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Grãos impulsionam aumento da movimentação no Arco Amazônico
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Nos últimos dez anos, a movimentação de soja e milho nos terminais do Arco Amazônico registrou aumento de 288,1%, segundo informações do levantamento da Coordenação de Pesquisas e Desenvolvimento da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), que reúne empresas de grande porte e congrega 70 terminais privados do país. O crescimento é significativamente superior ao registrado nos portos de Santos (55,3%) e Paranaguá (17,2%), consolidando a região como rota relevante para o escoamento dessas commodities.
Em 2024, os terminais da região movimentaram 87,8 milhões de toneladas, considerando operações de longo curso e cabotagem, com destaque para bauxita (23,9 milhões de toneladas), soja (17,1 milhões) e milho (13,7 milhões). Do total, cerca de 64% foram processados por Terminais de Uso Privado (TUPs), indicando a participação predominante da iniciativa privada no escoamento.

Os containers somaram 9,9 milhões de toneladas movimentadas. Também passaram pelos terminais portuários da região produtos químicos inorgânicos (5,7 mi t), petróleo e derivados sem óleo bruto (5,2 mi t), adubos e fertilizantes (3,9 mi t) e soda cáustica (1,2 mi t), entre outros.
Nos primeiros cinco meses de 2025, a movimentação de soja e milho apresentou queda de 8,7% em comparação com o mesmo período de 2024, totalizando 13,3 milhões de toneladas. A redução está associada à estiagem prolongada e à limitação do calado dos rios devido à demora na execução de dragagens de manutenção, conforme apontam dados da ATP.
Para ampliar a eficiência logística, a ATP tem defendido projetos de dragagem em trechos estratégicos, além da adoção de concessões hidroviárias que transferem aos operadores responsabilidades como manutenção, sinalização e gestão de tráfego, buscando maior previsibilidade e regularidade na navegação interior.
Fonte: Pensar Agro
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Nova MP do frete pode elevar custo para escoar a safra e reacende debate no agronegócio
A Câmara dos Deputados aprovou uma medida provisória que pode aumentar o custo do transporte da produção agrícola no país. O texto endurece as punições para quem contratar fretes abaixo da tabela da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), reacendendo o debate entre caminhoneiros e o agronegócio sobre os impactos da medida nos custos da próxima safra.
Embora a proposta tenha como objetivo fortalecer a política do frete mínimo criada após a greve dos caminhoneiros de 2018, produtores rurais acompanham a tramitação com preocupação. Em estados como Mato Grosso, onde praticamente toda a produção de grãos depende do transporte rodoviário para chegar aos portos e às indústrias, qualquer aumento no valor do frete tem impacto direto sobre a rentabilidade da safra.
A MP mantém a obrigatoriedade de cumprir os pisos mínimos estabelecidos pela ANTT e amplia as penalidades para transportadoras, tradings, cooperativas e empresas que contratarem serviços abaixo desses valores. Na prática, o texto reduz a margem para negociações individuais entre embarcadores e transportadores.
Para entidades ligadas ao agronegócio, a preocupação não está na remuneração dos caminhoneiros, considerada legítima, mas no efeito em cascata sobre toda a cadeia produtiva. O frete já figura entre os principais componentes do custo de produção de culturas como soja, milho, algodão e farelo, especialmente nas regiões mais distantes dos portos.
A discussão ocorre em um momento delicado para o setor. Além dos juros elevados e das dificuldades de acesso ao crédito rural, produtores enfrentam custos ainda elevados com fertilizantes, defensivos e combustíveis. Um eventual aumento nas despesas com transporte pode reduzir ainda mais as margens da próxima safra.
Os caminhoneiros autônomos defendem que a medida corrige distorções históricas e evita a contratação de fretes abaixo do custo operacional, situação que se agravou com a alta recente do diesel. Lideranças da categoria chegaram a discutir uma paralisação nacional caso o governo não avançasse na proposta.
Já representantes do setor produtivo afirmam que o transporte de cargas deve funcionar com maior liberdade de negociação e alertam que regras mais rígidas podem elevar os custos logísticos não apenas para o agronegócio, mas também para a indústria e o consumidor final.
A medida provisória ainda será analisada pelo Senado. Caso seja aprovada sem alterações, as novas regras passam a valer em definitivo, afetando diretamente um dos principais custos da produção agropecuária brasileira: o transporte da porteira até o destino final da safra.
Fonte: Pensar Agro


