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IBGE projeta safra de 342,7 milhões de toneladas em 2026 com alta da soja e leve queda no milho

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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, em janeiro, sua primeira estimativa oficial para a safra de grãos de 2026, que deve atingir 342,7 milhões de toneladas. O volume representa uma queda de 1% em relação a 2025, o equivalente a 3,4 milhões de toneladas a menos, mas indica avanço de 0,8% frente à projeção de dezembro do ano passado.

A área a ser colhida totaliza 82,7 milhões de hectares, crescimento de 1,4% sobre 2025, com destaque para as expansões em soja e milho.

Soja impulsiona a produção nacional e bate novo recorde

A soja continua sendo o principal destaque da safra 2026, com estimativa de 172,5 milhões de toneladas, o maior volume já registrado na série histórica do IBGE. O aumento é de 3,9% em relação a 2025 e 1,3% frente ao prognóstico anterior.

O bom resultado é atribuído à expansão de área plantada, que atingiu 48 milhões de hectares, e à melhora no rendimento médio, estimado em 3.598 kg/ha (cerca de 60 sacas por hectare).

O Mato Grosso segue como maior produtor nacional, com 48,5 milhões de toneladas, embora tenha registrado leve recuo de 3,3% frente à safra anterior.

Segundo o IBGE, as condições climáticas favoráveis em grande parte das regiões produtoras contribuíram para uma safra recorde de soja, que responde por mais da metade do total de grãos do país.

Milho recua, mas mantém papel estratégico na produção

A produção total de milho deve alcançar 133,8 milhões de toneladas, queda de 5,6% em relação a 2025, influenciada pela redução no rendimento médio.

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Mesmo assim, a cultura se mantém como segunda mais importante na composição da safra brasileira.

Milho 1ª safra: 28,6 milhões de toneladas, alta de 11,3% sobre o ano anterior.

Milho 2ª safra: 105,2 milhões de toneladas, recuo de 9,3%, apesar do leve crescimento frente ao prognóstico de dezembro.

O Mato Grosso lidera na segunda safra, com 50 milhões de toneladas, seguido por Paraná (17,4 milhões) e Goiás (13,4 milhões).

Centro-Oeste concentra quase metade da produção nacional

A Região Centro-Oeste segue como o principal polo agrícola do país, respondendo por 48,9% da produção nacional de grãos, ou 167,5 milhões de toneladas.

Em seguida aparecem o Sul (95,3 milhões de toneladas), Sudeste (30,2 milhões), Nordeste (28,2 milhões) e Norte (21,5 milhões).

Na comparação com 2025, houve crescimento da produção no Sul (+10,4%) e Nordeste (+1,8%), enquanto Centro-Oeste (-6,2%), Sudeste (-2,9%) e Norte (-3,7%) registraram retração.

O Mato Grosso se mantém como o maior produtor individual, com 30,3% do total nacional, seguido por Paraná (13,9%), Rio Grande do Sul (11,8%), Goiás (10,6%), Mato Grosso do Sul (7,6%) e Minas Gerais (5,4%).

Arroz, feijão e trigo mantêm estabilidade

Entre as demais culturas, a produção de arroz em casca está estimada em 11,7 milhões de toneladas, recuo de 7,9% frente a 2025.

O feijão, considerando as três safras, deve totalizar 3 milhões de toneladas, crescimento de 0,9% e volume suficiente para atender ao consumo interno sem necessidade de importação.

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O trigo, por sua vez, deve alcançar 7,7 milhões de toneladas, ligeira queda de 1% em relação ao ciclo anterior.

Algodão e sorgo têm retração; gergelim ganha espaço

O algodão em caroço foi estimado em 8,8 milhões de toneladas, recuo de 11% em relação a 2025, influenciado pela redução de 6,2% na área plantada e menor produtividade. O Mato Grosso, principal produtor, deve colher 6,3 milhões de toneladas, equivalentes a 71,8% do total nacional.

O sorgo apresenta queda de 13,9%, com 4,6 milhões de toneladas previstas, enquanto o gergelim, que vem ganhando relevância no país, deve produzir 362,5 mil toneladas, com Mato Grosso responsável por 62,7% da produção nacional.

Cacau e castanha-de-caju se destacam entre culturas permanentes

A estimativa para o cacau é de 310,7 mil toneladas, crescimento de 5,4% frente a 2025, com destaque para o Pará, que deve responder por 52,1% da produção nacional.

Já a castanha-de-caju tem previsão de 141,8 mil toneladas, alta de 13,5%, puxada pelo desempenho positivo do Nordeste, responsável pela maior parte do volume colhido.

Tomate mantém estabilidade e garante abastecimento

A produção de tomate deve somar 4,7 milhões de toneladas, praticamente estável em relação a 2025.

Os maiores produtores são São Paulo (1,1 milhão de toneladas) e Minas Gerais (563 mil toneladas), com desempenho sustentado por ganhos de produtividade, mesmo diante de leve retração na área plantada.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Reforma tributária no agro: regulamentação da CBS exige revisão fiscal, integração de sistemas e atenção ao fluxo de caixa

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A regulamentação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), estabelecida pelo Decreto nº 12.955/2026, marca uma nova etapa da reforma tributária sobre o consumo no Brasil e já começa a provocar mudanças profundas na rotina financeira e fiscal das empresas do agronegócio. Mesmo antes da implementação integral da cobrança, o novo modelo redefine regras de tributação, aproveitamento de créditos e circulação de recursos dentro das operações empresariais.

Especialistas alertam que os impactos vão além da simples substituição de tributos federais. A nova estrutura exige adaptação imediata de sistemas, contratos, controles fiscais e integração entre áreas financeiras, tributárias e tecnológicas.

Segundo Altair Heitor, contador, especialista em gestão tributária no agronegócio e CFO da consultoria Palin & Martins, a CBS inaugura uma lógica operacional mais complexa e dependente da qualidade das informações fiscais.

“A CBS amplia a não cumulatividade, o que teoricamente permite mais créditos tributários. Mas, na prática, só terá acesso a esses créditos quem possuir processos organizados, dados consistentes e integração entre as áreas. Quem não se preparar pode pagar mais imposto e ainda perder créditos importantes”, afirma.

Novo modelo tributário muda regras de cálculo e impacta contratos

A regulamentação estabelece que a CBS incidirá sobre praticamente todas as operações com cobrança, independentemente do formato jurídico adotado. Além disso, a base de cálculo passa a considerar diversos valores envolvidos na operação, exigindo revisão de contratos comerciais, políticas internas e formas de registro contábil.

Outro ponto considerado estratégico é a adoção da tributação no destino. Na prática, o imposto deixa de ser concentrado na origem da operação e passa a ser direcionado ao local de consumo.

Essa alteração exige ajustes em sistemas de gestão, revisão cadastral e nova parametrização fiscal, principalmente em operações interestaduais e cadeias produtivas longas, realidade comum no agronegócio brasileiro.

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No setor agropecuário, onde existe grande volume de operações, diversidade de atividades e forte dependência de créditos tributários, o impacto tende a ser ainda mais significativo.

Erros fiscais podem gerar perdas financeiras diretas

De acordo com dados da Confederação Nacional dos Contadores, mais de 70% das empresas brasileiras já enfrentaram problemas relacionados a documentos fiscais, como classificação incorreta de produtos, ausência de informações obrigatórias ou inconsistências cadastrais.

Com a CBS, esse tipo de falha passa a representar risco financeiro direto.

Isso porque o aproveitamento de créditos tributários dependerá não apenas da emissão da nota fiscal, mas também da coerência entre operação, pagamento e apuração do imposto.

“O crédito passa a depender da consistência entre documentação, faturamento e efetivo pagamento. Qualquer divergência pode impedir o aproveitamento tributário e comprometer o capital de giro das empresas”, explica Altair Heitor.

Split payment muda dinâmica financeira das empresas

Outro ponto de atenção é a possibilidade de adoção do modelo de split payment, mecanismo em que o imposto pode ser recolhido automaticamente antes da disponibilidade integral dos recursos para a empresa.

Na prática, parte do valor da venda deixará de passar completamente pelo caixa das companhias, alterando a dinâmica financeira tradicional do setor.

No agronegócio, onde são comuns vendas parceladas, operações via tradings e diferentes modalidades de pagamento, o impacto pode ser ainda maior.

“O produtor rural está acostumado a receber os recursos e posteriormente organizar a parte tributária. Com o split payment, o imposto pode ser recolhido antes mesmo do valor estar disponível para a operação”, destaca o especialista.

Crédito tributário ganha importância estratégica no agro

O tema se torna ainda mais sensível em cadeias produtivas longas, como soja, milho, proteína animal, açúcar e insumos agrícolas, nas quais o crédito tributário funciona como instrumento essencial para equilíbrio financeiro das operações.

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Falhas cadastrais, erros na classificação fiscal ou inconsistências entre documentos poderão impedir o reconhecimento de créditos ou atrasar pedidos de ressarcimento.

“Hoje, muitos erros geram apenas retrabalho. Com a CBS, eles podem representar perda financeira direta. No agronegócio, isso impacta margens e reduz capacidade de reinvestimento”, afirma Altair.

A regulamentação também estabelece novas regras para ressarcimento de créditos, com prazos definidos que poderão variar conforme o nível de conformidade fiscal da empresa.

Empresas do agro precisam acelerar adequações

Especialistas recomendam que produtores rurais, cooperativas, agroindústrias e empresas do setor iniciem imediatamente processos de revisão cadastral, análise de sistemas e mapeamento de riscos fiscais.

Entre as medidas consideradas prioritárias estão:

  • Revisão de cadastros de clientes e fornecedores;
  • Conferência da qualidade das notas fiscais emitidas;
  • Integração entre áreas fiscal, financeira e tecnologia;
  • Testes em sistemas de gestão e faturamento;
  • Revisão de contratos e operações interestaduais;
  • Mapeamento de riscos tributários e operacionais.

Para Altair Heitor, a adaptação não pode mais ser tratada como um projeto futuro.

“As empresas precisam agir agora. Quem deixar para se adaptar apenas quando a cobrança estiver totalmente em vigor pode iniciar o novo modelo já acumulando perdas financeiras”, conclui.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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