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Índia aprova primeiras variedades de arroz com genoma editado e abre caminho para agricultura mais sustentável

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Desenvolvidas com a técnica CRISPR-Cas9, as novas cultivares não possuem DNA estranho, diferindo dos organismos geneticamente modificados (OGMs), e oferecem maior resistência a estresses ambientais e maior produtividade. A iniciativa marca o início de uma nova era para a agricultura indiana, focada em sustentabilidade e adaptação às mudanças climáticas.

Primeiras variedades aprovadas com edição genômica

As variedades de arroz aprovadas são o Pusa DST1 e o DRR Dhan 100, desenvolvidas por instituições de referência na Índia: o Instituto Indiano de Pesquisa Agrícola (IARI) e o Instituto Indiano de Pesquisa do Arroz (IIRR), ambos vinculados ao Conselho Indiano de Pesquisa Agrícola (ICAR).

O anúncio oficial foi feito pelo ministro da Agricultura, Shivraj Singh Chouhan, que destacou o potencial dessas variedades para transformar a produção de arroz no país.

Avanço histórico para a ciência e os agricultores

O diretor-geral do ICAR, Mangi Lal Jat, classificou a aprovação como um marco para a agricultura indiana. Ele destacou que novas variedades geneticamente editadas devem ser lançadas nos próximos anos, como parte de um esforço de modernização agrícola frente às mudanças climáticas.

Segundo ele, métodos agrícolas tradicionais não serão suficientes para enfrentar as novas realidades climáticas e, por isso, é necessário incorporar tecnologias inovadoras ao campo.

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Pesquisas em edição genômica já estão em andamento para mais de 10 culturas no país, incluindo leguminosas, oleaginosas, trigo, tabaco, algodão, banana, tomate e chá.

Precisão genética para superar estresses ambientais

O arroz Pusa DST1, desenvolvido pelo IARI, foi projetado para resistir melhor à seca e à salinidade. Os cientistas desativaram um gene que suprime a resistência ao estresse, resultando em uma planta com menor uso de água, maior perfilhamento, maior rendimento de grãos e maior tolerância ao sal. Os testes de campo comprovaram produtividade superior sob condições de seca, em comparação com a variedade original MTU1010.

Já o arroz DRR Dhan 100, criado pelo IIRR, teve como base a variedade amplamente cultivada Samba Mahsuri. Com a edição do gene OsCKX2, responsável pela regulação de citocininas, foi criado um novo alelo que proporcionou um aumento de 19% na produtividade, maturação até 20 dias mais precoce e melhor desempenho mesmo com baixa adubação e escassez de água.

Benefícios globais e foco no pequeno produtor

O cientista indiano Rajeev Varshney, diretor da Universidade Murdoch, na Austrália, destacou que esse avanço representa uma virada na biotecnologia agrícola e trará impactos especialmente positivos para pequenos agricultores. Segundo ele, o sucesso das novas variedades deve inspirar inovações semelhantes em outras regiões do mundo.

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Caminho aberto para a comercialização

As novas cultivares são fruto de anos de pesquisa realizados com suporte do Departamento de Biotecnologia (DBT) e da Academia Nacional de Ciências Agrícolas (NAAS). As diretrizes publicadas pela Índia em 2022, que isentam determinadas plantas editadas por genoma do processo rigoroso de aprovação aplicável aos OGMs, foram decisivas para viabilizar essa conquista.

Agora, Pusa DST1 e DRR Dhan 100 seguirão para testes de cultivo em maior escala, antes de serem levadas à comercialização. Segundo o secretário do Departamento de Agricultura e Bem-Estar do Agricultor, Devesh Chaturvedi, o fato de a tecnologia ter sido desenvolvida no próprio país facilitará sua disseminação entre os produtores, por meio de parcerias entre os setores público e privado.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Trigo: El Niño aumenta risco climático e produção brasileira pode cair 20% na safra 2026/27

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O mercado brasileiro de trigo entra na safra 2026/27 cercado por desafios. A combinação de redução da área cultivada, custos elevados de produção e a confirmação do fenômeno El Niño deve impactar significativamente a produção nacional, que pode registrar queda próxima de 20% em relação ao ciclo anterior.

A avaliação faz parte do relatório Agro Mensal de junho, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, que destaca um cenário de maior risco para os produtores, especialmente devido aos possíveis efeitos climáticos sobre a qualidade dos grãos.

Plantio avança, mas produtores reduzem investimentos

Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a semeadura do trigo já alcançou 45,3% da área prevista para a temporada 2026/27. As condições iniciais das lavouras são consideradas favoráveis, principalmente na Região Sul, onde a umidade tem contribuído para a boa emergência das plantas e o desenvolvimento vegetativo.

Apesar disso, o ambiente econômico segue desafiador. A rentabilidade considerada insatisfatória tem levado muitos produtores a reduzirem investimentos e diminuírem a área destinada ao cereal.

A projeção da Conab aponta retração de 13,4% na área cultivada. Somada a uma expectativa de produtividade 7,6% menor, a produção brasileira deverá atingir aproximadamente 6,2 milhões de toneladas, representando uma queda de cerca de 20% frente ao ciclo anterior.

Além da redução de área, os custos mais elevados de produção têm limitado o uso de tecnologias e investimentos em manejo, fator que também contribui para o viés baixista da safra.

El Niño amplia preocupação com a qualidade do trigo

A confirmação do El Niño adiciona uma nova camada de incerteza ao mercado. Embora o fenômeno possa favorecer o fornecimento de água durante as fases iniciais de desenvolvimento das lavouras, o excesso de chuvas ao longo do ciclo preocupa produtores e analistas.

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O principal risco está relacionado ao aumento da incidência de doenças e à perda de qualidade dos grãos na fase final de maturação e colheita, situação historicamente observada em anos sob influência do fenômeno climático.

A qualidade do trigo é um fator decisivo para a indústria moageira e para a formação dos preços, tornando o clima uma variável estratégica para o mercado nos próximos meses.

Mercado doméstico registra valorização durante a entressafra

Enquanto a nova safra está sendo implantada, os preços do trigo seguem firmes no mercado interno. No Paraná, principal estado produtor do país, o cereal foi negociado próximo de R$ 70 por saca na primeira quinzena de junho, acumulando valorização nos últimos 30 dias.

O movimento reflete a baixa liquidez típica do período de entressafra. Produtores permanecem retraídos nas vendas, enquanto os moinhos adotam postura cautelosa diante das dificuldades de repassar aumentos aos preços da farinha.

A valorização recente do dólar também contribuiu para sustentar as cotações domésticas, elevando a paridade de importação e fortalecendo o mercado interno.

Cenário internacional segue volátil

No mercado global, o trigo apresentou forte volatilidade entre maio e junho. As cotações em Chicago chegaram a superar US$ 6,60 por bushel durante maio, impulsionadas pela seca nas regiões produtoras dos Estados Unidos.

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No entanto, o avanço da colheita no Hemisfério Norte, a melhora das condições climáticas em áreas produtoras americanas e perspectivas mais favoráveis para a safra russa provocaram correções nos preços no início de junho.

Apesar disso, persistem incertezas relevantes em importantes origens globais, como Ucrânia e Rússia, o que mantém o mercado sensível a qualquer alteração climática ou geopolítica.

Dependência de importações deve continuar elevada

Com a perspectiva de menor produção nacional, o Brasil deve manter elevada dependência das importações para abastecer o mercado interno.

Nesse contexto, a formação dos preços domésticos continuará fortemente influenciada pelo câmbio e pela competitividade do trigo argentino, principal fornecedor do cereal ao mercado brasileiro.

A expectativa é que os preços permaneçam sustentados durante a entressafra, embora o amplo abastecimento global limite movimentos mais expressivos de valorização no mercado internacional.

Perspectivas para o setor

O cenário para o trigo em 2026/27 combina fundamentos de oferta mais restrita no Brasil com riscos climáticos crescentes associados ao El Niño. Para os produtores, o momento exige atenção redobrada ao manejo das lavouras, estratégias de comercialização e gestão de riscos.

Enquanto o mercado acompanha a evolução do clima e do plantio, a qualidade da safra deverá ser um dos principais fatores para determinar o comportamento dos preços e a competitividade do cereal brasileiro nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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