AGRONEGOCIOS
Entidades gaúchas articulam medidas para enfrentar crise do arroz e aumentar competitividade da cadeia
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Entidades se unem para enfrentar crise no setor arrozeiro gaúcho
A Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), em parceria com a Farsul, o Irga e a Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi), realizou nesta quinta-feira (5) uma coletiva em Porto Alegre para apresentar medidas conjuntas voltadas a mitigar a crise da cadeia do arroz no estado.
O objetivo é propor ações de curto e médio prazo para melhorar a competitividade, enfrentar desafios logísticos e financeiros, e explorar novos usos para a produção gaúcha.
Sete medidas estratégicas para a cadeia do arroz
Durante a coletiva, o economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz, detalhou sete propostas prioritárias:
- Transparência e divulgação da situação do setor para 2026 e recomendação de redução da área plantada.
- Busca por novos mecanismos de comercialização e estímulo às exportações via CDO.
- Redução temporária do ICMS no período de maior comercialização, visando competitividade frente ao Paraguai.
- Desconcentração dos vencimentos de CPRs em março e abril junto a indústrias, revendas e empresas multinacionais.
- Alongamento de custeios junto a instituições financeiras.
- Ações de pesquisa, divulgação e fiscalização para evitar a venda de arroz fora do tipo especificado na embalagem.
- Estudos sobre novos usos do arroz, incluindo a produção de etanol e outros destinos industriais.
Crise histórica pressiona produtores
O presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, avaliou o cenário como um dos mais desafiadores das últimas décadas. Segundo ele, fatores como supersafra no Mercosul em 2025, entrada da Índia no mercado internacional, crédito restrito e juros altos contribuíram para uma queda expressiva nos preços, levando a endividamento significativo dos produtores.
“A indústria do Rio Grande do Sul perdeu parte do beneficiamento para Minas Gerais e São Paulo, que importam arroz do Paraguai. Esse desequilíbrio precisa ser corrigido”, destacou Nunes.
O dirigente reforçou que o setor trabalha para garantir simetria no Mercosul, corrigir assimetrias de preço e propor condições de ICMS mais favoráveis, aumentando a competitividade da cadeia.
Novos usos e valorização do arroz gaúcho
Além das medidas de curto prazo, a Federarroz estuda novos destinos para o arroz, sem comprometer a alimentação humana, que seguirá sendo seu principal uso.
“Estamos avaliando a produção de etanol e outros produtos industriais, aproveitando a alta produtividade e qualidade do arroz gaúcho. Isso gera emprego, renda e valor agregado, especialmente na metade sul do estado”, explicou Nunes.
O estudo está sendo conduzido em parceria com a Embrapa Agroenergia, o Irga e empresas privadas do setor.
Setor unido em ação proativa
Na abertura da coletiva, o presidente da Farsul, Domingos Velho Lopes, ressaltou a importância da atuação conjunta das entidades:
“O produtor rural deixa de ser reativo e passa a ser propositivo, antecipando problemas e propondo soluções. Estamos mostrando o que se avizinha para a próxima safra, que terá concentração de venda no primeiro semestre de 2026, prejudicando toda a cadeia”, destacou.
Velho Lopes enfatizou que a união das entidades busca identificar gargalos, propor soluções e proteger a competitividade do setor, diante de desafios de mercado, clima e geopolítica internacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Uso de satélite para barrar crédito rural gera novo debate no setor
A nova regra que condiciona o acesso ao crédito rural ao monitoramento ambiental por satélite abriu uma frente de tensão entre produtores, Congresso e governo federal. Desde 1º de abril, bancos que operam recursos do Plano Safra passaram a consultar automaticamente dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes) antes da liberação dos financiamentos agropecuários.
O centro da discussão está nos chamados “falsos positivos”, situações em que alterações na cobertura vegetal identificadas pelo sistema acabam sendo interpretadas como desmatamento irregular, mesmo quando decorrem de atividades produtivas permitidas ou manejos regulares dentro da propriedade.
Segundo a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), produtores vêm relatando dificuldades para acessar crédito em casos envolvendo limpeza de pastagem, manejo agrícola, renovação de áreas produtivas e até colheita de florestas plantadas, como eucalipto.
A preocupação do setor é que o sistema utilizado para monitoramento identifica mudanças na vegetação, mas não consegue, sozinho, diferenciar imediatamente uma atividade legal de um desmatamento irregular.
Com isso, o bloqueio ao crédito pode ocorrer antes mesmo de qualquer análise individualizada do caso. Isso inverte o ônus da prova e obriga o produtor a comprovar posteriormente que a alteração apontada pelo satélite não configura infração ambiental. O processo pode envolver laudos técnicos, documentos fundiários, análises ambientais e procedimentos administrativos que levam semanas ou meses.
O problema ganha peso porque o crédito rural continua sendo peça central do financiamento agropecuário brasileiro, especialmente em um momento de juros elevados, aumento do endividamento e custos ainda pressionados.
Dados citados pela consultoria Datagro mostram que mais de 5,4 milhões de apontamentos positivos estavam registrados no sistema Prodes até outubro de 2025. Parte dessas ocorrências, segundo o setor, pode estar associada justamente a interpretações equivocadas do monitoramento remoto.
As novas exigências estão previstas nas Resoluções nº 5.193/2024 e nº 5.268/2025, do Conselho Monetário Nacional (CMN), dentro do processo de endurecimento das regras ambientais para concessão de crédito rural.
A justificativa oficial é impedir que propriedades com irregularidades ambientais tenham acesso a recursos públicos subsidiados.
O avanço das restrições provocou reação imediata no Congresso Nacional. Parlamentares ligados à Frente Parlamentar da Agropecuária protocolaram projetos para suspender os efeitos das resoluções até que sejam criados mecanismos considerados mais precisos de validação ambiental.
As propostas também tentam impedir embargos automáticos baseados exclusivamente em imagens de satélite e estabelecer critérios técnicos mais claros para restrições ao financiamento rural.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende (foto), o principal problema está na automatização do processo sem análise técnica prévia. “O monitoramento ambiental é necessário e irreversível. O problema começa quando um apontamento preliminar feito por satélite passa a produzir efeito imediato sobre o crédito sem uma verificação individualizada da situação da propriedade”, afirma.
Segundo Rezende, a insegurança aumenta porque o produtor depende do financiamento para manter o calendário agrícola e não consegue esperar meses por uma solução administrativa. “O crédito rural não financia apenas expansão. Ele financia custeio, compra de insumos, operação da safra e fluxo de caixa da propriedade. Quando o recurso trava por causa de um possível falso positivo, o impacto econômico acontece imediatamente dentro da porteira”, diz.
Ele avalia que o avanço das exigências ambientais tende a se intensificar nos próximos anos, principalmente pela pressão de bancos, mercados importadores e sistemas internacionais de rastreabilidade.
“A questão ambiental passou a fazer parte da análise de risco do crédito rural. Isso já não é mais uma discussão apenas regulatória. O produtor vai precisar cada vez mais de documentação organizada, regularidade ambiental e segurança jurídica para acessar financiamento e mercado”, afirma.
O episódio evidencia uma mudança estrutural no agro brasileiro. Critérios ambientais deixaram de afetar apenas fiscalização e passaram a interferir diretamente na capacidade de financiar produção, renegociar dívidas e manter competitividade no mercado internacional.
Fonte: Pensar Agro
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