CUIABÁ
Pesquisar
Close this search box.

AGRONEGOCIOS

Mercado chinês tem forte queda após reunião do Politburo e dados industriais fracos

Publicados

AGRONEGOCIOS

Os principais índices acionários da China encerraram o pregão desta quinta-feira (31) com expressivas quedas, refletindo a frustração dos investidores com a falta de estímulos econômicos após a reunião do Politburo, além da divulgação de dados negativos do setor industrial.

Principais índices recuam com força

O índice SSEC, da Bolsa de Xangai, registrou queda de 1,18%, enquanto o CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, caiu 1,82%. Ambos registraram as maiores quedas diárias desde 7 de abril.

Esses recuos interrompem uma sequência de ganhos que, em julho, levou o índice de Xangai a subir 3,7%, marcando o melhor desempenho mensal desde setembro de 2023 e o terceiro mês consecutivo de valorização.

Reunião do Politburo decepciona mercado

A tão aguardada reunião do Politburo, realizada nesta semana, trouxe poucas novidades em relação a medidas econômicas. Os líderes chineses reafirmaram o compromisso com o crescimento e com a regulação da “concorrência desordenada”, mas não sinalizaram qualquer urgência em aplicar novos estímulos.

Dados industriais agravam o cenário

A situação foi agravada pela divulgação de dados que apontam contração da atividade industrial pelo quarto mês consecutivo em julho. A fraqueza da demanda interna e externa reforça as preocupações com o crescimento da economia chinesa.

Leia Também:  CMN pode bloquear acesso ao crédito rural para produtores a partir de 2026

De acordo com Jason Chan, estrategista sênior de investimentos do Bank of East Asia, “os investidores estão realizando lucros, diante da falta de novos catalisadores positivos no curto prazo”.

Setores mais afetados

O setor imobiliário liderou as perdas, com queda de 4,3%, a maior baixa em quase quatro meses. A retração reflete a ausência de menções significativas ao setor na reunião do Politburo.

As ações ligadas a commodities, como aço, carvão e materiais básicos, também foram duramente impactadas, registrando perdas entre 3% e 4%.

Inteligência artificial limita perdas

Na contramão do mercado, o setor de inteligência artificial apresentou valorização de 0,5%, após o governo chinês demonstrar preocupações com riscos de segurança nos chips H20 da Nvidia, o que impulsionou a demanda por fabricantes de chips locais.

Desempenho dos principais mercados asiáticos

Confira o desempenho dos índices nas principais praças asiáticas nesta quinta-feira:

  • Tóquio (Nikkei): +1,02%, a 41.069 pontos
  • Hong Kong (Hang Seng): -1,60%, a 24.773 pontos
  • Xangai (SSEC): -1,18%, a 3.573 pontos
  • Shenzhen/Xangai (CSI300): -1,82%, a 4.075 pontos
  • Seul (Kospi): -0,28%, a 3.245 pontos
  • Taiwan (Taiex): +0,34%, a 23.542 pontos
  • Cingapura (Straits Times): -1,08%, a 4.173 pontos
  • Sydney (S&P/ASX 200): -0,16%, a 8.742 pontos
Leia Também:  Guerra EUA x China: Brasil vira peça-chave e faz planos para um corredor transoceânico

A combinação de expectativas frustradas com o Politburo, fraqueza industrial persistente e incertezas nas relações comerciais com os EUA desenha um cenário de cautela para os investidores na Ásia, especialmente na China.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Propaganda

AGRONEGOCIOS

Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

Publicados

em

A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

Leia Também:  Embrapa leva inovação, café de alta produtividade e agro sustentável

Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

Leia Também:  CMN pode bloquear acesso ao crédito rural para produtores a partir de 2026

A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

Continue lendo

CUIABÁ

POLÍCIA

POLÍTICA MT

MATO GROSSO

MAIS LIDAS DA SEMANA