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Licitação da Índia e possível retomada das exportações chinesas podem pressionar preços globais da ureia

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Na última semana, a Índia anunciou uma nova licitação para a importação de ureia, movimento esperado pelo mercado global devido à proximidade da safra Kharif, um dos períodos mais importantes para a aplicação de fertilizantes no país asiático. Segundo o relatório semanal de fertilizantes da StoneX, essa decisão não surpreendeu investidores e analistas do setor.

Impacto na alta dos preços globais da ureia

A confirmação da licitação indiana reforça a tendência de alta nos preços globais da ureia, já que a Índia é uma das maiores importadoras mundiais de fertilizantes nitrogenados.

“O mercado acompanha atentamente essas licitações porque a Índia pode adquirir uma parte significativa dos estoques disponíveis, pressionando os preços para cima, especialmente em um cenário global de oferta restrita”, explica Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

Restrições na produção global agravam a oferta limitada

A escassez na oferta global de ureia é agravada por restrições na produção, como as que ocorrem no Egito, onde cortes no fornecimento de gás natural reduziram a fabricação de fertilizantes nitrogenados, aumentando ainda mais a pressão sobre os preços.

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Expectativa pela retomada das exportações chinesas

Enquanto isso, o mercado monitora o possível retorno das exportações chinesas de ureia, que pode trazer efeitos opostos ao reduzir os preços globais. De acordo com Pernías, alguns fornecedores chineses já enviaram cargas para inspeção aduaneira, com possibilidade de liberação para exportação.

“Existe, porém, grande incerteza sobre os prazos e volumes que poderão ser efetivamente exportados, e a influência chinesa no mercado deve ocorrer, no melhor cenário, a partir de meados de junho”, comenta o analista.

Impactos para o mercado brasileiro e a safra de verão

No Brasil, esses movimentos internacionais adicionam incertezas em um momento crucial, pois a segunda metade do ano marca o início dos preparativos para a safra de verão, quando os custos de produção começam a ser definidos.

“Nesse cenário, a combinação entre a licitação indiana e as indefinições sobre as exportações da China pode aumentar a volatilidade e dificultar a previsibilidade dos preços dos fertilizantes para os produtores brasileiros”, conclui Tomás Pernías.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Embrapa investe quase R$ 60 milhões em nova unidade para o Matopiba

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A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) vai investir R$ 58,9 milhões na reestruturação da sua unidade no Maranhão, em um movimento que reforça a presença da instituição no Matopiba — região que se consolidou como a principal fronteira de expansão agrícola do país.

O aporte inclui R$ 43,9 milhões do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), além de R$ 10 milhões do Governo do Maranhão e R$ 5 milhões da bancada federal do estado.

A nova sede será instalada no campus Maracanã do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), em São Luís, e integra o processo de reorganização da Embrapa no estado, que também prevê a contratação de 50 novos empregados aprovados em concurso público.

O projeto está inserido em uma estratégia mais ampla de fortalecimento da pesquisa aplicada ao Cerrado e à Amazônia Legal, com foco especial no Matopiba — que abrange áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

A região representa hoje cerca de 33% do território maranhense e se consolidou como uma das áreas mais dinâmicas da expansão agrícola brasileira, com forte avanço de soja, milho e algodão nas últimas duas décadas.

Embora o Brasil já seja o maior produtor mundial de soja, com produção próxima de 180 milhões de toneladas por safra, o crescimento recente da oferta tem sido puxado justamente por novas áreas do Cerrado, com destaque para o Matopiba.

No Maranhão, esse processo convive com forte dualidade: de um lado, o avanço da agricultura moderna e mecanizada; de outro, indicadores sociais ainda baixos, com o estado entre os menores Índices de Desenvolvimento Humano do país e elevada concentração de pobreza rural.

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A nova estrutura da Embrapa será equipada com laboratórios de alta complexidade, incluindo centrais analíticas, unidades de bioinsumos, agroindústria piloto e um laboratório voltado à redução de emissões de metano na pecuária — o primeiro do tipo na Amazônia e no Nordeste.

O Matopiba — formado por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — é hoje uma das áreas de maior expansão agrícola do Brasil e já reúne uma produção estimada em cerca de 32 a 35 milhões de toneladas de grãos por safra, segundo levantamentos setoriais recentes, com forte concentração em soja, milho e algodão.

Na soja, principal cultura da região, a participação do Matopiba já gira em torno de 10% a 14% da produção brasileira, dependendo da safra e da metodologia de cálculo, com crescimento acelerado sobre áreas de Cerrado antes consideradas de baixa aptidão agrícola.

O Brasil, maior produtor global de soja, colheu cerca de 180 milhões de toneladas na safra mais recente, segundo dados consolidados da Conab. Nesse contexto, o avanço do Matopiba tem sido um dos principais vetores de aumento de oferta, especialmente nas últimas duas décadas.

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Além da soja, a região tem ganhado relevância na produção de milho segunda safra e algodão, com destaque para áreas do oeste da Bahia e sul do Maranhão, onde a agricultura altamente mecanizada se consolidou com uso intensivo de tecnologia, correção de solo e integração de sistemas produtivos.

Apesar do avanço, o Matopiba ainda concentra gargalos estruturais importantes. Logística de escoamento, dependência de corredores como Norte-Sul e Arco Norte, e limitações de armazenagem seguem como pontos críticos que impactam o custo final da produção e a competitividade em relação a regiões tradicionais como Centro-Oeste e Sul.

É nesse cenário que a ampliação da presença da Embrapa ganha peso estratégico. A instituição é responsável por desenvolver tecnologias adaptadas ao Cerrado, como cultivares mais tolerantes a solos ácidos, sistemas de plantio direto e manejo de baixa emissão de carbono, fundamentais para sustentar a expansão agrícola na região.

A nova estrutura no Maranhão deve reforçar esse eixo de pesquisa aplicada, aproximando o desenvolvimento tecnológico das áreas de expansão produtiva, onde o crescimento da agricultura ocorre em ritmo mais acelerado do país.

Na prática, o Matopiba já se consolidou como uma das últimas grandes fronteiras agrícolas ainda em expansão no território nacional, com papel direto na ampliação da oferta de grãos e na sustentação do crescimento das exportações do agronegócio brasileiro.


Fonte: Pensar Agro

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