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Estimativas sobre jumentos no Brasil são contestadas e levantam alerta sobre risco de extinção

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A divulgação de dados do portal World Population Review, que aponta a existência de cerca de 730 mil jumentos no Brasil, provocou reação de cientistas e especialistas da agroeconomia e da medicina veterinária no país e no exterior.

A estimativa diverge de projeções mais recentes produzidas por pesquisadores brasileiros, que indicam cerca de 78 mil animais em 2025, sendo considerada superestimada por instituições acadêmicas e organizações de proteção animal.

Entre os críticos estão representantes da Universidade de São Paulo (USP), incluindo a ESALQ/USP, da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), da University of Cambridge e da ONG The Donkey Sanctuary, além da Frente Nacional de Defesa dos Jumentos, que assinam uma carta aberta apontando inconsistências nos dados divulgados.

Origem dos dados e uso de estimativas da FAO geram críticas técnicas

O World Population Review é uma plataforma privada criada em 2013 que reúne rankings e estatísticas globais de diferentes áreas, incluindo economia, agricultura e curiosidades demográficas.

A base citada para os dados de jumentos seria a Food and Agriculture Organization (FAO), órgão da ONU responsável por estatísticas globais de alimentação e agricultura.

No entanto, especialistas destacam que a FAO não realiza censos diretos, dependendo de dados secundários enviados pelos países, o que pode gerar margens relevantes de imprecisão.

Modelos estatísticos e ausência de censo elevam margem de incerteza

Segundo o professor Roberto Arruda de Souza Lima, da ESALQ/USP, as estimativas da FAO são baseadas na Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), que não constitui um censo oficial.

Desde 2013, o Brasil deixou de divulgar dados específicos sobre jumentos, levando a FAO a utilizar modelos estatísticos para projetar a população ao longo dos anos.

Esses modelos tendem a suavizar variações e acompanhar tendências gerais, o que pode distorcer a realidade de espécies com menor relevância estatística na pecuária nacional.

Diferenças entre IBGE e FAO expõem inconsistências nos números

As divergências entre bases oficiais e internacionais reforçam as críticas dos especialistas.

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Em 2017, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou cerca de 376 mil jumentos no Brasil, enquanto a FAO estimava aproximadamente 844 mil no mesmo período.

A diferença superior a 100% entre os dados levanta questionamentos sobre a confiabilidade das projeções atuais.

Queda populacional e impacto do abate de jumentos no Brasil

Pesquisadores apontam que a população de jumentos no Brasil vem diminuindo desde 2016, quando foi autorizada a exportação de peles.

Segundo especialistas, não há cadeia produtiva estruturada, com ausência de dados consistentes sobre rebanhos, reprodução e rastreabilidade.

Também não há registros consolidados no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) sobre fazendas produtoras ou controle detalhado de transporte dos animais.

Frigorífico opera sob debate judicial e baixa escala produtiva

Atualmente, há apenas um frigorífico em operação no setor, a Frinordeste, responsável pela exportação de peles de jumentos.

A atividade gera menos de 150 empregos e é considerada por especialistas como extrativista, com risco de esgotamento do recurso natural.

Em 2025, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) manteve a legalidade do abate na Bahia, único estado autorizado para exportação dessas peles.

Demanda internacional por ejiao pressiona rebanhos de jumentos

Segundo a The Donkey Sanctuary, a pele do jumento é utilizada na produção do ejiao, substância da medicina tradicional chinesa.

A demanda global pode chegar a 5,9 milhões de peles por ano, pressionando populações em diversos países.

Na África, a exploração levou à proibição continental da exportação de peles de jumentos por tempo indeterminado.

Especialistas alertam para risco de extinção no Brasil

Pesquisadores afirmam que dados superestimados podem ocultar a real situação de risco da espécie no país.

A pesquisadora Patrícia Tatemoto, da USP e da The Donkey Sanctuary, destaca que a falta de precisão estatística compromete o entendimento da situação emergencial dos jumentos no Brasil.

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Já o especialista Adroaldo Zanella, da University of Cambridge, reforça que levantamentos científicos apontam forte queda populacional, com base em dados cruzados de IBGE, FAO e Agrostat.

Segundo estimativas do grupo, a população seria de cerca de 78.916 jumentos em 2025.

Jumento nordestino pode estar em risco crítico de desaparecimento

Parte da população inclui o jumento nordestino, considerado um ecótipo único e de alto valor genético, segundo pesquisadores da UFAL.

O professor Pierre Barnabé alerta que o número real pode ser ainda menor devido à ausência de monitoramento contínuo.

Redução de até 94% da população em três décadas

A diretora técnica do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, Vânia Nunes, afirma que o Brasil perdeu cerca de 94% dos jumentos nas últimas três décadas.

Ela também critica a falta de transparência em algumas divulgações de dados e a ausência de informações completas sobre interesses econômicos ligados ao setor.

Estudos apontam limitações em dados da FAO e subnotificação global

Pesquisas publicadas na revista científica Public Library of Science indicam que as estimativas da FAO podem ser impactadas por subnotificação e dados desatualizados.

Outro problema recorrente é a falta de separação entre jumentos e muares em muitos países, o que compromete a precisão das estatísticas globais.

Pesquisadores defendem monitoramento contínuo da espécie

Especialistas defendem a criação de séries históricas confiáveis e sistemas permanentes de monitoramento da população de jumentos no Brasil.

Sem esses dados, alertam, políticas públicas e estratégias de conservação ficam comprometidas, ampliando o risco de desaparecimento da espécie no país.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Mapa e Polícia Federal apreendem 48 toneladas de açúcar com suspeita de adulteração no Porto de Paranaguá (PR)

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Uma operação conjunta do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e da Polícia Federal (PF) resultou na apreensão de aproximadamente 48 toneladas de açúcar VHP com suspeita de adulteração no corredor de exportação do Porto de Paranaguá (PR).

Durante teste preliminar realizado no momento da coleta das amostras, a fiscalização identificou a presença de materiais insolúveis, aparentemente areia, em quantidade superior ao limite permitido pela legislação, indicando possível adulteração da carga e desconformidade com os padrões de qualidade exigidos para o produto.

Esse tipo de análise é utilizado para verificar a pureza do açúcar e identificar possíveis contaminações ou adulterações.

Diante da suspeita, auditores fiscais federais agropecuários do Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal no Paraná (Sipov/PR) realizaram a coleta de amostras, encaminhadas ao Laboratório Federal de Defesa Agropecuária em Goiás (LFDA/GO) para confirmação analítica e adoção das medidas administrativas cabíveis.

A operação integra uma articulação permanente entre a Polícia Federal, autoridades portuárias e o Mapa no combate a fraudes em cargas de exportação, desenvolvida desde 2024. A atuação conjunta tem fortalecido a segurança, a rastreabilidade e a credibilidade das operações realizadas no Porto de Paranaguá, especialmente em cargas de granéis agrícolas, como soja, farelo de soja e açúcar.

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Caso seja confirmada a presença de matéria estranha em níveis incompatíveis com os padrões regulamentares, a carga poderá ser desclassificada e considerada imprópria para consumo, conforme previsto na legislação federal. A confirmação de fraude também poderá resultar em sanções administrativas e desdobramentos criminais.

O Brasil é atualmente o maior produtor e exportador mundial de açúcar, responsável por cerca de 25% da produção global e aproximadamente 50% das exportações mundiais. Em 2024, o país exportou volume recorde de 38,24 milhões de toneladas, com receita superior a US$ 18,6 bilhões.

Operações de fiscalização são fundamentais para garantir a integridade das cargas exportadas, preservar a confiança dos mercados internacionais nos produtos agropecuários brasileiros e proteger a credibilidade do sistema de fiscalização nacional. Fraudes, adulterações ou contaminações em cargas destinadas à exportação podem comprometer mercados estratégicos, ampliar exigências sanitárias e gerar prejuízos econômicos e reputacionais ao agronegócio brasileiro.

A empresa responsável pela carga foi autuada. Como não há rastreabilidade sobre o material misturado ao açúcar, o produto foi considerado um risco à defesa agropecuária. Em razão disso, o Mapa deverá determinar a destruição da carga, conforme previsto na legislação ambiental vigente.

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Informações à imprensa
[email protected]

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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