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LumiBot: robô pioneiro usa luz para diagnóstico precoce de doenças em algodão e soja
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Um robô autônomo desenvolvido pela Embrapa Instrumentação (SP), em parceria com a Cooperativa Mista de Desenvolvimento do Agronegócio (Comdeagro), de Mato Grosso, utiliza luz ultravioleta-visível para diagnosticar precocemente nematoides em plantas de algodão e soja. A tecnologia permite identificar infestações antes do aparecimento de sintomas, possibilitando aplicação localizada de defensivos químicos, reduzindo custos e impactos ambientais.
Diagnóstico precoce com taxas de acerto acima de 80%
O robô, chamado LumiBot, é capaz de gerar imagens de fluorescência das folhas em ambiente escuro, analisadas por câmeras científicas e algoritmos de aprendizado de máquina. Segundo a pesquisadora Débora Milori, coordenadora do estudo, os modelos desenvolvidos apresentaram taxas de acerto superiores a 80% e conseguem diferenciar estresse hídrico de infecções por nematoides.
Atualmente, o protótipo opera em casa de vegetação, registrando cerca de sete mil imagens em três anos de pesquisa. A próxima etapa é adaptar o sistema para operação em campo, podendo ser acoplado a pulverizadores ou veículos rover.
Apresentação do LumiBot no Siagro 2025
O robô será exibido no Simpósio Nacional de Instrumentação Agropecuária (Siagro), que acontece de 14 a 16 de outubro, no Laboratório de Referência Nacional em Agricultura de Precisão (Lanapre), em São Carlos (SP). A expectativa é mostrar como a tecnologia pode promover agricultura de precisão e reduzir o uso de químicos.
Benefícios ambientais e econômicos
O método tradicional de controle de nematoides envolve aplicação preventiva de nematicidas, com custos elevados e eficácia variável dependendo do solo. Já o LumiBot possibilita monitoramento direcionado, aplicando defensivos apenas nas áreas infestadas.
Segundo Sérgio Dutra, consultor da Comdeagro, o diagnóstico precoce permite agilidade na intervenção, preserva a qualidade da fibra de algodão e aumenta a rentabilidade do produtor, além de reduzir impactos ambientais.
Como funciona a tecnologia do LumiBot
O sistema utiliza Imagem de Fluorescência Induzida por LED (LIFI), técnica que excita compostos moleculares das folhas — como clorofila e metabólitos secundários — emitindo fluorescência capturada pelas câmeras.
- Captura rápida: sete segundos por imagem, simultaneamente à iluminação.
- Processamento inteligente: algoritmos treinados identificam padrões associados a doenças específicas.
- Análise de estresse: identifica estresses bióticos (fungos, vírus, bactérias) e abióticos (nutricionais ou hídricos).
O LumiBot se desloca por trilhos entre as fileiras de plantas, armazenando as imagens em dispositivos SSD portáteis para posterior análise.
Equipe multidisciplinar
O projeto envolve pesquisadores e estudantes de diferentes áreas:
- Tiago Santiago: análise de dados e treinamento de modelos de aprendizado de máquina.
- Vinícius Rufino: instrumentação e análise de dados.
- Julieth Onofre: instrumentação óptica.
- Gabriel Lupetti: acompanhamento de nematoides e processamento das plantas.
- Kaique Pereira: manutenção das plantas e contagem de nematoides.
Prova de conceito e desenvolvimento do protótipo
O projeto recebeu suporte da Embrapii Itech-Agro, focada no desenvolvimento de tecnologias para o agronegócio, e contou com a parceria da empresa Equitron Automação, de São Carlos (SP). A prova de conceito visa reduzir custos e aumentar a eficiência na cadeia produtiva de algodão e soja.
Nematoides: uma ameaça à produtividade
Os nematoides são vermes microscópicos que atacam raízes, comprometendo absorção de água e nutrientes, resultando em perdas significativas na produtividade.
- Algodão: o nematoide Rotylenchulus reniformis causa redução de rendimentos, com relatos de perdas de até 50% a 60% em áreas extremas, estimando-se prejuízo anual superior a R$ 4 bilhões em Mato Grosso.
- Soja: perdas estimadas em R$ 27,7 bilhões, de acordo com a Sociedade Brasileira de Nematologia (SBN), Syngenta e consultoria Agroconsult.
Segundo Andressa Cristina Zamboni Machado, presidente da SBN, os nematoides afetaram praticamente todas as culturas agrícolas do país, sendo frequentemente subdiagnosticados e subgerenciados.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Aditivos energéticos ganham protagonismo e impulsionam competitividade da suinocultura brasileira
A busca por maior eficiência produtiva e competitividade tem levado a suinocultura brasileira a intensificar o uso de aditivos energéticos nas formulações de ração. Em um cenário de genética avançada, alto desempenho zootécnico e margens cada vez mais apertadas, a energia passa a ser tratada como elemento estratégico dentro dos sistemas de produção.
Mais do que um componente básico da dieta, os aditivos energéticos vêm se consolidando como ferramenta importante para melhorar o aproveitamento nutricional, sustentar o desempenho dos animais e otimizar o retorno econômico da atividade.
Energia na dieta é base do desempenho dos suínos, afirma especialista
De acordo com o doutor em Nutrição e Produção Animal e zootecnista da Quimtia Brasil, Gabriel Villela Dessimoni, a energia é o principal combustível metabólico dos suínos e influencia diretamente todas as funções produtivas.
“A energia é o principal ‘combustível’ do suíno. Sem ela, nenhuma engrenagem biológica funciona adequadamente. O animal precisa de energia para manutenção, crescimento, deposição de carne, resposta imunológica e regulação térmica”, explica o especialista.
Aditivos energéticos ampliam eficiência da dieta e desempenho zootécnico
Os aditivos energéticos utilizados na suinocultura são formulações complexas compostas por diferentes ingredientes e aditivos zootécnicos, desenvolvidos para atuar em duas frentes principais: fornecer energia de rápida disponibilidade e aumentar a eficiência de aproveitamento energético da dieta.
Na prática, essa tecnologia se reflete em ganhos produtivos como maior ganho de peso diário e melhora na conversão alimentar, indicadores essenciais para a rentabilidade da atividade.
Segundo Dessimoni, esses produtos podem apresentar diferentes origens e composições.
“Algumas formulações utilizam derivados de óleos vegetais, outras incluem ingredientes de alta densidade energética, como subprodutos da indústria de alimentos. Também é comum o uso de ácidos graxos, lecitinas e metabólitos naturais em diferentes combinações”, detalha.
Estratégias nutricionais variam conforme a fase produtiva
O uso de aditivos energéticos na suinocultura é ajustado de acordo com cada fase de produção, respeitando as exigências fisiológicas dos animais.
Na fase de creche, o foco está no suporte energético de leitões desmamados, que apresentam sistema digestivo imaturo e alta demanda metabólica. Já na lactação, a prioridade é atender a elevada exigência energética das matrizes, fundamentais para a produção de leite e manutenção da condição corporal.
Nas fases de crescimento e terminação, a estratégia busca sustentar o alto desempenho zootécnico, com foco em ganho de peso eficiente e melhor conversão alimentar até o abate.
Deficiência energética compromete desempenho e aumenta custos de produção
A falta de energia na dieta gera impactos diretos no desempenho dos animais e na rentabilidade do sistema produtivo. Segundo o especialista, os efeitos são perceptíveis tanto no desempenho zootécnico quanto nos custos da produção.
No animal, a deficiência energética resulta em menor ganho de peso, pior conversão alimentar, redução da resposta imunológica e maior desuniformidade dos lotes.
Para o produtor, isso significa maior tempo até o abate, aumento no consumo total de ração, elevação do custo por animal e menor eficiência econômica por quilo produzido.
Impacto é ainda mais crítico em matrizes lactantes
Nas fêmeas em lactação, a deficiência de energia pode gerar consequências mais severas. Entre os principais efeitos estão a redução da produção de leite, comprometimento do desenvolvimento da leitegada, maior mobilização de reservas corporais e impacto negativo no desempenho reprodutivo futuro.
Eficiência energética melhora retorno econômico da produção
Apesar do aumento no custo de formulação, o uso correto de aditivos energéticos tende a gerar retorno econômico positivo, graças ao ganho de eficiência produtiva.
“Quando o aditivo energético melhora a conversão alimentar e o aproveitamento da dieta, o custo efetivo por quilo de carne produzida tende a cair”, afirma Dessimoni.
Com isso, a adoção dessa tecnologia reforça o papel da nutrição de precisão como ferramenta essencial para elevar a competitividade da suinocultura brasileira em um cenário de maior exigência produtiva e econômica.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio


