AGRONEGOCIOS
Em Rondônia, o PRS Amazônia realiza seminário para fomentar a sustentabilidade das cadeias produtivas do café e de peixes redondos
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O Projeto Rural Sustentável Amazônia (PRS/AM), desenvolvido em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), realizou, nos dias 24 e 25 de junho, em Porto Velho (RO), o Seminário Final do Programa Rural Sustentável Amazônia/Rondônia (PRS/RO). O evento teve como objetivos discutir com representantes das Organizações Socioprodutivas (OSPs), órgãos públicos, terceiro setor e Grupo Gestor Estadual (GGE) do Plano ABC+ o andamento das ações do projeto já em curso, os desafios e as possibilidades de ampliação das atividades para expandir as cadeias dos peixes redondos e do café Robusta.
Na abertura, foram apresentadas informações sobre a metodologia empregada e os resultados gerais do Estudo de Mercado e dos Planos de Fortalecimento das Cadeias Produtivas apoiadas pelo PRS Amazônia. Na pauta, também esteve o debate de propostas concretas e soluções inovadoras que conciliam economia, conservação ambiental e bem-estar social.
O encontro reuniu gestores públicos e representantes de organizações locais, setor público e privado, cooperativas, associações, sindicatos e produtores rurais que adotam práticas produtivas sustentáveis, desvinculadas do desmatamento.
Em sua fala, o secretário adjunto de Inovação, Desenvolvimento Sustentável, Irrigação e Cooperativismo do Mapa, João Crescêncio, reforçou o valor da cooperação técnica e da articulação com o GGE para a expansão das cadeias dos peixes redondos e do café, destacando o trabalho do governo do estado e do PRS Amazônia nesse processo.
Participaram do encontro o secretário de Agricultura do Estado, Luiz Paulo da Silva Batista; o superintendente federal de Agricultura substituto, João Carlos Aranha; o coordenador do ABC+ Rondônia, Antônio Carlos Vieira; o diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS), Tadeu Assad; o coordenador de Cadeias de Mercados do IABS, Pedro Xavier; além de representantes da agência de cooperação alemã Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ), do Banco da Amazônia, da Embrapa, do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/RO), entre outros.
PRS Amazônia
O PRS Amazônia visa mitigar as emissões de gases de efeito estufa (GEEs) no bioma Amazônia por meio do desenvolvimento de cadeias de valor sustentáveis, a partir de incentivos a produtos e da geração e difusão de conhecimento sobre práticas ambientalmente corretas.
É fruto da cooperação técnica entre o Mapa, o Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais (DEFRA) do governo do Reino Unido e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), responsável pela administração e gestão financeira dos recursos e pela supervisão da implementação. O projeto é executado pelo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS).
Em janeiro de 2025, o projeto recebeu uma extensão de recursos para a elaboração de planos de negócios técnico-participativos e a aquisição de benefícios coletivos e serviços de Assistência Técnica Organizacional (ATO), visando atender 29 organizações socioprodutivas, 1.314 famílias produtoras/agroextrativistas e realizar 140 Dias de Campo.
A próxima etapa, baseada nos planos de negócios já elaborados, é a aquisição de benefícios coletivos (investimentos não reembolsáveis em estrutura física, equipamentos e obras civis) e de serviços de ATO (consultorias, treinamentos, adequações de processos e produtos), com início previsto para setembro de 2025.
Informações à imprensa
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Tarifas dos EUA colocam exportações brasileiras sob pressão e ampliam exigências de rastreabilidade no agronegócio
O Brasil entrou em uma corrida contra o tempo para evitar novos obstáculos às exportações para os Estados Unidos. O governo brasileiro tem até 15 de julho para apresentar argumentos e negociar uma proposta americana que prevê a aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos vinculados a suspeitas de trabalho forçado. Caso seja implementada e somada aos 25% já anunciados anteriormente pelos Estados Unidos, a cobrança poderá atingir 37,5% em determinados produtos brasileiros.
Embora os principais produtos do agronegócio nacional, como carne bovina, café, suco de laranja, petróleo e gás, permaneçam fora do escopo direto da investigação, especialistas alertam que o maior desafio pode estar além das tarifas: a crescente exigência internacional por rastreabilidade, governança e conformidade socioambiental.
Agronegócio brasileiro enfrenta risco reputacional crescente
A avaliação de analistas de mercado é que os impactos econômicos imediatos tendem a ser limitados para as principais cadeias exportadoras. No entanto, a inclusão do Brasil em uma discussão internacional relacionada ao combate ao trabalho forçado pode gerar efeitos indiretos relevantes sobre a imagem do país perante compradores, investidores e instituições financeiras.
O principal receio é que importadores passem a exigir processos mais rigorosos de auditoria, monitoramento da cadeia de suprimentos e comprovação da origem dos produtos. Esse movimento já vem ocorrendo em diversos mercados internacionais e pode ganhar força caso a proposta americana avance.
Para especialistas, a simples associação do Brasil a questionamentos sobre fiscalização trabalhista pode aumentar a pressão por certificações, mecanismos de rastreabilidade e controles adicionais de compliance, mesmo para empresas que não estejam diretamente relacionadas aos setores investigados.
Cadeias produtivas precisarão reforçar transparência
O novo cenário reforça uma tendência global que vem transformando o comércio internacional. Cada vez mais, a competitividade dos exportadores não depende apenas de preço, qualidade e produtividade, mas também da capacidade de demonstrar conformidade com critérios ambientais, sociais e de governança.
No agronegócio, essa realidade se traduz na necessidade de ampliar investimentos em rastreabilidade, documentação de processos produtivos e monitoramento de fornecedores.
Empresas que já possuem sistemas robustos de controle tendem a enfrentar menos dificuldades. Por outro lado, organizações com baixa transparência operacional podem encontrar barreiras adicionais para acessar mercados estratégicos.
Crédito pode ficar mais seletivo
Além dos reflexos comerciais, o endurecimento das exigências regulatórias pode afetar o acesso ao crédito.
Instituições financeiras e investidores internacionais têm incorporado critérios ESG e de compliance em suas análises de risco. Nesse contexto, empresas com fragilidades em governança ou dificuldades para comprovar a origem de seus produtos podem enfrentar custos mais elevados de financiamento.
O movimento acompanha uma transformação global em que transparência e conformidade deixam de ser diferenciais e passam a representar requisitos básicos para obtenção de capital e participação em mercados internacionais.
Brasil terá seis semanas para negociar
O cronograma estabelecido pelas autoridades americanas prevê consulta pública e audiência em 6 de julho, com decisão final prevista para 15 de julho.
Até lá, especialistas defendem uma atuação coordenada entre governo e iniciativa privada. Entre as prioridades estão a ampliação das negociações diplomáticas, a apresentação de evidências sobre os mecanismos brasileiros de combate ao trabalho análogo à escravidão e o fortalecimento da interlocução com importadores e entidades empresariais dos Estados Unidos.
Também ganha importância a mobilização de dados que demonstrem a relevância do Brasil para o abastecimento de matérias-primas estratégicas da economia americana, especialmente no agronegócio e na mineração.
Governança será diferencial competitivo
Para o mercado, o cenário ainda é considerado administrável. Entretanto, a discussão evidencia uma mudança estrutural no comércio internacional: as barreiras comerciais deixam de ser apenas tarifárias e passam a incorporar critérios regulatórios, sociais e reputacionais.
Nesse ambiente, a capacidade de comprovar origem, regularidade e conformidade torna-se um ativo estratégico para exportadores brasileiros.
A avaliação predominante entre especialistas é que empresas e cadeias produtivas capazes de demonstrar elevados padrões de governança terão vantagem competitiva nos próximos anos. Já aquelas que não conseguirem atender às novas exigências poderão enfrentar restrições comerciais, aumento do custo de capital e perda de espaço nos mercados internacionais.
Agronegócio brasileiro precisa transformar compliance em oportunidade
O avanço das exigências globais de rastreabilidade e responsabilidade social representa um desafio, mas também uma oportunidade para o agronegócio brasileiro consolidar sua imagem como fornecedor confiável e sustentável.
Com poucas semanas para o encerramento das negociações, o resultado dependerá não apenas da atuação diplomática do governo, mas também da capacidade do setor produtivo de demonstrar transparência, segurança jurídica e compromisso com as melhores práticas internacionais.
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Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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