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IGP-10 registra queda de 0,22% em abril, pressionado pelo recuo nos preços das commodities

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Desempenho do IGP-10 em abril

O Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) registrou uma queda de 0,22% em abril, após avançar 0,04% em março. A queda foi principalmente impulsionada pelo declínio acentuado nos preços das commodities, conforme divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta terça-feira (15).

Expectativa de queda não foi atendida

Analistas consultados pela Reuters esperavam uma retração de 0,27% para o índice no mês, o que significa que o desempenho ficou ligeiramente acima das expectativas do mercado. Em comparação anual, o IGP-10 subiu 8,71% nos últimos 12 meses.

Impacto do IPA na variação geral

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que reflete a variação dos preços no atacado e responde por 60% do índice geral, apresentou uma queda de 0,47% em abril, após recuar 0,26% no mês anterior. Segundo Matheus Dias, economista do FGV IBRE, as maiores contribuições para a queda do IGP-10 vieram de commodities como café, proteínas e minerais metálicos.

Destaques no IPA

Os produtos que mais influenciaram negativamente o IPA foram o minério de ferro, que passou de uma queda de 2,12% para 3,79%, o café em grão, que recuou de 5,96% para -2,71%, e o arroz em casca, que teve uma queda acentuada, passando de -4,51% para -12,14%.

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Matérias-primas brutas e sua influência no índice

A deflação de 1,0% nos preços das Matérias-Primas Brutas em abril, embora menos intensa que a queda de 1,36% observada no mês anterior, também contribuiu para a retração do IPA.

Desaceleração do IPC

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que representa 30% do IGP-10, desacelerou em abril, com uma alta de 0,42%, após um avanço mais expressivo de 1,03% em março. Seis das oito classes de itens que compõem o IPC apresentaram redução em suas variações. Entre os destaques, estão a Habitação (que passou de 2,77% para 0,31%), Transportes (de 1,03% para 0,39%), Alimentação (de 1,31% para 1,06%), Despesas Diversas (de 0,84% para 0,20%), Vestuário (de 0,24% para 0,02%) e Comunicação (de 0,40% para 0,29%).

Destaques de itens no IPC

A tarifa de eletricidade residencial e o arroz foram os principais responsáveis pela desaceleração do IPC. A tarifa de eletricidade residencial recuou 0,74%, enquanto o arroz teve uma queda de 1,90% em abril, contrastando com o aumento de 11,31% e a queda de 1,28% observados em março, respectivamente.

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Custo da construção civil

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-10) apresentou uma leve aceleração, subindo 0,45% em abril, após avançar 0,43% no mês anterior.

Metodologia do IGP-10

O IGP-10 é um índice que mensura os preços ao produtor, ao consumidor e no setor da construção civil entre os dias 11 do mês anterior e 10 do mês de referência.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Plano Safra 2026/27 confirma avanço do crédito privado e reduz dependência do financiamento oficial no agro

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O anúncio do Plano Safra 2026/27 trouxe um novo recorde nominal para o crédito rural empresarial, com R$ 525,1 bilhões destinados a médios e grandes produtores. Apesar do volume expressivo, o crescimento de apenas 1,7% em relação à safra anterior ficou abaixo da inflação acumulada e do avanço esperado para o setor, gerando questionamentos sobre a capacidade do programa de sustentar sozinho a expansão do agronegócio brasileiro.

Mais do que o valor anunciado, o que chama a atenção é a mudança estrutural que vem ocorrendo no sistema de financiamento rural. O crédito privado, impulsionado por instrumentos como CPR, Fiagro, CRA e LCA, assume papel cada vez mais relevante, reduzindo a dependência histórica dos recursos subsidiados pelo governo.

Plano Safra cresce menos e reflete cenário de maior cautela

O novo ciclo do Plano Safra foi lançado em um contexto marcado por margens mais apertadas no campo, aumento da inadimplência em algumas cadeias produtivas e maior seletividade das instituições financeiras.

Dos R$ 525,1 bilhões anunciados, R$ 384,9 bilhões serão destinados ao custeio e comercialização da produção, uma redução de 7,2% em relação à safra anterior. Já os recursos para investimentos somam R$ 140,2 bilhões, alta de 38,1%, sinalizando prioridade para projetos de modernização, tecnologia e infraestrutura.

Além disso, houve redução nas principais taxas de juros das linhas de financiamento, acompanhando o início do ciclo de queda da taxa Selic. O crédito de custeio empresarial passou de 14% para 12,5% ao ano, enquanto o Pronamp caiu de 10% para 9%.

Crédito privado ganha protagonismo no financiamento rural

Embora o Plano Safra continue sendo um importante instrumento de política agrícola, sua participação relativa no financiamento do setor vem diminuindo.

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Nas últimas cinco safras, o crescimento do crédito rural ocorreu principalmente por meio de recursos livres, captados a mercado. Enquanto o crédito subsidiado permaneceu praticamente estável, as operações com recursos privados avançaram de forma consistente.

Esse movimento mostra que o agronegócio brasileiro está cada vez menos dependente dos subsídios governamentais e mais conectado ao sistema financeiro e ao mercado de capitais.

A participação dos recursos equalizados — aqueles em que o Tesouro Nacional subsidia parte dos juros — caiu significativamente nos últimos anos, representando atualmente cerca de 22% do total disponibilizado pelo Plano Safra.

Cooperativas ampliam presença no campo

Outro destaque da transformação do crédito rural é o avanço das cooperativas financeiras.

Nos últimos dez anos, a participação dessas instituições nas operações de crédito rural praticamente dobrou. Em diversas regiões do país, especialmente no interior, as cooperativas se tornaram a principal fonte de financiamento para produtores rurais.

Além da proximidade com o associado, essas instituições ampliaram sua capacidade de captação no mercado, fortalecendo sua atuação em um cenário de maior demanda por crédito e menor participação dos bancos tradicionais.

CPR alcança R$ 565 bilhões e lidera expansão do mercado privado

A principal evidência da mudança estrutural está no crescimento da Cédula de Produto Rural (CPR), instrumento que se consolidou como a espinha dorsal do crédito privado no agronegócio.

O estoque de CPR saltou de aproximadamente R$ 170 bilhões para R$ 565 bilhões em apenas seis safras, crescimento superior a 230%. O avanço supera com folga a expansão registrada pelo próprio Plano Safra no mesmo período.

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Paralelamente, outros instrumentos também ganharam espaço. O estoque de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) alcançou cerca de R$ 176 bilhões, enquanto os Fiagros já administram aproximadamente R$ 62 bilhões em ativos distribuídos em centenas de fundos.

Somados a operações de barter e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), os mecanismos privados movimentam atualmente cerca de R$ 1,4 trilhão, consolidando uma nova realidade para o financiamento da produção agropecuária.

Desafio para produtores passa a ser gestão financeira

Especialistas apontam que o principal desafio para os próximos anos não será apenas acessar crédito, mas administrar diferentes fontes de financiamento de forma estratégica.

Ferramentas como CPR, barter, Fiagro e operações estruturadas passam a integrar cada vez mais o planejamento financeiro das propriedades rurais. Nesse cenário, gestão de risco, proteção de margem e eficiência operacional tornam-se fatores tão importantes quanto produtividade e tecnologia.

Nova fase do crédito rural já começou

O Plano Safra 2026/27 reforça uma tendência que vem se consolidando no agronegócio brasileiro: o financiamento da produção deixou de depender exclusivamente dos recursos oficiais.

Embora continue relevante, o programa governamental passa a atuar como parte de um sistema mais amplo, formado por cooperativas, mercado financeiro, investidores e instrumentos privados.

A mensagem para o setor é clara: o futuro do crédito rural será construído pela combinação entre recursos públicos e privados. Mais do que acompanhar o tamanho dos anúncios oficiais, produtores, empresas e investidores precisarão observar a qualidade do funding, a gestão dos riscos e a capacidade de execução dos projetos para garantir competitividade nos próximos ciclos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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