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Mercado de arroz segue travado no Brasil, com preços sustentados e negociações pontuais

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O mercado brasileiro de arroz encerra a semana em ritmo lento, com negociações pontuais, baixa liquidez e preços sustentados de forma frágil. O cenário reflete um ambiente de incerteza, no qual fatores institucionais, comportamento dos produtores e dinâmica da oferta influenciam diretamente a formação de preços.

Mercado de arroz opera em compasso de espera

O setor atravessa um momento de cautela, com redução no volume de negócios e maior dependência de fatores externos à oferta e demanda imediatas.

A expectativa em torno de medidas oficiais, como leilões de PEP e PEPRO, tem impactado o comportamento dos agentes. Com isso, produtores passaram a reter ainda mais o produto, reduzindo a disponibilidade no mercado físico.

Esse movimento contribui para sustentar temporariamente os preços, mas não resolve questões estruturais, como a rentabilidade da atividade e a fluidez da comercialização.

Retenção de oferta e colheita irregular limitam negócios

No curto prazo, o avanço da colheita no Rio Grande do Sul ocorre de forma desigual, com cerca de 40% da área colhida e atraso em relação ao ciclo anterior.

As diferenças regionais mantêm a oferta restrita em algumas praças, criando um ambiente de mercado mais tensionado. Ainda assim, o cenário não é de escassez, mas sim de retenção estratégica por parte dos produtores.

Dados recentes também apontam que o mercado segue com baixa liquidez e negociações pontuais, sustentadas principalmente pela postura defensiva dos produtores e pela necessidade imediata de compra da indústria .

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Indústria com estoques baixos aumenta disputa por lotes

Enquanto os produtores seguram a oferta, a indústria opera com estoques reduzidos e necessidade de recomposição.

Esse descompasso amplia a disputa por lotes disponíveis e contribui para manter as cotações firmes no curto prazo, ainda que sem grande volume de negócios.

No Rio Grande do Sul, os preços variam entre R$ 58 e R$ 62 por saca para o padrão indústria, podendo alcançar R$ 65 por saca para produtos de maior qualidade. Em Santa Catarina, as cotações ficam entre R$ 52 e R$ 55 por saca.

Custos elevados, especialmente com frete, pressionam margens

Apesar da sustentação dos preços, a rentabilidade do produtor segue pressionada.

O custo do frete continua sendo um dos principais fatores de impacto, com valores entre R$ 9 e R$ 10 por saca, e possibilidade de novas altas diante de desafios logísticos.

Nesse contexto, mesmo com preços considerados elevados em algumas praças, o retorno financeiro não acompanha na mesma proporção.

Exportações ajudam, mas não mudam estrutura do mercado

As exportações seguem desempenhando papel relevante como mecanismo de escoamento da produção.

Há cargas programadas para abril, incluindo embarques de arroz em casca e subprodutos para destinos como Venezuela e Senegal. Ainda assim, o fluxo externo não tem sido suficiente para provocar mudanças estruturais na formação de preços internos.

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Cenário internacional limita recuperação das cotações

O ambiente global também exerce pressão sobre o mercado brasileiro.

A maior oferta internacional, com destaque para a Índia e países do Sudeste Asiático, aliada à postura cautelosa dos importadores, reduz o espaço para valorização consistente dos preços.

Além disso, fatores geopolíticos aumentam a volatilidade dos custos, especialmente energia, frete e seguros, mantendo o diesel como variável crítica para toda a cadeia produtiva.

Mercado se apoia em fatores temporários e pode mudar no segundo semestre

Atualmente, o mercado de arroz no Brasil está sustentado por três pilares principais:

  • Retenção de oferta pelos produtores
  • Atraso relativo na colheita
  • Exportações ativas

No entanto, esses fatores são considerados transitórios. Caso o volume retido chegue ao mercado de forma concentrada no segundo semestre, o cenário pode mudar.

Com maior oferta global prevista para o período, cresce o risco de pressão baixista sobre os preços, especialmente se o ritmo das exportações não acompanhar o aumento da disponibilidade interna.

Perspectiva: mercado segue sensível e sem definição clara

No curto prazo, a tendência é de manutenção do compasso de espera, com negociações pontuais e preços sustentados de forma frágil.

O mercado permanece sensível a mudanças na oferta, na política comercial e no cenário internacional, o que deve manter o ambiente de incerteza nas próximas semanas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Produção de suínos cresce 50% e abre espaço para novos investimentos

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A suinocultura de Mato Grosso do Sul cresceu aproximadamente 50% nos últimos três anos e já alcança cerca de 3,6 milhões de animais abatidos por ano. A expansão, que coloca o Estado entre os principais polos emergentes da atividade no País, estará no centro das discussões do VIII Fórum de Desenvolvimento da Suinocultura de Mato Grosso do Sul, marcado para 17 de setembro, em Dourados (a cerca de 240km da capital, Campo Grande).

O avanço ocorre em uma região que até poucos anos atrás tinha participação bem menor na produção nacional de carne suína. Mato Grosso do Sul passou a ocupar a quinta posição no ranking brasileiro de abates, atrás de Estados com tradição muito mais antiga na atividade, como Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

Parte dessa expansão está associada à disponibilidade de milho e soja, principais componentes da alimentação dos animais e responsáveis pela maior parcela do custo de produção. A proximidade entre as granjas e as regiões produtoras de grãos reduz distâncias no abastecimento de ração e cria condições para a instalação de novas unidades produtivas e industriais.

Outro fator é o crescimento do número de matrizes. Em 2026, mais de 111,5 mil matrizes já estavam cadastradas no Programa Leitão Vida, política estadual de incentivo à produção. Até o início de junho, 272 estabelecimentos participavam do programa.

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No mesmo período, 1,63 milhão de suínos haviam sido abatidos dentro do programa e os incentivos concedidos aos produtores superavam R$ 45 milhões. A atividade também acumulou aproximadamente R$ 1,7 bilhão em cartas-consulta aprovadas pelo Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) nos últimos sete anos.

A política de incentivo passou ainda por mudanças. O novo protocolo do Leitão Vida ampliou as exigências relacionadas à biossegurança, bem-estar animal, rastreabilidade, sustentabilidade e utilização de tecnologias nas propriedades.

Dos 272 estabelecimentos participantes neste ano, 239 já haviam migrado para o novo sistema de conformidade. A intenção é atrelar parte dos incentivos não apenas ao volume produzido, mas também ao cumprimento de padrões técnicos, sanitários e ambientais.

Para o produtor, essa mudança ganha importância porque a expansão da atividade depende cada vez mais do acesso a mercados exigentes. Sanidade, rastreabilidade e biossegurança deixaram de ser apenas questões internas das granjas e passaram a influenciar diretamente a capacidade de frigoríficos e produtores alcançarem novos compradores.

Mato Grosso do Sul também ampliou sua estrutura industrial. Unidades instaladas no Estado vêm aumentando a capacidade de abate, movimento necessário para acompanhar o crescimento das granjas e evitar um desequilíbrio entre a oferta de animais e a capacidade de processamento.

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A expansão da suinocultura cria ainda uma demanda adicional para a agricultura estadual. Cada aumento no alojamento de animais significa maior consumo de milho e farelo de soja, estabelecendo uma relação direta entre o crescimento das granjas e o mercado regional de grãos.

Esse movimento pode ser especialmente importante para regiões com grande produção de milho segunda safra. A instalação de unidades de produção animal permite transformar parte do grão dentro do próprio Estado em proteína de maior valor agregado, reduzindo a necessidade de transportar toda a produção agrícola por longas distâncias até outros centros consumidores.

O crescimento, entretanto, exige investimentos elevados. Construção e modernização de granjas, climatização, tratamento de dejetos, biossegurança, armazenagem de ração e adequações ambientais aumentam a necessidade de capital e tornam a expansão dependente de planejamento financeiro e acesso ao crédito.

Consolidado como um dos principais encontros da suinocultura no Centro-Oeste, o Fórum ocorre justamente quando Mato Grosso do Sul tenta transformar o forte crescimento dos últimos anos em uma cadeia maior, mais tecnificada e com maior participação nos mercados nacional e internacional.

Serviço

VIII Fórum de Desenvolvimento da Suinocultura de Mato Grosso do Sul
Data: 17 de setembro de 2026
Horário: 7h às 18h
Local: Unigran – Dourados (MS)

Fonte: Pensar Agro

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