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Mercado de carne de frango se mantém estável no Brasil, mas embargos da China e UE seguem preocupando setor

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Estabilidade de preços no mercado doméstico

O mercado brasileiro de carne de frango apresentou preços estáveis tanto no atacado quanto no segmento de aves vivas ao longo da última semana. Segundo o analista Allan Maia, da consultoria Safras & Mercado, a oferta está equilibrada com a demanda, o que contribui para a manutenção dos valores atuais. A expectativa dos agentes do setor é de sustentação das cotações no curto prazo.

Embargos internacionais ainda geram impacto

Apesar do equilíbrio no mercado interno, os embargos impostos pela União Europeia e pela China continuam afetando negativamente as exportações brasileiras de carne de frango. Essa restrição dificulta a normalização do comércio exterior, o que preocupa o setor exportador.

Custos de produção favorecem atividade

Por outro lado, o custo de nutrição das aves segue acomodado, o que melhora as margens de lucratividade dos produtores. Isso também ajuda a manter o nível de oferta e evita repasses nos preços ao consumidor.

Boa competitividade frente à carne bovina

No atacado, mesmo com o avanço da segunda quinzena do mês — período normalmente marcado por retração no consumo —, há expectativa positiva de vendas, principalmente devido à competitividade dos cortes de frango em relação à carne bovina, considerada mais cara.

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Cotações dos cortes congelados e resfriados

Segundo levantamento da Safras & Mercado:

No atacado de São Paulo (congelados):

  • Peito: R$ 10,00/kg
  • Coxa: R$ 6,90/kg
  • Asa: R$ 10,40/kg

Na distribuição (congelados):

  • Peito: R$ 10,10/kg
  • Coxa: R$ 7,00/kg
  • Asa: R$ 10,60/kg

No atacado (resfriados):

  • Peito: R$ 10,10/kg
  • Coxa: R$ 6,90/kg
  • Asa: R$ 10,50/kg

Na distribuição (resfriados):

  • Peito: R$ 10,20/kg
  • Coxa: R$ 7,10/kg
  • Asa: R$ 10,70/kg

As cotações seguiram sem variações ao longo da semana.

Cotações regionais do frango vivo

O levantamento semanal nas principais praças do Brasil apontou os seguintes valores:

  • Minas Gerais: subiu de R$ 5,70 para R$ 5,75/kg
  • São Paulo: manteve R$ 5,80/kg
  • Mato Grosso do Sul: de R$ 5,55 para R$ 5,60/kg
  • Goiás: de R$ 5,65 para R$ 5,70/kg
  • Distrito Federal: de R$ 5,70 para R$ 5,75/kg
  • Pernambuco: R$ 6,00/kg (estável)
  • Ceará: R$ 6,20/kg (estável)
  • Pará: R$ 6,50/kg (estável)
  • Integrações (sem variação):
  • Santa Catarina: R$ 4,70/kg
  • Oeste do Paraná: R$ 4,80/kg
  • Rio Grande do Sul: R$ 4,75/kg
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Exportações em queda no início de julho

As exportações brasileiras de carne de aves (frescas, refrigeradas ou congeladas), somaram US$ 266,953 milhões nos primeiros nove dias úteis de julho, com uma média diária de US$ 29,661 milhões. Foram exportadas 150,289 mil toneladas, com média de 16,698 mil toneladas por dia e preço médio da tonelada a US$ 1.776,30.

Em comparação ao mesmo período de julho de 2024, houve:

  • Queda de 17,1% no valor médio diário
  • Redução de 11,8% na quantidade média exportada
  • Recuo de 6% no preço médio da tonelada

Os dados foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

O mercado interno mostra resiliência, com estabilidade nas cotações e margens favorecidas pelos custos controlados. No entanto, as restrições internacionais seguem como ponto de atenção para os exportadores, que esperam uma reversão dos embargos para retomar a normalidade nas vendas externas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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