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Inoculantes biológicos elevam produtividade e marcam nova era da agricultura brasileira

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Os inoculantes biológicos à base de bactérias promotoras de crescimento vegetal (BPCVs) estão se consolidando como uma solução estratégica para aumentar a produtividade nas lavouras brasileiras e reduzir a dependência de fertilizantes químicos. Microrganismos como Azospirillum brasilense, Bacillus subtilis, B. amyloliquefaciens e Priestia aryabhattai demonstram eficácia em estimular o enraizamento, acelerar a germinação e manter bons rendimentos mesmo sob estresse hídrico ou em solos de baixa fertilidade.

Ensaios comprovam eficiência em diferentes condições de cultivo

Um estudo realizado pelo Instituto Federal Goiano, publicado em janeiro de 2025, avaliou o desempenho desses microrganismos em sementes de milho. Os resultados apontaram aumento expressivo na massa seca das raízes e da parte aérea das plantas, além de maior tolerância à falta de água, especialmente quando as bactérias foram aplicadas em coinoculação (uso combinado).

A combinação de Azospirillum com Priestia, por exemplo, superou o desempenho isolado de cada bactéria, demonstrando que a sinergia entre diferentes microrganismos pode garantir maior eficiência agronômica.

Como atuam os microrganismos no solo e nas plantas

Segundo Lana Gaias, agrônoma e gerente de mercado de biológicos da Nitro, empresa especializada em nutrição agrícola e insumos biológicos, essas bactérias atuam por diversos mecanismos:

  • Fixação biológica de nitrogênio
  • Solubilização de fósforo
  • Produção de hormônios vegetais
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“Essa atuação combinada se traduz em plantas mais robustas e adaptadas às adversidades do solo e do clima”, explica Lana. A especialista destaca ainda que a coinoculação é uma ferramenta estratégica que potencializa o desempenho da lavoura desde a emergência até o enchimento dos grãos.

Estudos reforçam impacto positivo na produtividade e na saúde do solo

Outro estudo, desta vez conduzido pela UNESP e divulgado em maio de 2025, também confirmou os benefícios da coinoculação. A pesquisa avaliou híbridos de milho de alto desempenho e mostrou que o uso combinado de estirpes bacterianas promove vigor das plantas e melhora a saúde do solo ao longo do ciclo produtivo.

Mesmo com redução no uso de fertilizantes nitrogenados, as lavouras mantiveram a produtividade, apontando o potencial dos inoculantes para reduzir custos sem comprometer o rendimento.

Benefícios adicionais dos inoculantes biológicos

Com base em dados de campo, ensaios e estudos, Lana Gaias destaca outros ganhos com o uso de biológicos:

  • Incrementos de produtividade que podem ultrapassar 30% em determinadas regiões
  • Equilíbrio da microbiota do solo
  • Estímulo à formação de agregados no solo
  • Aumento da absorção de nutrientes pelas raízes
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Esses fatores são fundamentais para o desenvolvimento de lavouras mais resilientes, especialmente diante das mudanças climáticas e do uso intensivo da terra.

Integração com fertilizantes e avanço da agricultura regenerativa

Para a agrônoma da Nitro, a agricultura brasileira vive um novo momento, em que o produtor entende que os biológicos não substituem os fertilizantes convencionais, mas atuam de forma complementar. “O uso integrado dessas soluções promove mais eficiência e sustentabilidade”, afirma.

Crescimento do mercado de bioinsumos no Brasil

Estima-se que o mercado brasileiro de bioinsumos já atinja mais de 110 milhões de hectares. No entanto, os inoculantes bacterianos ainda têm espaço para expansão, ocupando uma área menor do que os fungicidas biológicos, aplicados em cerca de 8 milhões de hectares.

A tendência é de crescimento acelerado, impulsionado por:

  • Busca por maior produtividade com menor impacto ambiental
  • Fortalecimento de políticas públicas de incentivo à agricultura regenerativa

O avanço no uso de inoculantes biológicos representa um marco para a agricultura brasileira, oferecendo caminhos promissores para uma produção mais eficiente, sustentável e adaptada aos desafios do futuro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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