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Dólar sobe com tensão geopolítica entre EUA e Irã e mercados globais voltam ao modo de aversão ao risco

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Dólar abre em alta no Brasil com cenário externo pressionado

O dólar iniciou esta segunda-feira em alta frente ao real, refletindo o aumento das tensões geopolíticas após o fracasso nas negociações entre Estados Unidos e Irã. A moeda norte-americana também avançou frente a outras divisas de países emergentes.

Nas primeiras horas do dia, o dólar à vista chegou a subir cerca de 0,5%, sendo negociado na faixa de R$ 5,03. Já o contrato futuro com vencimento mais líquido na B3 também operava em alta, acompanhando o movimento internacional.

Apesar da valorização no início da sessão, o câmbio ainda acumula queda relevante nos últimos períodos:

  • Semana anterior: -2,87%
  • Mês: -3,23%
  • Ano: -8,70%
Tensão entre EUA e Irã eleva aversão ao risco global

O movimento de alta do dólar ocorre após o fracasso das negociações realizadas no fim de semana entre representantes dos Estados Unidos e do Irã, sem avanço em um possível acordo.

A situação se agravou após declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, que ameaçou medidas mais duras contra o Irã, incluindo ações no Estreito de Ormuz — região estratégica para o transporte global de petróleo.

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Em resposta, o governo iraniano sinalizou possibilidade de retaliação, aumentando o temor de escalada no conflito.

Petróleo dispara e pressiona mercados internacionais

Com o aumento das tensões no Oriente Médio, o mercado global reagiu rapidamente:

  • O preço do petróleo voltou a superar US$ 100 por barril
  • Bolsas internacionais operam em queda
  • Investidores migram para ativos considerados mais seguros

Esse cenário reforça a valorização do dólar globalmente, impactando diretamente moedas de países emergentes e exportadores de commodities, como o Brasil.

Banco Central atua no câmbio com leilão de swaps

Diante da volatilidade, o Banco Central do Brasil anunciou leilão de 50 mil contratos de swap cambial tradicional, com o objetivo de rolar vencimentos previstos para maio.

A atuação busca garantir liquidez ao mercado e reduzir movimentos mais bruscos no câmbio.

Ibovespa abre sessão após forte sequência de ganhos

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, iniciou o pregão após uma semana de forte valorização. Na sexta-feira anterior, o índice fechou em alta superior a 1%, consolidando um desempenho positivo no curto prazo.

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Os dados acumulados mostram:

  • Semana anterior: +4,93%
  • Mês: +5,26%
  • Ano: +22,47%

Mesmo com o cenário externo mais adverso, o desempenho recente da bolsa brasileira reflete o fluxo de capital estrangeiro e o ambiente doméstico mais favorável nas últimas semanas.

Cenário atual: mercado atento à geopolítica e ao dólar

O ambiente desta segunda-feira é marcado pela volta da aversão ao risco nos mercados globais. A combinação de tensão geopolítica, alta do petróleo e fortalecimento do dólar deve seguir influenciando os ativos ao longo do dia.

No Brasil, o comportamento do câmbio e da bolsa dependerá da evolução do cenário internacional, das ações do Banco Central e da reação dos investidores diante do aumento das incertezas externas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Safra recorde já não basta para garantir rentabilidade ao produtor

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A perspectiva de uma nova safra recorde encontra o produtor brasileiro diante de um desafio que cresce na mesma proporção da produção: financiar uma atividade mais tecnológica, mecanizada e intensiva em capital, num ambiente de juros elevados, margens menores e bancos mais seletivos. O avanço do crédito privado amplia as alternativas disponíveis, mas também exige profissionalização da gestão e uma análise mais rigorosa sobre o retorno proporcionado pelo patrimônio investido.

Dados do Banco Central (BC), compilados por entidades do setor, mostram que 23,5% da carteira ativa de crédito rural apresentava algum nível de problema em julho de 2026. Eram R$ 207,5 bilhões em operações inadimplentes, atrasadas, renegociadas ou prorrogadas. O indicador não representa apenas parcelas vencidas, mas revela o aumento do estresse financeiro acumulado depois de safras afetadas pelo clima, custos elevados e preços menos favoráveis.

Ao mesmo tempo, o financiamento bancário tradicional perdeu força. Em 12 meses, o volume de crédito rural concedido sem considerar instrumentos do mercado de capitais recuou 12%, para R$ 181,1 bilhões. A área atendida pelas linhas convencionais de custeio caiu quase 26%, de 34,2 milhões para 25,4 milhões de hectares.

Esse espaço vem sendo ocupado gradualmente por cooperativas, tradings, fornecedores de insumos, fundos de investimento e emissões no mercado de capitais. O estoque dos instrumentos privados de financiamento do agronegócio alcançou R$ 1,34 trilhão em julho, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Somente as Cédulas de Produto Rural (CPRs) somavam R$ 580,8 bilhões, distribuídos em aproximadamente 372 mil títulos.

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), a diversificação das fontes de recursos é necessária, mas não pode ser confundida com crédito fácil ou capacidade ilimitada de endividamento.

“O crédito privado será cada vez mais importante para complementar o Plano Safra e o financiamento bancário. O produtor, porém, precisa avaliar o custo efetivo, o prazo, as garantias exigidas e a compatibilidade das parcelas com o fluxo de caixa da propriedade. Trocar uma dívida por outra mais cara, sem corrigir a origem do desequilíbrio, apenas transfere o problema para a safra seguinte”, afirma.

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A necessidade de capital aumentou com a transformação da agropecuária brasileira. Produzir em escala passou a exigir máquinas de maior capacidade, agricultura de precisão, armazenagem, irrigação, conectividade, sistemas de gestão, insumos tecnológicos e equipes especializadas. A valorização das terras também elevou o volume de patrimônio imobilizado nas operações.

Essa evolução permitiu ganhos de produtividade e consolidou o Brasil entre os maiores fornecedores mundiais de alimentos, fibras e energia. Mas também tornou as propriedades mais sensíveis ao custo do dinheiro. Quando os juros aumentam e as margens recuam, uma atividade pode apresentar lucro contábil e, ainda assim, não remunerar adequadamente todo o capital empregado.

É nesse ponto que ganha importância o conceito de Valor Econômico Agregado, conhecido pela sigla EVA. O indicador calcula o resultado operacional do negócio depois de descontado o custo de todo o capital utilizado, inclusive recursos próprios, terras quitadas, máquinas e demais ativos.

Uma propriedade pode encerrar o ciclo com resultado positivo no balanço, mas destruir valor se o retorno obtido ficar abaixo do que aquele patrimônio poderia render em uma alternativa de menor risco. A terra própria, por exemplo, não deixa de ter custo econômico porque está quitada. Ela representa capital que poderia ser arrendado, vendido ou aplicado em outro investimento.

“O produtor sempre acompanhou produtividade, custo por hectare e preço de venda. Esses indicadores continuam fundamentais, mas já não são suficientes para medir a saúde econômica do negócio. Também é necessário saber se o resultado remunera a terra, as máquinas, o capital de giro e o risco assumido durante a safra”, diz Rezende.

A aplicação dessa análise não significa abandonar investimentos ou reduzir a produção. O objetivo é identificar quais atividades, áreas e estruturas realmente geram retorno. A avaliação pode mostrar que determinado talhão produz bem, mas possui custo elevado; que uma máquina permanece ociosa; ou que o arrendamento oferece resultado melhor do que a compra de terras financiada.

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O mesmo raciocínio vale para a contratação de crédito. Recursos obtidos a juros superiores ao retorno esperado pela atividade diminuem o valor econômico da propriedade, mesmo quando ajudam a ampliar o faturamento. Por isso, crescimento de receita, aumento de área e recorde de produção não significam necessariamente fortalecimento financeiro.

A busca por recursos privados também coloca a governança no centro das negociações. Instituições financeiras e investidores analisam demonstrações contábeis, histórico de produção, previsibilidade de caixa, endividamento, garantias, regularidade ambiental e fundiária, contratos e capacidade de gestão. Quanto maior a qualidade dessas informações, maior tende a ser a possibilidade de acessar diferentes fontes e negociar condições melhores.

“Governança deixou de ser uma preocupação exclusiva das grandes empresas. O produtor que conhece seus números, separa as contas da família e da propriedade, mantém documentos regulares e apresenta informações confiáveis reduz a percepção de risco. Isso melhora sua posição diante dos financiadores e permite comparar propostas sem decidir apenas pela disponibilidade imediata do dinheiro”, acrescenta Rezende.

O modelo de financiamento do agronegócio tende a permanecer híbrido. Crédito rural, recursos obrigatórios, cooperativas, tradings, fornecedores, fundos e mercado de capitais continuarão convivendo, cada um com custos, prazos e riscos diferentes. O desafio será combinar essas fontes sem comprometer parcelas excessivas da produção futura ou oferecer garantias incompatíveis com o valor da operação.

A safra recorde continua sendo uma demonstração da capacidade produtiva brasileira. Para que esse desempenho se transforme em renda, entretanto, o produtor precisará acompanhar não apenas quantas toneladas colhe, mas quanto valor permanece depois de remunerados todos os recursos utilizados. Em uma agricultura intensiva em capital, produzir mais é importante; produzir com retorno econômico tornou-se decisivo.

Fonte: Pensar Agro

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