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Inflação Persistente: Os Desafios para a Economia Global e Brasileira
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Antes da pandemia de Covid-19, a economia mundial era caracterizada por estabilidade de preços, inflação baixa e taxas de juros próximas de zero, chegando a ser negativas em alguns países. Nos Estados Unidos e na Europa, a inflação anual raramente ultrapassava 2% por mais de uma década, enquanto o Brasil mantinha um índice próximo à meta de 4,5%, com taxa de juros inferior a 7%.
No entanto, a pandemia alterou esse cenário de forma abrupta. Inicialmente, houve uma forte desaceleração econômica, com quedas nos preços. Mas, com o fim dos lockdowns, os valores dispararam globalmente. No Brasil, a inflação subiu de 4,19% em janeiro de 2020 para 12,13% em abril de 2022. Nos EUA, passou de 2,5% no início de 2020 para 9,1% em junho de 2022, um nível não visto desde os anos 1980.
Diante desse cenário, bancos centrais de vários países elevaram os juros para conter a inflação. Nos EUA, a taxa básica subiu de 0,25% para 5,5% entre 2022 e 2023. No Brasil, os juros passaram de 2% em fevereiro de 2021 para 13,75% em agosto de 2022. Desde então, autoridades e agentes do mercado esperam um retorno à normalidade, mas essa expectativa tem sido frustrada.
Por que a inflação segue resistente?
Apesar de ter recuado, a inflação ainda está acima dos patamares pré-pandemia. Segundo o economista Joseph Gagnon, do Peterson Institute for International Economics (PIIE), a dificuldade em reduzir a inflação de 3% para 2% ocorre devido a um efeito de transmissão de preços. A alta nos custos de alimentos e energia impulsionou reajustes salariais, o que, por sua vez, elevou o custo dos serviços. Essa inércia faz com que a inflação continue elevada, mesmo que os fatores iniciais tenham se estabilizado.
Outro fator crítico é a situação fiscal global. Governos que gastam mais do que arrecadam ampliam suas dívidas, o que desvaloriza a moeda e pressiona os preços para cima. “Se as dívidas do país estão em outro patamar, o nível dos juros também estará”, explica Zeina Latif, da Gibraltar Consulting.
O impacto do novo contexto global
A transição para uma matriz energética mais sustentável também influencia os preços. A Europa e os EUA têm investido em redução de emissões de carbono, aumentando custos de produção. Além disso, a instabilidade política e comercial gerada pelo governo de Donald Trump também adiciona incerteza ao cenário econômico.
Nos EUA, as recentes políticas tarifárias devem elevar a inflação ao tornarem os produtos importados mais caros. “A probabilidade de uma recessão nos EUA aumentou de 15% para 30%”, aponta Gagnon. Isso pode impactar economias emergentes, como a brasileira, que sofrem com a fuga de capitais em cenários de juros elevados nos EUA.
O Brasil diante dos desafios econômicos
A inflação no Brasil tem sido parcialmente mitigada pelo aquecimento do mercado de trabalho, que permitiu reajustes salariais. No entanto, o endividamento do governo é um fator preocupante. Gesner Oliveira, economista da GO Associados, destaca que o equilíbrio fiscal brasileiro só deve ser alcançado a partir de 2026, o que pode manter as pressões inflacionárias.
Outro risco é o aumento dos gastos previdenciários, especialmente com trabalhadores autônomos do MEI, cujas aposentadorias podem se tornar um desafio para as contas públicas.
Com isso, o Brasil e o mundo ainda enfrentam um período de incertezas, em que a inflação resistente e os juros elevados seguem impactando o crescimento econômico e as perspectivas de estabilidade financeira.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Suco de laranja enfrenta novo desafio global: produção cai e demanda segue em retração na safra 2026/27
O mercado global de suco de laranja deverá enfrentar mais uma temporada desafiadora em 2026/27. Após a recuperação observada na safra anterior, a produção mundial volta a perder força, enquanto o consumo segue em trajetória de queda, ampliando as preocupações de produtores, indústrias e exportadores.
De acordo com relatório divulgado pela Rabobank, a oferta global de suco de laranja industrializado deverá recuar cerca de 13% na próxima safra, principalmente em função da redução da produção brasileira, impactada pelo avanço do greening, condições climáticas adversas e aumento dos custos de produção. Ao mesmo tempo, a demanda mundial continua enfraquecida, cenário que deve resultar em estoques elevados e dificuldades para uma recuperação consistente dos preços internacionais.
Safra brasileira deve recuar quase 13%
O Brasil, maior produtor e exportador mundial de suco de laranja, deverá registrar uma safra significativamente menor em 2026/27.
A estimativa da Fundecitrus aponta produção de 255,2 milhões de caixas de 40,8 quilos no cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro. O volume representa uma redução de 12,9% em relação à safra anterior, que alcançou 292,9 milhões de caixas.
O principal fator por trás da retração é o avanço contínuo do greening, considerado atualmente a maior ameaça fitossanitária da citricultura brasileira. Além disso, o clima mais quente e seco vem reduzindo o potencial produtivo dos pomares.
Mesmo com um aumento de 1% no número de árvores produtivas, os rendimentos devem cair de forma expressiva. A projeção indica redução de 17% na quantidade média de frutos por planta, refletindo diretamente na produtividade dos pomares.
Greening provoca perdas bilionárias no campo
O greening continua avançando no cinturão citrícola brasileiro e aumentando os prejuízos aos produtores.
Segundo os dados do relatório, a incidência da doença atingiu 47,6% das árvores em 2025, contra 38% em 2023. A severidade da doença também segue crescendo e deve avançar novamente em 2026.
As perdas associadas ao greening são estimadas em quase 50 milhões de caixas na safra 2026/27, gerando impacto econômico próximo de R$ 1,5 bilhão para os citricultores.
Além da queda na produção, a doença eleva os custos operacionais devido à necessidade de monitoramento constante, controle intensivo do psilídeo e eliminação de plantas contaminadas.
O cenário se torna ainda mais complexo diante do aumento dos custos com fertilizantes, defensivos agrícolas e mão de obra, comprimindo as margens dos produtores.
Mudanças climáticas reduzem tamanho dos frutos
Outro fator que vem afetando a produtividade dos pomares brasileiros é a alteração no comportamento climático.
Temperaturas mais elevadas e períodos de estiagem durante fases críticas do desenvolvimento das plantas têm reduzido a participação da primeira florada, tradicionalmente responsável pelos frutos maiores e de melhor rendimento industrial.
Com isso, cresce a dependência de segunda, terceira e até quarta floradas, que produzem frutos menores e mais leves. O resultado é uma necessidade maior de frutas para completar cada caixa colhida e uma menor eficiência industrial na produção de suco.
Produção mundial também perde força
A redução da safra não é exclusividade do Brasil.
A Rabobank projeta que a oferta global de suco de laranja industrializado cairá de 1,34 milhão para aproximadamente 1,16 milhão de toneladas em 2026/27.
Outros importantes fornecedores internacionais também enfrentam dificuldades produtivas. México, Flórida e União Europeia deverão registrar quedas relevantes na produção, contribuindo para a retração da oferta mundial.
Mesmo assim, a menor disponibilidade de produto não será suficiente para impulsionar os preços de forma significativa.
Consumo global continua em queda
Enquanto a oferta diminui, o mercado enfrenta outro desafio: a retração do consumo.
Segundo o estudo, os preços internacionais do suco concentrado congelado de laranja (FCOJ) recuaram cerca de 60% desde os picos registrados em 2024. Apesar disso, os preços ao consumidor permanecem próximos dos níveis recordes observados nos principais mercados, especialmente Estados Unidos e Europa.
Esse descompasso entre os preços internacionais e os valores praticados no varejo vem reduzindo o volume de compras por parte dos consumidores.
A projeção da Rabobank é de nova retração de 3% na demanda global durante a safra 2026/27. Caso a estimativa se confirme, o consumo mundial terá acumulado queda de aproximadamente 40% nos últimos dez anos.
A inflação dos alimentos, os elevados custos de energia e a busca dos consumidores por alternativas mais acessíveis continuam limitando a recuperação do mercado.
Estoques elevados devem pressionar preços
Mesmo com a redução da produção, a demanda mais fraca deverá permitir novo aumento dos estoques globais de suco de laranja.
As projeções indicam que os estoques finais poderão alcançar cerca de 490 mil toneladas em equivalente FCOJ ao final da safra 2026/27, o maior nível dos últimos sete anos.
Esse cenário dificulta uma recuperação sustentável dos preços internacionais e aumenta a pressão sobre toda a cadeia produtiva.
Em São Paulo, os preços da laranja já refletem esse ambiente de mercado. As negociações no mercado spot estão abaixo de R$ 30 por caixa, patamar muito distante dos valores superiores a R$ 100 registrados durante 2024.
Para muitos produtores, os preços atuais já operam abaixo dos custos de produção.
Perspectiva preocupa citricultores e indústria
A combinação entre produção menor, consumo em retração e estoques elevados desenha um cenário de margens apertadas para a citricultura mundial.
Segundo a Rabobank, caso os preços permaneçam deprimidos por um período prolongado, poderá haver desaceleração nos investimentos, adiamento de projetos de expansão e até redução de áreas cultivadas em algumas regiões produtoras.
Além disso, a menor rentabilidade pode comprometer os investimentos necessários para o controle do greening, ampliando os riscos para a sustentabilidade da produção brasileira no longo prazo.
Diante desse contexto, a safra 2026/27 deverá ser marcada por desafios significativos para produtores, indústrias processadoras e exportadores, exigindo eficiência operacional, gestão de custos e avanços no combate às principais ameaças fitossanitárias da citricultura nacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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