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Mercado de arroz inicia 2026 com negociações travadas e exportações como principal saída
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O mercado brasileiro de arroz segue sem sinais claros de reação na primeira quinzena de janeiro, refletindo um cenário de baixa liquidez e rigidez nas operações. No Rio Grande do Sul — principal estado produtor do país —, as negociações continuam praticamente paralisadas, com poucos negócios sendo concretizados.
Segundo o analista e consultor da Safras & Mercado, Evandro Oliveira, a movimentação no setor permanece limitada e concentrada no cumprimento de contratos relacionados aos leilões de Prêmio para Escoamento de Produto (PEP) e Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro) realizados no período do Natal. “Mesmo esses contratos estão cercados por incertezas operacionais e logísticas, o que impede qualquer impacto estrutural mais relevante sobre os preços”, explica.
Demanda dividida e dificuldade de repasse no varejo
Do lado da demanda, o cenário é de forte dualidade. Alguns compradores aceitam pagar prêmios pontuais para recompor estoques, enquanto outros se retraem, aguardando preços mais baixos. “Os agentes estão cautelosos, já que o varejo ainda enfrenta dificuldades para repassar os custos ao consumidor final”, afirma Oliveira.
O resultado é um mercado com pouca fluidez e sem impulso significativo para retomada. O consumo interno segue enfraquecido, e o setor produtivo tenta equilibrar os custos de armazenagem e transporte em meio à lentidão nas vendas.
Exportações ganham força, mas câmbio limita competitividade
Diante da fraca demanda doméstica, as exportações continuam sendo a principal alternativa para o escoamento do excedente. “As cotações internacionais seguem mais atrativas do que as internas, o que mantém o foco no mercado externo”, destaca o analista.
No entanto, a valorização do real — com o dólar em torno de R$ 5,35 — reduz a competitividade das vendas brasileiras no exterior. Ao mesmo tempo, o câmbio mais favorável torna as importações mais acessíveis, o que aumenta a pressão sobre o mercado interno e restringe as margens de lucro do produtor.
Preços estáveis, mas longe da recuperação
Apesar da lentidão nas negociações, os preços do arroz apresentaram leve variação. No dia 15 de janeiro, a saca de 50 quilos de arroz (58/62% de grãos inteiros, pagamento à vista) foi cotada, em média, a R$ 52,43 no Rio Grande do Sul — alta de 0,11% em relação à semana anterior. No comparativo com o mesmo período de dezembro, houve queda de 0,21%, enquanto em relação a janeiro de 2025, a desvalorização chega a 47,85%.
Com o consumo interno retraído e o câmbio desfavorável às exportações, o setor inicia 2026 em compasso de espera, aguardando fatores externos ou políticas públicas que possam destravar o mercado e sustentar uma recuperação mais consistente dos preços.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Abelhas elevam produtividade da soja em até 18%
A presença de abelhas nas proximidades das lavouras pode aumentar, em média, 13% a produtividade da soja, segundo estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Em alguns experimentos, o ganho chegou a 18%, resultado obtido sem ampliação da área plantada.
Embora a soja seja considerada uma planta capaz de se autopolinizar, as visitas das abelhas às flores melhoram o processo de fecundação. Os efeitos podem aparecer no aumento do número de grãos por vagem, na redução de vagens vazias e, ao final do ciclo, na quantidade colhida por hectare.
Os percentuais não representam uma garantia automática para todas as propriedades. O resultado depende da cultivar, das condições climáticas, da população de polinizadores, da paisagem ao redor da lavoura e das práticas adotadas durante o florescimento. Ainda assim, as pesquisas mostram que a polinização deve ser considerada parte do sistema produtivo, e não apenas um benefício ambiental.
A contribuição econômica das abelhas vai muito além da produção de mel. Um estudo citado pela Embrapa estimou em aproximadamente R$ 43 bilhões o valor anual do serviço de polinização para a produção brasileira de alimentos, com base nos dados agrícolas de 2018.
Entre 141 espécies cultivadas no Brasil para alimentação humana, produção animal, fibras e biocombustíveis, cerca de 85 dependem, em algum grau, da polinização realizada por animais. As abelhas são os principais agentes desse processo. Café, laranja, maçã, melão, maracujá, castanha-do-brasil, canola e algodão estão entre as culturas beneficiadas.
A dimensão desse serviço também começou a ser mais bem compreendida nas áreas de soja. Pesquisa divulgada pela Embrapa em 2026 identificou 53 espécies de abelhas em lavouras e fragmentos de vegetação nativa no sudoeste de Goiás. Desse total, 27 eram novos registros de espécies associadas à cultura na região.
O levantamento mostra que a soja não recebe apenas a visita da abelha-africanizada, normalmente utilizada na produção comercial de mel. Diferentes espécies nativas também percorrem as flores e participam da polinização. Essa diversidade reduz a dependência de um único polinizador e aumenta a capacidade de o ambiente responder a mudanças de temperatura, umidade e disponibilidade de alimento.
A manutenção de vegetação nativa próxima às áreas produtivas tem papel importante nesse processo. Matas, reservas legais, áreas de preservação permanente, corredores de vegetação e faixas com plantas floridas oferecem abrigo e alimento às abelhas antes e depois da florada da cultura comercial.
Para o produtor, essas áreas podem funcionar como infraestrutura biológica da propriedade. A contribuição será maior quando houver conexão entre os ambientes naturais e a lavoura, permitindo que os insetos encontrem locais para nidificação, água e fontes de néctar e pólen durante diferentes períodos do ano.
A integração também pode abrir uma fonte complementar de renda. Dados da Embrapa indicam que apicultores com bom manejo e colmeias instaladas próximas às lavouras podem obter até 50 quilos de mel por colmeia durante a florada da soja. Ao mesmo tempo que as abelhas encontram alimento, o produtor de grãos recebe o serviço de polinização.
A convivência, entretanto, exige planejamento. A localização dos apiários precisa ser conhecida, e agricultores, responsáveis técnicos e apicultores devem manter comunicação sobre o calendário da lavoura e as aplicações de defensivos.
O manejo integrado de pragas ajuda a evitar pulverizações desnecessárias. Quando o controle químico for indispensável, devem ser respeitados o registro do produto, as orientações da bula, as condições meteorológicas e as técnicas destinadas a reduzir deriva. Sempre que tecnicamente possível, a aplicação deve considerar os horários de menor atividade das abelhas.
O vento, a temperatura e a umidade interferem diretamente na dispersão da calda. Uma pulverização feita em condições inadequadas pode atingir flores, vegetação próxima e fontes de água frequentadas pelos insetos, mesmo quando as colmeias estão fora da área cultivada. Por isso, regulagem do equipamento, escolha correta das pontas e acompanhamento das condições ambientais são medidas decisivas.
Também cabe ao apicultor manter as colmeias identificadas, bem manejadas e instaladas em locais adequados. A comunicação antecipada permite avaliar medidas de proteção sem comprometer as necessidades fitossanitárias da lavoura.
A preservação das abelhas não deve ser tratada como uma obrigação separada da produção. Os estudos mostram que esses insetos participam da formação da safra e podem melhorar o aproveitamento da área já cultivada. Para o produtor, proteger os polinizadores significa conservar um serviço natural capaz de elevar a produtividade, diversificar a renda e fortalecer a estabilidade do sistema agrícola.
Fonte: Pensar Agro



