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Mercado de café mantém valorização mesmo com volatilidade em NY e no dólar
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O mercado brasileiro de café iniciou setembro em movimento de correção em Nova York, após fortes altas registradas em agosto. Mesmo com a volatilidade do mercado internacional e do dólar, o setor doméstico segue valorizado, com preços firmes para as principais regiões produtoras, de acordo com a Safras & Mercado.
Bolsa de Nova York mostra acomodação após alta histórica
O contrato de café para dezembro/25 na Bolsa de Nova York ensaiou acomodação, após a valorização de 34% em agosto. Sinais técnicos de sobrecompra estimularam a realização de lucros, segundo a consultoria.
O mercado físico brasileiro acompanha essas oscilações, mas mantém preços altos. O arábica de bebida boa do Sul de Minas está cotado entre R$ 2.300 e R$ 2.350 a saca, enquanto o conilon tipo 7/8 em Colatina (ES) é negociado entre R$ 1.415 e R$ 1.425 a saca, segundo o analista Gil Barabach.
Safra 2025: arábica cai e conilon cresce
Segundo o 3º levantamento da Conab, com 96% da área já colhida, a safra 2025 do café está estimada em 55,2 milhões de sacas beneficiadas, alta de 1,8% em relação a 2024.
- Arábica:
- Produção estimada: 35,2 milhões de sacas (queda de 11,2%);
- Área: 1,38 milhão de hectares em Minas Gerais, principal produtor;
- Motivos da queda: ciclo de baixa bienalidade e seca prolongada antes da floração.
- Conilon:
- Produção estimada: 20,1 milhões de sacas (alta de 37,2%);
- Destaque: Espírito Santo, responsável por 69% da produção nacional, com 13,8 milhões de sacas;
- Fatores: clima favorável e boa formação de frutos.
A produtividade média nacional aumentou 3%, passando de 28,8 para 29,7 sacas por hectare, enquanto a área em produção caiu 1,2%, chegando a 1,86 milhão de hectares. A área total destinada à cafeicultura, incluindo lavouras em formação, soma 2,25 milhões de hectares, alta de 0,9% sobre 2024.
Exportações de café em agosto registram alta de preço
Segundo dados da Secex, as exportações brasileiras de café em grão em agosto de 2025, considerando 21 dias úteis, totalizaram 2.380.800 sacas de 60 kg, gerando receita de US$ 882,76 milhões e preço médio de US$ 370,74 por saca.
Comparado a agosto de 2024:
- Receita média diária subiu 1,1%;
- Volume médio diário caiu 31%;
- Preço médio da saca aumentou 46,6%.
A combinação de oferta controlada e demanda firme mantém o mercado brasileiro de café em um patamar elevado, mesmo diante da volatilidade no exterior.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Mercado de cacau entra em alerta com risco de El Niño e ameaça de seca na África Ocidental
O mercado internacional de cacau segue convivendo com um cenário de contrastes. De um lado, a expectativa de recuperação da oferta global e a perspectiva de superávit nos próximos meses pressionam os preços. De outro, os riscos climáticos nas principais regiões produtoras do mundo continuam alimentando a volatilidade e impedindo movimentos mais acentuados de queda.
De acordo com análise da Hedgepoint Global Markets, a combinação entre previsões de chuvas abaixo da média na África Ocidental e o aumento das chances de formação do fenômeno El Niño mantém o mercado em estado de alerta, especialmente em um momento decisivo para o desenvolvimento da próxima safra.
Preços acumulam forte valorização no mês
Apesar do viés baixista predominante nos fundamentos do mercado, os contratos futuros registraram ganhos expressivos ao longo de maio.
Na semana encerrada em 29 de maio, o cacau foi negociado a US$ 3.923 por tonelada em Nova York e a 2.975 libras esterlinas por tonelada em Londres. No acumulado mensal, as cotações avançaram 12,3% e 13,5%, respectivamente.
Segundo a analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets, Carolina França, os movimentos recentes foram impulsionados principalmente por fatores técnicos e ajustes de posicionamento dos investidores.
O mercado também acompanhou informações sobre uma possível safra mais robusta na Costa do Marfim, maior produtor mundial da commodity, além de preocupações relacionadas à qualidade das amêndoas produzidas na África Ocidental. Ainda assim, não houve alterações significativas nos fundamentos globais de oferta e demanda.
Clima continua sendo o principal fator de risco
As condições meteorológicas permanecem no centro das atenções do setor cacaueiro.
Na Costa do Marfim, os volumes de chuva seguem acima dos registrados no ciclo anterior e próximos da média histórica, favorecendo o desenvolvimento das lavouras. Em Gana, segundo maior produtor da região, as precipitações também apresentam desempenho positivo, contribuindo para o potencial produtivo da safra.
Entretanto, especialistas alertam que o excesso de umidade também pode aumentar a incidência de doenças e dificultar parte das operações de campo.
O principal ponto de atenção está nas previsões climáticas para junho. Modelos meteorológicos indicam redução das chuvas em algumas áreas da África Ocidental durante as próximas semanas, justamente em um período considerado estratégico para a formação da safra 2026/27.
Essa fase corresponde ao florescimento das plantas que irão originar a principal colheita da próxima temporada, prevista para começar em outubro.
Caso o déficit hídrico se confirme e se prolongue ao longo do mês, o potencial produtivo poderá ser impactado, oferecendo sustentação adicional aos preços internacionais.
El Niño aumenta incertezas para a produção mundial
Outro fator que vem preocupando o mercado é o fortalecimento das expectativas para o retorno do fenômeno El Niño.
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) elevou para 82% a probabilidade de formação do fenômeno entre maio e julho. As projeções indicam ainda que o evento poderá permanecer ativo durante o inverno 2026/27 do Hemisfério Norte.
Os modelos climáticos apontam que a temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 pode ultrapassar 1,5°C e atingir até 2°C a partir de setembro, caracterizando um episódio de forte intensidade.
Historicamente, o El Niño provoca alterações significativas nos regimes de chuva em diversas regiões produtoras de commodities agrícolas.
No caso do cacau, o fenômeno costuma favorecer condições mais secas em áreas da África Ocidental e Central, além de partes da América Central e do norte do Brasil. Em contrapartida, pode aumentar os volumes de precipitação em países como Peru e Equador.
Além das mudanças no regime de chuvas, especialistas também monitoram a possibilidade de ondas de calor mais frequentes tanto na África quanto na América do Sul.
Mercado deve continuar reagindo rapidamente às notícias climáticas
Mesmo com a perspectiva de superávit global e estoques certificados elevados nas bolsas internacionais, o mercado de cacau continua extremamente sensível a qualquer mudança nas condições meteorológicas.
A avaliação dos analistas é que a formação do El Niño adiciona um importante componente de incerteza para os próximos meses, especialmente porque seus impactos variam de acordo com a intensidade do fenômeno e sua interação com fatores regionais, como os ventos Harmattan e o sistema de monções da África Ocidental.
Dessa forma, a tendência é que os preços continuem reagindo rapidamente a novas informações sobre o clima, a evolução das lavouras e a oferta global.
Perspectiva para o setor
Para produtores, exportadores, indústrias e investidores, o monitoramento climático deverá permanecer como um dos principais indicadores de mercado ao longo de 2026.
Embora o cenário atual ainda aponte para uma recuperação parcial da oferta mundial, os riscos associados ao clima continuam elevados. A evolução das chuvas na África Ocidental, o desenvolvimento do El Niño e o comportamento da demanda global serão determinantes para definir a trajetória dos preços do cacau nos próximos meses.
Em um mercado historicamente sensível às condições climáticas, qualquer alteração relevante na produção das principais regiões exportadoras pode desencadear novos movimentos de valorização e ampliar a volatilidade das negociações internacionais.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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