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Frigoríficos interrompem compras de boi diante de possível tarifa de 50% imposta pelos EUA
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Frigoríficos deixam de negociar boi gordo por causa de nova tarifa dos EUA
O mercado físico do boi gordo encerrou a última semana com forte retração nas compras por parte dos frigoríficos. A principal razão é a avaliação dos possíveis impactos da nova tarifa adicional de 50% que os Estados Unidos devem aplicar sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto.
De acordo com o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, o cenário também pressionou o mercado futuro do boi, que registrou queda acentuada — especialmente no dia 10 de julho. Isso se deve à relevância dos EUA para o setor: em 2025, o país deverá representar cerca de 15% das exportações brasileiras de carne bovina.
Perda de competitividade frente a outros exportadores
Segundo Iglesias, caso a nova tarifa entre em vigor sem alterações até o fim de julho, o Brasil deve perder espaço no mercado norte-americano para concorrentes como Austrália, Argentina e Uruguai. “A tarifa compromete diretamente a competitividade da carne brasileira nos EUA”, destacou o analista.
Preços da arroba recuam nas principais praças do país
Com a instabilidade no mercado, os preços da arroba do boi gordo caíram em diversas regiões do Brasil no dia 10 de julho:
- São Paulo (Capital): R$ 300,00 a arroba, queda de 3,23% em relação aos R$ 310,00 da semana anterior.
- Goiás (Goiânia): R$ 290,00, recuo de 1,69% ante os R$ 295,00 da semana passada.
- Minas Gerais (Uberaba): R$ 295,00, baixa de 1,67% frente aos R$ 300,00 anteriores.
- Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 305,00, retração de 1,61% em relação aos R$ 310,00.
- Mato Grosso (Cuiabá): R$ 315,00, preço estável na comparação semanal.
- Rondônia (Vilhena): R$ 275,00, sem variação em relação à semana anterior.
Mercado atacadista apresenta preços mistos
O mercado atacadista de carne bovina também registrou oscilações nos preços ao longo da semana. Segundo Iglesias, o ambiente sugere espaço para eventuais reajustes ao longo da primeira quinzena de julho, tradicionalmente marcada por maior consumo.
- Quarto traseiro: R$ 22,50 o quilo, queda de 2,17% frente aos R$ 23,00 da semana passada.
- Quarto dianteiro: R$ 18,75 o quilo, alta de 1,35% em relação aos R$ 18,50 anteriores.
Iglesias também destacou o aumento da competitividade da carne de frango, que tem se mostrado mais atrativa ao consumidor em comparação com a carne bovina.
Exportações de carne bovina seguem em alta em julho
Apesar das incertezas com os EUA, as exportações brasileiras de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada iniciaram julho em alta. Nos primeiros quatro dias úteis do mês, os embarques renderam US$ 269,931 milhões, com média diária de US$ 67,483 milhões.
- Volume exportado: 48,715 mil toneladas (média diária de 12,178 mil toneladas)
- Preço médio por tonelada: US$ 5.541,00
Em comparação com julho de 2024, os dados representam:
- Aumento de 48,4% no valor médio diário exportado
- Crescimento de 18,1% na quantidade média diária exportada
- Avanço de 25,7% no preço médio da tonelada
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Preços do trigo sobem no Brasil com oferta restrita e ajuste no mercado em abril
O mercado brasileiro de trigo encerrou abril com valorização nas principais regiões produtoras, sustentado pela oferta restrita, firmeza dos vendedores e necessidade de recomposição de estoques por parte dos moinhos. O movimento reflete um ajuste no mercado interno, especialmente diante da menor disponibilidade no Sul e da crescente exigência por qualidade do grão.
Mercado interno: escassez e qualidade sustentam preços
A baixa oferta disponível nas regiões produtoras foi determinante para a sustentação das cotações ao longo do mês. A comercialização mais seletiva, com foco em lotes de melhor qualidade, também contribuiu para o cenário de valorização.
No Paraná, a média FOB interior avançou 3% em abril, alcançando R$ 1.407 por tonelada. Já no Rio Grande do Sul, o movimento foi mais expressivo, com alta de 8%, elevando a referência para R$ 1.295 por tonelada.
O comportamento reforça um mercado mais ajustado, com menor volume disponível e maior rigor na negociação, principalmente em relação ao padrão do produto.
Acumulado de 2026 mostra recuperação relevante
No primeiro quadrimestre de 2026, a alta acumulada dos preços é significativa, indicando uma mudança importante na dinâmica do mercado desde o início do ano:
- Paraná: +20%
- Rio Grande do Sul: +25%
Apesar da recuperação no curto prazo, na comparação anual as cotações ainda permanecem abaixo dos níveis registrados no mesmo período do ano anterior, com recuos de 9% no Paraná e 10% no Rio Grande do Sul.
Esse cenário evidencia que o mercado doméstico reage aos fundamentos internos, mas ainda enfrenta limitações impostas pelo ambiente externo.
Mercado externo: referência argentina e incertezas de qualidade
A Argentina segue como principal referência para a formação de preços do trigo no Brasil. Em abril, as indicações nominais para o produto com teor de proteína acima de 11,5% permaneceram estáveis, ao redor de US$ 240 por tonelada.
No entanto, o cenário internacional aponta para possíveis ajustes. O trigo hard norte-americano registrou valorização de 7,8% no mês e acumula alta de 27% em 2026, sinalizando pressão altista global.
Além disso, persistem incertezas quanto ao padrão de qualidade do trigo argentino disponível para exportação, o que pode influenciar diretamente a competitividade e os preços no mercado regional.
Câmbio limita repasse da alta internacional
Apesar do viés altista nos fundamentos domésticos e da pressão externa, o câmbio tem atuado como principal fator de contenção para os preços no Brasil.
A valorização do real frente ao dólar reduz a paridade de importação, limitando o repasse das altas internacionais para o mercado interno. Com isso, mesmo diante de um cenário global mais firme, os avanços nas cotações domésticas ocorrem de forma mais moderada.
Tendência: mercado segue sensível à oferta e ao câmbio
A perspectiva para o curto prazo é de manutenção de um mercado ajustado, com preços sustentados pela oferta restrita e pela demanda pontual dos moinhos.
No entanto, a evolução do câmbio e o comportamento das cotações internacionais seguirão sendo determinantes para a intensidade dos movimentos no Brasil, especialmente em um cenário de integração crescente com o mercado global.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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