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Fiscalização do Mapa apreende mais de 330 toneladas de fertilizantes irregulares em Pederneiras (SP)
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Uma operação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) resultou na suspensão das atividades de uma empresa no município de Pederneiras, interior de São Paulo, por produção e armazenamento irregular de fertilizantes orgânicos. A ação fiscal, realizada após uma denúncia anônima, revelou a ausência de registro no Mapa e de licença ambiental, além de apreender mais de 336 toneladas de produto.
Denúncia levou à ação fiscal
A fiscalização foi realizada na última terça-feira (29), após uma denúncia registrada na Ouvidoria do Mapa, por meio da plataforma Fala BR. A ação foi conduzida pela equipe da unidade regional de Araraquara, que constatou diversas irregularidades no estabelecimento.
Fertilizantes sem registro e licença ambiental
Segundo o Mapa, a empresa não possuía registro como fabricante de fertilizantes orgânicos, tampouco os produtos comercializados estavam devidamente cadastrados junto ao órgão federal. Além disso, durante a inspeção, os fiscais constataram a ausência da licença ambiental obrigatória para o funcionamento da indústria.
Mais de 330 toneladas de produtos apreendidos
Como resultado da fiscalização, foram apreendidas cautelarmente 300 toneladas de fertilizantes a granel, 36.425 quilos de produtos ensacados e cerca de 3 mil embalagens vazias que estavam armazenadas no local. A empresa foi suspensa e está proibida de produzir novos lotes até que regularize sua situação, dentro do prazo legal de 30 dias.
Empresa será autuada e poderá apresentar defesa
Além da suspensão imediata das atividades, a indústria foi autuada e responderá a um processo administrativo fiscal. O procedimento servirá para apurar as infrações e permitirá que o estabelecimento apresente sua defesa formal junto ao Mapa.
Riscos à saúde, ao meio ambiente e à produção agrícola
O Mapa alerta que fertilizantes orgânicos produzidos sem o devido registro apresentam riscos significativos, tanto para o meio ambiente quanto para a saúde humana e a produtividade agrícola. Produtos irregulares podem conter formulações desequilibradas, contaminantes biológicos como salmonela e coliformes, além de metais pesados, dependendo das matérias-primas utilizadas. Seu uso pode comprometer a segurança dos alimentos, afetar o crescimento saudável das plantas e causar desequilíbrios fisiológicos.
Canais de denúncia estão abertos ao cidadão
O Ministério reforça que a população pode colaborar com a fiscalização por meio da plataforma Fala BR, disponível no site oficial do Mapa. O canal é destinado a denúncias, sugestões, solicitações e elogios, podendo ser utilizado de forma anônima.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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