão da Câmara fere a autonomia dos poderes. Caso haja entendimento de usurpação de competência, o governo poderá judicializar a questão.
Haddad defendeu o decreto, negando que o objetivo fosse arrecadatório, e alertou para a necessidade de cumprir metas fiscais diante da nova realidade orçamentária.
Guerra comercial volta ao centro das atenções
Com a trégua no Oriente Médio, o mercado volta a focar nas tensões comerciais. A suspensão de 90 dias do tarifaço proposto por Donald Trump está próxima do fim, e a falta de acordos preocupa investidores.
Nesta segunda-feira, o Canadá anunciou a retirada de seu imposto sobre serviços digitais direcionado a empresas americanas, em tentativa de retomar negociações comerciais com os EUA.
Enquanto isso, o presidente do Fed, Jerome Powell, reforçou em audiência no Congresso que avaliará os efeitos do tarifaço sobre a inflação antes de qualquer decisão sobre os juros. A postura cautelosa do Fed tem sido alvo de críticas do ex-presidente Trump, que chegou a chamar Powell de “burro” e “teimoso” em postagens nas redes sociais.
Desempenho acumulado
- Dólar:
- Semana: -0,75%
- Mês: -4,10%
- Ano: -11,27%
- Ibovespa:
- Semana: +0,18%
- Mês: -0,12%
- Ano: +13,79%
O mercado financeiro inicia a semana com atenção redobrada a uma série de indicadores econômicos, enquanto acompanha os desdobramentos fiscais internos e as tensões comerciais externas. A movimentação do dólar reflete a sensibilidade dos investidores diante de um cenário repleto de incertezas.
Com informações da agência de notícias Reuters.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia
A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.
O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.
Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.
O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.
Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.
A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.
A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.
Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.
Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.
A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.
Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.
No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.
Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.
A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.
O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.
A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.
O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.
Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.
Fonte: Pensar Agro


