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Mercado da soja oscila entre demanda aquecida, pressão cambial e entraves logísticos no Brasil
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O mercado global da soja segue operando em um ambiente de equilíbrio entre fatores de sustentação e de pressão. Enquanto a demanda internacional mantém firmes os preços do farelo e do grão, o óleo de soja apresenta volatilidade influenciada pelo comportamento do petróleo e por ajustes técnicos. No Brasil, a maior oferta, a valorização do real e os gargalos logísticos impactam diretamente a formação de preços e o ritmo de comercialização.
Demanda internacional sustenta farelo e grão
A demanda externa aquecida garantiu suporte às cotações da soja em grão e, principalmente, do farelo no mercado internacional. O derivado liderou os ganhos recentes, com valorização superior a 5%, impulsionado pelo consumo interno recorde nos Estados Unidos e pelo bom desempenho das exportações.
A moagem elevada no país norte-americano, estimulada pela procura por óleo destinado à produção de biodiesel, também reforça a sustentação do complexo soja. Soma-se a isso novas vendas externas de farelo, ajustes na produção da Argentina e condições climáticas ainda desafiadoras em algumas regiões dos Estados Unidos.
Óleo de soja apresenta volatilidade com influência do petróleo
Diferentemente do farelo e do grão, o óleo de soja registrou momentos de queda no mercado internacional, pressionado pela desvalorização do petróleo em parte do período e pela realização de lucros após altas acumuladas.
No início desta semana, porém, o cenário mudou, com o derivado voltando a subir acompanhando a valorização do petróleo, impulsionada por tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã. Esse movimento adiciona volatilidade ao mercado e reforça a influência do cenário externo sobre os preços.
Mercado internacional opera sem direção definida
Apesar das oscilações, o mercado da soja segue lateralizado no curto prazo, com as cotações operando dentro de um intervalo bem delimitado na Bolsa de Chicago. O cenário reflete o equilíbrio entre fatores de alta e de baixa.
Entre os principais pontos de pressão estão:
- Chuvas nos Estados Unidos favorecendo o plantio da nova safra;
- Demanda chinesa abaixo do esperado;
- Ritmo mais lento das exportações norte-americanas;
- Forte competitividade do Brasil no mercado global.
Por outro lado, relatórios recentes indicam estoques estáveis, com ajustes nas exportações compensados por maior esmagamento, configurando um ambiente de incerteza e cautela.
Início de semana registra leves altas em Chicago
Os contratos futuros da soja iniciaram a semana com leves altas na Bolsa de Chicago, sustentados principalmente pela valorização do óleo de soja. Ainda assim, os ganhos são moderados, refletindo a postura cautelosa dos investidores.
O mercado segue atento aos desdobramentos de fatores como:
- Tensões geopolíticas no Oriente Médio;
- Oscilações nos preços do petróleo;
- Evolução do plantio nos Estados Unidos;
- Novos dados de oferta e demanda global.
Exportações brasileiras mantêm ritmo elevado
No Brasil, as exportações continuam sendo um dos principais destaques. Em março, o país embarcou 14,51 milhões de toneladas de soja em grão, mais que o dobro do volume registrado em fevereiro, embora levemente abaixo do observado no mesmo mês do ano anterior.
O farelo de soja também apresentou desempenho expressivo, com embarques recordes para o mês, totalizando 1,92 milhão de toneladas. Já o óleo somou 176,91 mil toneladas exportadas, com recuo em relação ao mês anterior, reflexo da menor demanda de países como Índia e Uruguai, além da ausência da China.
Câmbio e avanço da colheita pressionam preços internos
Mesmo com o bom desempenho das exportações, os preços do complexo soja no mercado brasileiro registraram pequenas quedas recentes. O movimento é resultado da combinação entre maior oferta interna, com o avanço da colheita, e a valorização do real frente ao dólar.
Esse cenário reduz a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional e limita reações mais consistentes nos preços domésticos.
Gargalos logísticos seguem como desafio no país
A logística continua sendo um dos principais entraves para o setor no Brasil. Em diferentes estados produtores, dificuldades de armazenagem e custos elevados de frete impactam o escoamento da safra.
No Rio Grande do Sul, a colheita avança entre 38% e 45%, com limitações de armazenagem e fretes pressionados pelo preço do diesel. No Paraná, com 96% da área colhida, a saturação dos armazéns e os problemas de transporte retardam a comercialização.
Em Mato Grosso, a colheita está praticamente concluída, mas os custos logísticos elevados e a falta de infraestrutura adequada aumentam o risco de perdas. Situação semelhante ocorre em Mato Grosso do Sul, onde produtores adotam postura mais estratégica, retendo parte da produção.
Santa Catarina apresenta um cenário mais equilibrado, com a integração entre produção e agroindústria sustentando os preços e reduzindo impactos logísticos.
Perspectiva é de cautela no curto prazo
Diante de um cenário marcado por variáveis externas e internas, a tendência é de manutenção da volatilidade no curto prazo. O mercado segue sensível a fatores como clima, geopolítica, câmbio e logística.
Nesse contexto, a estratégia predominante entre os agentes é a realização de operações de curto prazo, aproveitando oscilações dentro de faixas já estabelecidas, enquanto aguardam novos direcionadores mais consistentes para o mercado da soja.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Setor cooperativo, que movimenta R$ 758 bilhões, ganha acesso a fundos regionais
As 4.384 cooperativas brasileiras ganharam uma nova alternativa para financiar projetos de infraestrutura, armazenagem, industrialização e expansão das atividades econômicas. A Lei Complementar 231/2026 passou a permitir que essas organizações utilizem recursos dos fundos de desenvolvimento da Amazônia, do Nordeste e do Centro-Oeste.
A mudança, defendida pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) durante a tramitação no Congresso, alcança um setor que reúne 25,8 milhões de cooperados e gera mais de 578 mil empregos diretos. Segundo o levantamento mais recente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), referente a 2024, as cooperativas movimentaram R$ 757,9 bilhões e acumulavam R$ 1,39 trilhão em ativos.
O número de cooperativas contabilizadas pela OCB caiu de 4.509 para 4.384 entre os dois levantamentos mais recentes. O movimento, porém, não representa uma retração econômica do cooperativismo. No mesmo período, a quantidade de cooperados aumentou de 23,45 milhões para 25,8 milhões, enquanto os empregos diretos avançaram de 550,6 mil para 578 mil. O volume movimentado cresceu 9,5%, passando de R$ 692 bilhões para R$ 757,9 bilhões.
No agronegócio, a presença das cooperativas é ainda mais significativa. O país reúne 1.172 cooperativas agropecuárias, formadas por aproximadamente 1,1 milhão de produtores e responsáveis por 268 mil empregos diretos. O ramo movimentou R$ 438,3 bilhões em 2024, o equivalente a quase 58% de todo o cooperativismo nacional.
Essas organizações respondem por mais da metade da originação de grãos e fibras no Brasil. Também possuem participação importante nas cadeias de leite, café, carnes, frutas e hortaliças, principalmente por reunir pequenos e médios produtores que, individualmente, teriam menor capacidade de armazenar, industrializar e comercializar a produção.
A nova legislação inclui expressamente as cooperativas entre os possíveis beneficiários do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA), do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO). Até então, a ausência dessa previsão limitava a apresentação direta de projetos por essas organizações.
Na prática, uma cooperativa poderá buscar financiamento para construir ou ampliar silos, armazéns frigorificados, unidades de beneficiamento, fábricas de ração, laticínios, frigoríficos e agroindústrias. Os recursos também podem apoiar investimentos em energia, irrigação, logística e outras estruturas compartilhadas pelos cooperados.
O financiamento não será liberado automaticamente. As cooperativas precisarão apresentar projetos técnica e economicamente viáveis, enquadrados nas prioridades de desenvolvimento de cada região. As propostas serão avaliadas pelas superintendências regionais e pelos agentes financeiros responsáveis pela operação dos recursos.
Os três fundos não devem ser confundidos com o FNO, o FNE e o FCO, linhas constitucionais já utilizadas no crédito rural. O FDA, o FDNE e o FDCO são voltados principalmente a empreendimentos estruturantes, com potencial para gerar empregos, ampliar a atividade econômica e reduzir desigualdades regionais.
Para a FPA, a mudança permite que os recursos cheguem a municípios nos quais o crédito tradicional ainda é restrito. A organização coletiva também possibilita que produtores dividam custos e executem projetos que dificilmente seriam viáveis de forma individual.
Presidente da FPA, o deputado Pedro Lupion afirmou que o acesso aos fundos amplia a capacidade de investimento das cooperativas e fortalece a geração de renda no interior. O vice-presidente da frente na Câmara, Arnaldo Jardim, destacou que a medida favorece projetos maiores de industrialização e comercialização, com maior agregação de valor à produção.
A Lei Complementar 231/2026 não cria novos gastos nem reserva uma parcela dos fundos exclusivamente para o cooperativismo. A mudança amplia o grupo de organizações autorizadas a disputar os recursos já disponíveis, conforme as regras de cada programa e a qualidade dos projetos apresentados.
Para os municípios produtores, o principal efeito esperado é a possibilidade de transformar uma parcela maior da produção no próprio interior. Em vez de apenas vender grãos, leite, café ou animais, as cooperativas poderão investir no armazenamento e na industrialização, mantendo empregos, renda e arrecadação mais próximos das propriedades rurais.
Fonte: Pensar Agro


