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Ibovespa abre em queda com pressão de Petrobras, enquanto bolsas globais operam sem direção única
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O mercado financeiro global iniciou a terça-feira em clima misto, com investidores atentos ao comportamento das commodities, às expectativas sobre juros internacionais e aos sinais de desaceleração econômica em diferentes regiões do mundo. No Brasil, o Ibovespa abriu o pregão em queda, pressionado principalmente pelas ações ligadas ao petróleo e ao setor de commodities.
Por volta da abertura do mercado brasileiro, o principal índice da B3 recuava cerca de 0,60%, operando na faixa dos 176,6 mil pontos. O movimento negativo foi influenciado pela desvalorização dos papéis da Petrobras e pela cautela dos investidores diante do cenário externo.
As ações preferenciais da estatal petrolífera iniciaram o dia em baixa, acompanhando o recuo das cotações internacionais do petróleo. Já os papéis da Vale apresentavam leve recuperação após sessões anteriores marcadas por ajustes no mercado de minério de ferro.
Entre os destaques positivos do início do pregão estavam os papéis da B3, que avançavam com a expectativa de maior fluxo de negociações, além do Itaú Unibanco, que operava em alta moderada.
Bolsas americanas voltam do feriado em alta
Nos Estados Unidos, os índices futuros de Wall Street sinalizavam um pregão positivo após o retorno do feriado americano.
Por volta das 9h30 (horário de Brasília), os contratos futuros do Dow Jones subiam 0,53%, enquanto os futuros do S&P 500 avançavam 0,67%. O Nasdaq, mais sensível às empresas de tecnologia, liderava os ganhos com alta de 1,09%.
O movimento reflete uma retomada do apetite por risco em meio à expectativa de cortes de juros pelo Federal Reserve ao longo do segundo semestre e ao avanço das ações de tecnologia e inteligência artificial.
Dados recentes do mercado americano mostram que os investidores seguem atentos aos indicadores de inflação, emprego e atividade econômica, fatores que continuam determinando o comportamento dos ativos globais.
Europa opera em queda com cautela econômica
Na Europa, o cenário era mais conservador. O índice pan-europeu STOXX 600 recuava 0,2%, refletindo preocupações relacionadas ao crescimento econômico da região e à trajetória dos juros no continente.
Na Alemanha, o DAX caía 0,7%, aos 25.214 pontos. Na França, o CAC 40 perdia 0,9%, aos 8.187 pontos.
O destaque positivo ficou com o FTSE 100, do Reino Unido, que avançava 0,7%, sustentado por ações ligadas ao setor financeiro e de energia.
O ambiente europeu segue marcado por incertezas fiscais, desaceleração industrial e volatilidade nos preços da energia, fatores que vêm limitando o desempenho das bolsas da região.
Ásia fecha sem direção definida
Os mercados asiáticos encerraram o pregão sem uma tendência única.
Na China, o índice de Xangai recuou 0,17%, enquanto o CSI300, que reúne grandes empresas listadas em Xangai e Shenzhen, avançou 0,53%.
Em Hong Kong, o Hang Seng fechou praticamente estável, com leve baixa de 0,03%. Já no Japão, o Nikkei encerrou o dia em queda de 0,25%.
Os investidores asiáticos seguem monitorando os estímulos econômicos chineses, além do comportamento do consumo interno e das exportações industriais.
Commodities seguem no radar do mercado
O comportamento das commodities continua sendo um dos principais fatores de influência sobre os mercados globais e, especialmente, sobre a bolsa brasileira.
Nos últimos pregões, oscilações no petróleo e no minério de ferro impactaram diretamente o desempenho de gigantes como Petrobras e Vale, que possuem forte peso na composição do Ibovespa.
Analistas avaliam que o cenário internacional ainda permanece sensível às tensões geopolíticas, ao ritmo da economia chinesa e às decisões dos principais bancos centrais do mundo.
Além disso, investidores acompanham de perto os efeitos da política monetária brasileira, da trajetória do dólar e da movimentação dos juros futuros sobre os ativos domésticos.
No acumulado de 2026, o mercado brasileiro ainda mantém desempenho positivo, embora a volatilidade tenha aumentado nas últimas semanas diante do ambiente global mais desafiador.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Projeto para proteger pequena propriedade abre debate sobre acesso ao crédito rural
Um projeto em análise na Câmara dos Deputados pretende impedir que imóveis da agricultura familiar sejam oferecidos em alienação fiduciária nas operações de crédito. A proposta busca proteger a terra usada para o sustento da família, mas também desperta preocupação sobre uma possível redução das garantias disponíveis aos pequenos produtores.
O Projeto de Lei nº 355/2026 estabelece que imóveis pertencentes à agricultura familiar não poderão ser utilizados como garantia fiduciária em contratos de crédito, financiamento ou empréstimo. Pelo texto, será considerada nula qualquer cláusula contratual que autorize esse tipo de vinculação.
A matéria está pronta para entrar na pauta da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara. Também foi anexado ao texto o Projeto de Lei nº 2.982/2026, que trata da impenhorabilidade da pequena propriedade rural.
A alienação fiduciária permite que o produtor continue utilizando o imóvel enquanto paga o financiamento. A propriedade, entretanto, permanece vinculada ao credor até a quitação. Em caso de inadimplência, a garantia pode ser executada por procedimento extrajudicial.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), a proteção da terra familiar é necessária, mas a mudança precisa ser acompanhada de alternativas capazes de manter o financiamento disponível.
“A pequena propriedade não é apenas um bem de mercado. Ela representa trabalho, renda, moradia e continuidade familiar. Essa proteção é legítima, mas não podemos criar uma regra que preserve a terra no contrato e, ao mesmo tempo, retire do produtor as condições financeiras para continuar produzindo”, afirma.
A Constituição determina que a pequena propriedade rural, definida em lei e trabalhada pela família, não pode ser penhorada para o pagamento de débitos decorrentes da atividade produtiva. A alienação fiduciária, porém, tem origem em um contrato no qual o proprietário oferece voluntariamente o imóvel como garantia.
O projeto pretende ampliar a proteção ao impedir essa contratação no caso da agricultura familiar. O ponto de atenção é que a garantia constitui um dos elementos considerados pelas instituições financeiras na avaliação do risco e na definição das condições do empréstimo.
Sem a possibilidade de utilizar o imóvel, algumas operações poderão exigir máquinas, recebíveis, produção futura, avalistas, seguros ou outras formas de cobertura. O produtor que não possuir bens ou receitas suficientes para substituir a terra poderá enfrentar maior seletividade na concessão do crédito.
“Não se pode afirmar que a mudança aumentará automaticamente os juros, porque o custo de uma operação depende de vários fatores. Existe, no entanto, um risco concreto de que produtores com menos garantias encontrem maior dificuldade para acessar recursos, principalmente fora das linhas subsidiadas”, avalia Rezende.
O debate ocorre três anos depois da aprovação da Lei nº 14.711/2023, conhecida como Marco Legal das Garantias. A legislação modernizou os mecanismos utilizados em financiamentos, ampliou as possibilidades de aproveitamento dos bens e aperfeiçoou a execução extrajudicial de créditos garantidos por hipoteca ou alienação fiduciária.
A expectativa era de que garantias mais eficientes reduzissem o risco das operações e estimulassem a oferta de crédito. A eventual proibição para imóveis da agricultura familiar introduz uma exceção nesse sistema e exigirá mecanismos capazes de compensar a garantia retirada.
Entre as alternativas estão o fortalecimento dos fundos garantidores, a ampliação do seguro rural, o uso de limites proporcionais ao valor do imóvel e a possibilidade de substituir a garantia antes de uma eventual execução. Também poderão ser consideradas a finalidade da dívida, a capacidade econômica da família e o valor da operação.
O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) oferece linhas subsidiadas, mas não atende isoladamente a todas as necessidades financeiras das propriedades. Parte dos produtores também depende de cooperativas, fornecedores, instituições financeiras e operações privadas para completar o custeio ou realizar investimentos.
“O Congresso precisa encontrar um ponto de equilíbrio. A legislação deve impedir que uma família perca a terra de maneira desproporcional, sem fechar a porta do financiamento. Proteger o patrimônio e assegurar crédito não são objetivos incompatíveis, desde que existam fundos, seguros e garantias complementares capazes de sustentar as operações”, diz Rezende.
Enquanto a proposta tramita, a recomendação é que os produtores mantenham matrículas, cadastros e documentos da propriedade atualizados. O histórico financeiro, a organização das receitas e despesas e a comprovação da capacidade de pagamento também influenciam a análise de crédito.
Outros instrumentos podem complementar ou substituir a garantia imobiliária, como penhor rural, Cédula de Produto Rural (CPR), máquinas, recebíveis e produção futura. A escolha dependerá do perfil da propriedade e das condições de cada contrato.
O produtor também deve conhecer o valor da dívida, os encargos, os prazos, as situações de vencimento antecipado e o procedimento previsto em caso de inadimplência antes de oferecer qualquer bem. A garantia não deve ser tratada apenas como uma exigência burocrática, mas como parte da estratégia financeira da propriedade.
A decisão do Congresso poderá definir como a agricultura familiar conciliará proteção patrimonial e capacidade de financiamento. Sem alternativas adequadas, a proibição pode reduzir a exposição da terra, mas aumentar a dificuldade para financiar a produção. Com mecanismos complementares, a mudança poderá proteger as famílias sem comprometer a permanência delas no campo.
Fonte: Pensar Agro



