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Economia da China perde fôlego com queda na demanda interna e tensões comerciais com os EUA

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O crescimento econômico da China registrou o ritmo mais lento em um ano no terceiro trimestre, refletindo a fraca demanda doméstica e o aumento da dependência do país em relação às exportações. O cenário acende um alerta sobre os desequilíbrios estruturais que ameaçam a estabilidade da segunda maior economia do mundo.

O Produto Interno Bruto (PIB) chinês avançou 4,8% entre julho e setembro, em comparação com o mesmo período de 2024. O resultado, embora dentro das expectativas e suficiente para manter a meta anual de aproximadamente 5%, evidencia uma recuperação desigual, sustentada principalmente pelo setor exportador.

Dependência das exportações em meio a tensões com os EUA

O aumento da dependência das exportações ocorre em um momento de crescentes tensões comerciais com Washington, levantando dúvidas sobre a capacidade da China de manter o atual ritmo de crescimento.

Autoridades chinesas podem utilizar o desempenho econômico como demonstração de força nas reuniões entre o vice-premiê He Lifeng e o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, previstas para ocorrer na Malásia. Há ainda a expectativa de um possível encontro entre Donald Trump e Xi Jinping na Coreia do Sul, em meio à tentativa de reduzir atritos comerciais.

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Exportadores enfrentam queda nos pedidos e competição acirrada

A desaceleração global e as barreiras comerciais têm afetado diretamente os exportadores chineses. Jeremy Fang, diretor de vendas de uma fabricante de produtos de alumínio, relatou uma queda de 80% a 90% nos pedidos vindos dos Estados Unidos, que não foi totalmente compensada pelo aumento nas vendas para América Latina, África, Sudeste Asiático, Turquia e Oriente Médio.

“É preciso ser implacavelmente competitivo em termos de preço”, disse Fang. “Se o cliente pede desconto, é melhor ceder e fechar o negócio. Não dá para hesitar.”

A competição intensa tem levado muitas empresas a reduzir salários e cortar empregos para se manterem no mercado.

Dados industriais mostram contraste com consumo interno fraco

Embora a produção industrial tenha crescido 6,5% em setembro, o melhor resultado em três meses, o consumo interno segue enfraquecido. As vendas no varejo avançaram apenas 3%, o menor crescimento em dez meses.

Além disso, o setor imobiliário continua sob pressão. Os preços das novas residências caíram no ritmo mais rápido em quase um ano, enquanto o investimento no setor recuou 13,9% nos primeiros nove meses de 2025, em relação ao mesmo período do ano anterior.

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Analistas alertam para riscos de longo prazo

De acordo com Julian Evans-Pritchard, analista da Capital Economics, a atual dependência das exportações não é sustentável.

“O crescimento da China está cada vez mais dependente das vendas externas, que compensam a fraqueza da demanda interna. Esse modelo é insustentável e pode levar a uma desaceleração mais forte no médio prazo, caso o governo não adote medidas para impulsionar o consumo doméstico”, afirmou.

A desaceleração reforça o desafio de Pequim em equilibrar seu modelo de crescimento e reaquecer o mercado interno diante de um cenário global de incertezas e disputas comerciais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Corrida global por terras raras leva Senado a discutir estratégia para minerais críticos

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O avanço da disputa internacional por minerais críticos e terras raras mobilizou a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que participou nesta semana de um debate no Senado sobre os caminhos para ampliar a presença do Brasil nas etapas de maior valor agregado da cadeia mineral.

A discussão ocorre em um cenário de crescente competição global por recursos considerados estratégicos para a produção de baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, inteligência artificial, sistemas de defesa e geração de energia renovável. Nos últimos anos, Estados Unidos, China e União Europeia intensificaram políticas voltadas à segurança das cadeias de suprimentos e à redução da dependência externa desses insumos.

O Brasil aparece nesse cenário como um dos países com maior potencial geológico do mundo. Além de reservas de nióbio, grafita e lítio, o país possui importantes ocorrências de terras raras, grupo de minerais utilizados em equipamentos de alta tecnologia e considerados estratégicos pelas principais economias globais.

Durante audiência pública realizada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, integrantes da FPA defenderam a construção de uma política nacional voltada não apenas à extração mineral, mas também ao processamento industrial e à agregação de valor dentro do país. A avaliação apresentada durante o debate é que o Brasil corre o risco de repetir o modelo histórico de exportação de matéria-prima caso não avance em tecnologia, industrialização e segurança jurídica.

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INTERESSE MUNDIAL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio, engenheiro agrônomo Isan Rezende, os minerais críticos e as terras raras deixaram de ser apenas uma questão mineral para se tornarem um tema de soberania econômica.

“O mundo vive uma corrida por recursos essenciais para a produção de baterias, semicondutores, inteligência artificial, sistemas de defesa e transição energética. O Brasil possui algumas das maiores reservas do planeta e precisa decidir se continuará exportando matéria-prima ou se avançará para ocupar posições mais estratégicas nessa cadeia.”

“O que preocupa é que as principais economias do mundo estão adotando políticas cada vez mais agressivas para garantir acesso a esses minerais. Os Estados Unidos ampliam sua pressão por acordos de fornecimento, a China mantém forte controle sobre etapas de processamento e diversos países passaram a restringir exportações para proteger suas próprias indústrias. O Brasil não pode assistir a esse movimento apenas como fornecedor de recursos naturais. É necessário construir uma política nacional que estimule pesquisa, industrialização, inovação e geração de valor dentro do país.”

“A discussão conduzida pela Frente Parlamentar da Agropecuária vai além da mineração. Estamos falando de desenvolvimento regional, atração de investimentos, geração de empregos qualificados e fortalecimento da competitividade brasileira. O país reúne reservas minerais, conhecimento técnico e capacidade produtiva para se tornar um protagonista global nesse mercado. Mas isso exige segurança jurídica, previsibilidade regulatória e uma estratégia de longo prazo que transforme riqueza geológica em riqueza econômica para os brasileiros.”

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Os Estados Unidos ampliaram programas de incentivo à produção doméstica e à diversificação de fornecedores, enquanto a China mantém posição dominante em etapas estratégicas do processamento de terras raras. Outros países produtores também passaram a restringir exportações de matérias-primas para estimular investimentos industriais locais.

No Senado, a discussão abordou ainda o Projeto de Lei 4.443/2025, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta busca estabelecer diretrizes para pesquisa, exploração, industrialização e atração de investimentos para o setor.

Entre os pontos destacados pelos participantes estão a necessidade de ampliar o conhecimento geológico do território brasileiro, fortalecer a pesquisa científica, estimular o desenvolvimento tecnológico e criar um ambiente regulatório capaz de atrair investimentos de longo prazo.

Para a FPA, o debate ultrapassa a questão mineral e passa a integrar uma agenda estratégica relacionada à competitividade da economia brasileira, à segurança das cadeias produtivas e ao posicionamento do país em um mercado que deve ganhar relevância crescente nas próximas décadas.

Fonte: Pensar Agro

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