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Irrigação e desafios climáticos são destaques na Abertura Oficial da Colheita da Noz-Pecã
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A 7ª Abertura Oficial da Colheita da Noz-Pecã foi oficialmente lançada nesta quarta-feira (2), em Porto Alegre (RS), durante coletiva de imprensa promovida pelo Instituto Brasileiro de Pecanicultura (IBPecan) na sede da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi). O evento está agendado para o dia 11 de abril, na cidade de Glorinha (RS), e terá como palco a propriedade da agroindústria Nozes Glorinha, administrada por Karion Minussi.
A escolha do local se deu pela infraestrutura adequada, incluindo um pavilhão coberto de 750 metros quadrados, que garante a realização das atividades mesmo em caso de chuva, além do fácil acesso. Nozes Glorinha possui um pomar com 3,08 mil nogueiras, com idades entre cinco e nove anos.
Durante o lançamento, o presidente do IBPecan, Claiton Wallauer, destacou que o Rio Grande do Sul concentra 90% das nogueiras de pecan do Brasil, conforme dados da Emater. Segundo ele, a cultura é essencial para a agricultura familiar e mobiliza milhares de pequenos produtores que fornecem suas colheitas para indústrias de processamento. “Este evento valoriza toda a cadeia produtiva e conta com o apoio do Governo do Estado para fortalecer o setor”, afirmou.
Wallauer ressaltou ainda que a programação do evento abordará temas fundamentais para os produtores, como o manejo da pecan e a irrigação, frente às dificuldades causadas pela escassez de chuvas. Ele lembrou que o IBPecan, em seus sete anos de atuação, tem trabalhado para apoiar os agricultores e fomentar o crescimento da cultura da pecan no Estado. Atualmente, o Rio Grande do Sul possui 7 mil hectares cultivados com nogueiras, dos quais 5,5 mil estão em produção, envolvendo cerca de 1,6 mil famílias. A expectativa é que a safra deste ano alcance 5 mil toneladas, um volume positivo considerando os desafios climáticos de 2024.
O anfitrião do evento, Karion Minussi, relembrou as dificuldades enfrentadas pelo setor após as enchentes de maio e junho de 2024, que impactaram a produção. No entanto, destacou que as condições climáticas em 2025 têm sido mais favoráveis e que o apoio do Governo Estadual ajudou os produtores a mitigar os impactos das adversidades climáticas. “Queremos mostrar a importância da cultura da pecan, desde o plantio até a colheita, com o suporte técnico da Emater”, afirmou. Ele também reforçou a relevância da pecan no cenário internacional, lembrando que o Brasil ocupa a quarta posição entre os maiores produtores mundiais e que o Rio Grande do Sul é o principal polo do país.
O prefeito de Glorinha, Eduardo Pires, destacou a importância do evento para a economia do município e reafirmou o compromisso da administração municipal em apoiar os setores agrícola e industrial. “Glorinha é estratégica por sua proximidade com Porto Alegre e seguirá investindo no desenvolvimento dessas atividades”, afirmou.
Já o secretário da Agricultura do Estado, Clair Kuhn, ressaltou que os produtores rurais são prioridade para o governo gaúcho. “A colheita é um momento de celebração, pois representa a superação de desafios e o reconhecimento do trabalho de cada produtor”, disse. Kuhn enfatizou ainda que a parceria entre o governo e a Emater é essencial para ampliar a assistência técnica aos agricultores. Segundo ele, cerca de 35% das áreas de produção de pecan ainda não contam com esse suporte especializado. “Nosso objetivo é incentivar não apenas a irrigação, mas também a diversificação das culturas dentro das propriedades, garantindo maior segurança e sustentabilidade para os produtores”, concluiu.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Exportação recorde não impede queda do frango vivo no mercado interno
O Brasil caminha para estabelecer um novo recorde nas exportações de carne de frango em 2026, mas o avanço das vendas externas ainda não foi suficiente para absorver o aumento da oferta. Com mais animais prontos para o abate, os preços do frango vivo recuaram em algumas das principais regiões produtoras, enquanto as cotações dos cortes permaneceram praticamente estáveis no atacado.
A pressão ocorre em uma cadeia que produziu 15,3 milhões de toneladas de carne de frango em 2025 e faturou cerca de R$ 50 bilhões somente com exportações, considerando a receita de R$ 9,8 bilhões convertida pelo câmbio de R$ 5,10. O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores produtores mundiais e lidera o comércio internacional da proteína.
No ano passado, o país exportou o volume recorde de 5,324 milhões de toneladas. Para 2026, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta embarques de até 5,5 milhões de toneladas, além de uma produção próxima de 15,6 milhões de toneladas. A disponibilidade no mercado interno pode alcançar 10,1 milhões de toneladas.
O avanço da oferta já aparece nos abates. No primeiro trimestre deste ano, o peso das carcaças chegou a 3,73 milhões de toneladas, crescimento de 6,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Paraná respondeu por 35% da produção, seguido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.
A ampliação dos abates ajuda a explicar por que os preços não acompanham o desempenho das exportações. A demanda internacional segue aquecida, mas o mercado doméstico precisa absorver cerca de dois terços de toda a carne produzida no país. O consumo estimado para 2026 é de 47,3 quilos por habitante, um dos maiores do mundo, mas ainda insuficiente para provocar uma reação mais forte diante da oferta atual.
Levantamento mostra que o frango vivo foi negociado a R$ 5,20 por quilo em São Paulo. No oeste do Paraná, a referência ficou em R$ 4,60. Goiás e Mato Grosso do Sul registraram queda de R$ 4,65 para R$ 4,55, enquanto Minas Gerais e Distrito Federal passaram de R$ 4,70 para R$ 4,60 por quilo.
No Sul, as referências ficaram em R$ 4,75 no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os preços mais elevados continuam concentrados no Nordeste e no Norte, variando de R$ 6,80 no Ceará a R$ 7,20 no Pará. As diferenças refletem custos logísticos, disponibilidade regional de aves e características próprias de cada mercado.
No atacado paulista, o peito congelado permaneceu em R$ 8,50 por quilo, a coxa em R$ 6,90 e a asa em R$ 11. Os cortes resfriados foram negociados por R$ 8,60, R$ 7 e R$ 11,10, respectivamente. A estabilidade, porém, não representa recuperação, porque as indústrias encontram dificuldade para elevar os preços diante da quantidade de carne disponível.
O principal instrumento para ajustar o mercado é o controle dos alojamentos. O termo corresponde ao número de pintinhos de um dia colocados nas granjas para engorda. Como as aves chegam ao peso de abate em aproximadamente 40 a 45 dias, um alojamento elevado hoje se transforma em maior oferta de carne poucas semanas depois.
A redução dos lotes permite diminuir gradualmente a quantidade de animais disponíveis e recuperar o equilíbrio entre produção, consumo e exportações. O ajuste precisa ser planejado porque uma redução excessiva também pode provocar falta de produto e aumento repentino dos preços no futuro.
A pressão não alcança todos os avicultores da mesma maneira. No sistema de integração, predominante nas principais regiões produtoras, a indústria normalmente fornece pintinhos, ração, medicamentos e assistência técnica. O produtor entra com as instalações, mão de obra, energia e manejo, recebendo conforme o desempenho do lote e as condições estabelecidas em contrato.
Por isso, a cotação do frango vivo não corresponde diretamente ao valor recebido por todos os integrados. Ainda assim, o excesso de oferta reduz a rentabilidade geral da cadeia e pode afetar o ritmo dos alojamentos, a remuneração dos contratos e a capacidade das empresas de repassar custos. O impacto é mais direto sobre produtores independentes, que compram os insumos e comercializam os animais por conta própria.
A disponibilidade de milho e farelo de soja ajuda a conter parte da pressão. Os dois produtos formam a base da ração e representam a maior parcela do custo de produção. Com oferta elevada de grãos, a alimentação das aves está menos onerosa do que em períodos de escassez, evitando uma deterioração maior das margens.
No comércio exterior, os embarques continuam funcionando como principal sustentação do setor. Nos primeiros 13 dias úteis de julho, o Brasil exportou 299,2 mil toneladas de carne de aves e miudezas, com receita equivalente a R$ 2,73 bilhões. A média diária cresceu 41% em relação a julho de 2025, embora o preço médio tenha recuado 1,3%.
O cenário indica que a avicultura brasileira permanece competitiva e deve ampliar sua presença internacional. No curto prazo, porém, o recorde das exportações terá de ser acompanhado por um controle mais preciso dos alojamentos. Sem esse ajuste, a expansão da produção continuará chegando ao mercado antes que a demanda consiga absorvê-la, mantendo os preços do frango vivo sob pressão.
Fonte: Pensar Agro


