CUIABÁ
Pesquisar
Close this search box.

AGRONEGOCIOS

Excesso de umidade na colheita exige planejamento para evitar prejuízos

Publicados

AGRONEGOCIOS

Com a colheita nacional da soja ainda pouco acima de 20% da área plantada, produtores de importantes polos agrícolas convivem neste início de safra com um velho adversário: a chuva na hora errada. Em regiões do Centro-Oeste, especialmente em áreas de Mato Grosso, a sequência de precipitações tem interrompido operações de campo, reduzido a eficiência das máquinas e, principalmente, comprometido a qualidade do grão.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) alerta que o período mais sensível ocorre justamente no intervalo entre o fim do enchimento dos grãos e a maturação das vagens — quando a lavoura está pronta para colher. Nessa fase, qualquer atraso provocado por excesso de umidade tende a resultar em prejuízo econômico, ainda que a produtividade potencial da área tenha sido alta ao longo do ciclo.

Segundo a instituição, o primeiro impacto é operacional. Solo úmido dificulta a entrada das colheitadeiras, provoca patinagem de tratores, embuchamento de plataformas e obriga a paralisações frequentes. Em muitas propriedades, a colheita simplesmente não começa no momento ideal. Quando começa, ocorre em condições inadequadas.

O problema, porém, vai além do ritmo de trabalho. Quanto mais tempo a soja permanece madura no campo, maior a probabilidade de abertura natural das vagens, fenômeno que leva à queda dos grãos no solo. Chuvas fortes, granizo ou ventos aceleram esse processo. Trata-se de perda direta de produção, impossível de ser recuperada mesmo com boa operação posterior.

Leia Também:  Rio Grande do Sul completa cinco anos sem vacinação contra febre aftosa e reforça vigilância sanitária

Há ainda um efeito mais silencioso, mas igualmente relevante: a deterioração da qualidade. A Embrapa observa que a umidade elevada favorece o surgimento de fungos e desencadeia alterações fisiológicas nos grãos. Entre os principais danos estão grãos ardidos, mofados, fermentados, germinados ainda na planta e os chamados grãos avariados — categoria que reúne diferentes defeitos físicos e sanitários.

Esses danos têm repercussão imediata no bolso do produtor. As normas oficiais de classificação da soja estabelecem limites de tolerância para defeitos. Quando o lote ultrapassa os parâmetros, sofre descontos comerciais e pode até ser rejeitado por compradores. Na prática, a chuva não apenas reduz volume colhido, mas também diminui o preço recebido.

Diante desse cenário, a recomendação técnica não está em “combater” o clima, mas em antecipar seus efeitos. A Embrapa destaca que o planejamento da safra é a principal ferramenta de proteção econômica.

Uma das estratégias é o escalonamento do plantio, distribuindo a semeadura ao longo de diferentes datas e áreas. Com isso, a maturação ocorre em momentos distintos e a colheita também se dilui no tempo, reduzindo o risco de toda a área atingir o ponto ideal sob chuva simultaneamente.

Leia Também:  Mapa lança novo painel "AgroOUV"

Outra medida é a escolha de cultivares com ciclos diferentes e maior tolerância a doenças de final de ciclo e à abertura de vagens. Esse posicionamento varietal permite ampliar a janela operacional e diminui a vulnerabilidade caso ocorram precipitações prolongadas.

O manejo preventivo também ganha importância. A aplicação de fungicidas ao final do ciclo ajuda a reduzir a colonização das vagens em períodos de alta umidade, preservando a qualidade dos grãos. Já a dessecação pré-colheita, realizada no momento correto, favorece a uniformização da lavoura e permite iniciar a operação com maior previsibilidade.

A lógica é simples: não se controla a chuva, mas é possível reduzir sua capacidade de causar prejuízo. Em anos de clima irregular, a eficiência da colheita deixa de depender apenas da produtividade e passa a depender, sobretudo, da organização da operação.

Para a pesquisa pública, o produtor que se antecipa ao risco climático protege não só a lavoura, mas o resultado financeiro da safra. Afinal, na soja, colher no dia certo muitas vezes vale mais do que colher muito.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

AGRONEGOCIOS

Frio favorece plantio, mas produtores seguem cautelosos com custos e clima

Publicados

em

A chegada da primeira massa de ar polar de 2026 mudou o ambiente das lavouras de inverno no Sul do Brasil e trouxe um cenário diferente para cada fase do trigo no país. Enquanto o frio atual tende a beneficiar áreas recém-plantadas no Paraná, produtores do Rio Grande do Sul seguem cautelosos diante das incertezas climáticas e econômicas para a próxima safra.

O trigo é uma cultura típica de clima frio, mas os efeitos das baixas temperaturas variam conforme o estágio da lavoura. Neste momento, o frio ajuda mais do que atrapalha.

No Paraná, onde o plantio da safra 2025/26 já começou, cerca de 17% da área prevista havia sido semeada até a última semana, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral). As áreas implantadas estão principalmente em germinação e crescimento vegetativo inicial.

Nessa fase, temperaturas mais baixas favorecem o desenvolvimento da cultura. O frio ajuda na emergência uniforme das plantas, reduz parte do estresse térmico e cria um ambiente mais adequado para o crescimento vegetativo inicial.

Por isso, a onda de frio que derruba as temperaturas no Centro-Sul neste início de maio tende a ser positiva para o trigo recém-semeado no Paraná e em parte de Santa Catarina. O cenário muda completamente mais adiante, durante o florescimento e o enchimento de grãos. Nessas fases, geadas fortes podem provocar perdas severas de produtividade e qualidade, queimando espigas e comprometendo o potencial industrial do cereal. É justamente esse risco futuro que mantém parte dos produtores cautelosa neste início de safra.

Leia Também:  CTC registra lucro recorde no 2º trimestre e amplia investimentos em inovação para impulsionar produtividade da cana

No Rio Grande do Sul, principal produtor nacional de trigo, a semeadura ainda não começou. Os produtores seguem em fase de planejamento da temporada, avaliando custos, clima e perspectivas de mercado antes de ampliar os investimentos.

Além da preocupação climática, o setor acompanha um cenário econômico mais apertado. Fertilizantes mais caros, custos elevados com operações mecanizadas, dificuldades no seguro rural e maior cautela no crédito vêm reduzindo o apetite por expansão da área cultivada.

Ao mesmo tempo, o mercado oferece sustentação importante aos preços. A baixa disponibilidade de trigo argentino com qualidade adequada para panificação continua limitando a oferta no Mercosul e fortalecendo as cotações no Brasil.

No Rio Grande do Sul, os preços seguem ao redor de R$ 1.300 por tonelada no interior. No Paraná, as referências se aproximam de R$ 1.400 por tonelada nos moinhos.

A dificuldade de encontrar trigo argentino com teor de proteína acima de 11,5% também vem levando parte da indústria brasileira a buscar produto nos Estados Unidos, operação mais cara e logisticamente mais complexa.

Leia Também:  Abusos em cláusulas ambientais nos contratos do agronegócio elevam riscos para produtores rurais

Esse ambiente ajuda a sustentar os preços internos justamente no momento em que o produtor começa a decidir quanto investir na nova safra.

Mesmo assim, a preocupação com o clima permanece no radar. Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater-RS), a previsão de maior frequência de chuvas durante o inverno e a primavera pode elevar riscos nas fases mais sensíveis da cultura, especialmente florescimento e enchimento de grãos.

Por isso, muitos produtores vêm adotando uma postura mais conservadora, reduzindo o pacote tecnológico, diminuindo investimentos em insumos e até substituindo parte da área de trigo por outras culturas de inverno.

O próprio Deral projeta queda de 15% na produção paranaense de trigo na safra 2025/26, reflexo principalmente da redução da área cultivada.

Neste início de maio, porém, o frio ainda joga a favor do trigo brasileiro. O desafio do setor será transformar esse começo climático positivo em uma safra rentável em meio aos altos custos, às incertezas do mercado internacional e aos riscos climáticos que costumam ganhar força ao longo do inverno.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

CUIABÁ

POLÍCIA

POLÍTICA MT

MATO GROSSO

MAIS LIDAS DA SEMANA