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Importações de Café pela União Europeia Enfrentam Queda em 2025, Aponta Análise de Mercado
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As importações de café pela União Europeia registraram uma desaceleração significativa nas últimas semanas, segundo dados da Comissão Europeia. Embora o início da safra 2024/2025 tenha mostrado embarques mais elevados, o acumulado geral deste ciclo está similar ao registrado no mesmo período da safra anterior (2023/2024), que já foi marcada por importações abaixo da média histórica.
De acordo com a analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint, Laleska Moda, esse recuo nas importações pode ser um sinal de enfraquecimento da demanda no mercado europeu. “No entanto, para uma análise mais precisa, é necessário acompanhar também os estoques da Federação Europeia de Café (ECF), que divulgará novos dados no final de maio”, afirma a especialista.
Oferta Restrita e Seus Efeitos nos Preços do Café
Laleska Moda explica que a menor oferta de café nos últimos meses, especialmente por parte dos dois maiores exportadores mundiais, Brasil e Vietnã, pode estar impactando o volume de importações da União Europeia. Os preços futuros do café também continuam a refletir essa incerteza, com o contrato de julho do café Arábica apresentando suporte em torno de 380 centavos por libra.
Após embarques elevados em 2024, o Brasil viu seus estoques de café diminuírem no final do ano passado, com a maior parte da safra 2024/2025 já comercializada. Essa escassez tem limitado a oferta brasileira no mercado global, afetando diretamente as importações da União Europeia.
Redução na Participação do Brasil e Vietnã nas Importações
Outro dado relevante é a queda na participação dos grãos brasileiros nas importações da União Europeia a partir de janeiro de 2025. No Vietnã, que também é um grande exportador de café, a oferta foi mais limitada devido a estoques menores e à resistência dos produtores em vender o restante da mercadoria, após os preços do Arábica e do Robusta atingirem níveis recordes no início do ano.
Aumento da Diversificação nas Origens do Café
Um movimento interessante no mercado de café da União Europeia foi o aumento das importações de cafés provenientes da África Oriental, como Uganda e Etiópia. Esses países, que produzem variedades de Robusta e Arábica, têm ganhado destaque, refletindo a busca do bloco europeu por uma maior diversificação em sua oferta de café.
Em 2025, o mercado de café da União Europeia permanece sob forte influência de fatores como a escassez de oferta, a flutuação de preços e a reconfiguração das origens do produto. As próximas semanas deverão trazer mais clareza sobre a continuidade dessas tendências, especialmente com a divulgação dos dados sobre os estoques de café da Federação Europeia de Café (ECF).
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Exportação recorde não impede queda do frango vivo no mercado interno
O Brasil caminha para estabelecer um novo recorde nas exportações de carne de frango em 2026, mas o avanço das vendas externas ainda não foi suficiente para absorver o aumento da oferta. Com mais animais prontos para o abate, os preços do frango vivo recuaram em algumas das principais regiões produtoras, enquanto as cotações dos cortes permaneceram praticamente estáveis no atacado.
A pressão ocorre em uma cadeia que produziu 15,3 milhões de toneladas de carne de frango em 2025 e faturou cerca de R$ 50 bilhões somente com exportações, considerando a receita de R$ 9,8 bilhões convertida pelo câmbio de R$ 5,10. O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores produtores mundiais e lidera o comércio internacional da proteína.
No ano passado, o país exportou o volume recorde de 5,324 milhões de toneladas. Para 2026, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta embarques de até 5,5 milhões de toneladas, além de uma produção próxima de 15,6 milhões de toneladas. A disponibilidade no mercado interno pode alcançar 10,1 milhões de toneladas.
O avanço da oferta já aparece nos abates. No primeiro trimestre deste ano, o peso das carcaças chegou a 3,73 milhões de toneladas, crescimento de 6,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Paraná respondeu por 35% da produção, seguido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.
A ampliação dos abates ajuda a explicar por que os preços não acompanham o desempenho das exportações. A demanda internacional segue aquecida, mas o mercado doméstico precisa absorver cerca de dois terços de toda a carne produzida no país. O consumo estimado para 2026 é de 47,3 quilos por habitante, um dos maiores do mundo, mas ainda insuficiente para provocar uma reação mais forte diante da oferta atual.
Levantamento mostra que o frango vivo foi negociado a R$ 5,20 por quilo em São Paulo. No oeste do Paraná, a referência ficou em R$ 4,60. Goiás e Mato Grosso do Sul registraram queda de R$ 4,65 para R$ 4,55, enquanto Minas Gerais e Distrito Federal passaram de R$ 4,70 para R$ 4,60 por quilo.
No Sul, as referências ficaram em R$ 4,75 no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os preços mais elevados continuam concentrados no Nordeste e no Norte, variando de R$ 6,80 no Ceará a R$ 7,20 no Pará. As diferenças refletem custos logísticos, disponibilidade regional de aves e características próprias de cada mercado.
No atacado paulista, o peito congelado permaneceu em R$ 8,50 por quilo, a coxa em R$ 6,90 e a asa em R$ 11. Os cortes resfriados foram negociados por R$ 8,60, R$ 7 e R$ 11,10, respectivamente. A estabilidade, porém, não representa recuperação, porque as indústrias encontram dificuldade para elevar os preços diante da quantidade de carne disponível.
O principal instrumento para ajustar o mercado é o controle dos alojamentos. O termo corresponde ao número de pintinhos de um dia colocados nas granjas para engorda. Como as aves chegam ao peso de abate em aproximadamente 40 a 45 dias, um alojamento elevado hoje se transforma em maior oferta de carne poucas semanas depois.
A redução dos lotes permite diminuir gradualmente a quantidade de animais disponíveis e recuperar o equilíbrio entre produção, consumo e exportações. O ajuste precisa ser planejado porque uma redução excessiva também pode provocar falta de produto e aumento repentino dos preços no futuro.
A pressão não alcança todos os avicultores da mesma maneira. No sistema de integração, predominante nas principais regiões produtoras, a indústria normalmente fornece pintinhos, ração, medicamentos e assistência técnica. O produtor entra com as instalações, mão de obra, energia e manejo, recebendo conforme o desempenho do lote e as condições estabelecidas em contrato.
Por isso, a cotação do frango vivo não corresponde diretamente ao valor recebido por todos os integrados. Ainda assim, o excesso de oferta reduz a rentabilidade geral da cadeia e pode afetar o ritmo dos alojamentos, a remuneração dos contratos e a capacidade das empresas de repassar custos. O impacto é mais direto sobre produtores independentes, que compram os insumos e comercializam os animais por conta própria.
A disponibilidade de milho e farelo de soja ajuda a conter parte da pressão. Os dois produtos formam a base da ração e representam a maior parcela do custo de produção. Com oferta elevada de grãos, a alimentação das aves está menos onerosa do que em períodos de escassez, evitando uma deterioração maior das margens.
No comércio exterior, os embarques continuam funcionando como principal sustentação do setor. Nos primeiros 13 dias úteis de julho, o Brasil exportou 299,2 mil toneladas de carne de aves e miudezas, com receita equivalente a R$ 2,73 bilhões. A média diária cresceu 41% em relação a julho de 2025, embora o preço médio tenha recuado 1,3%.
O cenário indica que a avicultura brasileira permanece competitiva e deve ampliar sua presença internacional. No curto prazo, porém, o recorde das exportações terá de ser acompanhado por um controle mais preciso dos alojamentos. Sem esse ajuste, a expansão da produção continuará chegando ao mercado antes que a demanda consiga absorvê-la, mantendo os preços do frango vivo sob pressão.
Fonte: Pensar Agro


