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Indústria adota cautela e preços da carne suína recuam no mercado interno

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A indústria de carne suína atuou com maior cautela nas compras de animais vivos ao longo da última semana, o que conteve o avanço das cotações no mercado interno. O resultado foi de preços estáveis a mais baixos, tanto para o quilo vivo quanto para os principais cortes no atacado.

Segundo o analista da Safras & Mercado, Allan Maia, os frigoríficos avaliaram o quadro de vendas no atacado, onde os cortes não encontraram espaço para valorização. Ele destaca ainda que a demanda no varejo tende a seguir em ritmo lento até o fim de setembro, influenciada pela descapitalização das famílias.

Concorrência com o frango pressiona consumo

Mesmo com os aumentos recentes no preço da carne de frango, a proteína ainda se mantém atrativa em relação aos cortes suínos, o que limita a competitividade da carne suína no mercado doméstico.

De acordo com Maia, a oferta de animais não é considerada excessiva, mas o momento segue desafiador para os preços. “A exportação continua como variável positiva, em ritmo forte”, acrescenta o analista.

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Preços do suíno vivo e cortes no atacado recuam

Levantamento da Safras & Mercado apontou queda na média nacional do quilo do suíno vivo, que passou de R$ 8,29 para R$ 8,22. No atacado, o preço do pernil recuou de R$ 14,19 para R$ 13,87, enquanto a carcaça caiu de R$ 13,53 para R$ 13,14.

A arroba suína em São Paulo também registrou baixa, de R$ 177,00 para R$ 174,00.

Confira os preços regionais levantados:

  • Rio Grande do Sul: integração estável em R$ 6,75; interior de R$ 8,70 para R$ 8,65.
  • Santa Catarina: integração em R$ 6,70; interior de R$ 8,75 para R$ 8,70.
  • Paraná: integração estável em R$ 6,90; mercado livre em R$ 8,90.
  • Mato Grosso do Sul: Campo Grande em R$ 8,45; integração em R$ 6,70.
  • Goiás: queda de R$ 8,90 para R$ 8,70.
  • Minas Gerais: interior de R$ 9,20 para R$ 8,90; mercado independente de R$ 9,40 para R$ 9,00.
  • Mato Grosso: Rondonópolis em R$ 8,50; integração em R$ 7,20.
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Exportações seguem como ponto de apoio ao setor

Apesar da pressão no mercado interno, as exportações de carne suína “in natura” seguem firmes. Nos dez primeiros dias úteis de setembro, o Brasil embarcou 63,365 mil toneladas, gerando receita de US$ 162,225 milhões. A média diária foi de 6,336 mil toneladas, com US$ 16,222 milhões.

O preço médio de exportação ficou em US$ 2.560,2 por tonelada. Em relação a setembro de 2024, houve alta de 26,6% no valor médio diário, avanço de 23,6% na quantidade embarcada e incremento de 2,4% no preço médio.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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