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Mercado de Créditos Renovabio: Desempenho e Perspectivas Segundo Relatório do Itaú BBA
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O mercado de créditos do programa Renovabio, que visa incentivar a produção de biocombustíveis no Brasil, tem mostrado movimentações importantes em 2025. Um recente relatório do Itaú BBA detalha o cenário atual, o comportamento dos preços e as perspectivas para o setor nos próximos meses.
O Que é o Renovabio e a Importância dos Créditos
O Renovabio é uma política pública brasileira que regula a comercialização de créditos de descarbonização (CBios), certificados que comprovam a redução da emissão de gases de efeito estufa por parte dos produtores e distribuidoras de biocombustíveis. Esses créditos são negociados no mercado financeiro, funcionando como um incentivo econômico para estimular o aumento da produção sustentável.
Movimentação do Mercado e Preços Recentes
Segundo o relatório do Itaú BBA, os preços dos CBios têm apresentado estabilidade nos últimos meses, com leve tendência de alta em função da demanda crescente das distribuidoras para cumprimento das metas ambientais. Em junho de 2025, o valor médio dos créditos girava em torno de R$ 57 por unidade, refletindo uma valorização próxima a 5% comparado ao início do ano.
Essa valorização é resultado do fortalecimento das regras do programa, que aumentam as obrigações das empresas, além da expectativa de que o setor sucroenergético, principal gerador dos créditos, mantenha a produção aquecida.
Demanda e Oferta: Cenário Atual
O relatório destaca que a demanda por CBios tem se concentrado principalmente nas distribuidoras de combustíveis que buscam cumprir as metas progressivas estabelecidas pelo governo federal. A oferta, por sua vez, depende diretamente da produção de etanol e biodiesel, segmentos que vêm apresentando bom desempenho, mesmo diante dos desafios climáticos e operacionais.
Apesar do cenário favorável, o Itaú BBA alerta para possíveis ajustes no volume negociado nos próximos meses, conforme as variações na safra e no consumo interno de combustíveis.
Perspectivas para o Segundo Semestre de 2025
Para os próximos meses, o Itaú BBA prevê que o mercado de CBios deverá continuar seu movimento ascendente, impulsionado principalmente pela ampliação das metas de redução de emissões para 2026. A expectativa é que os preços dos créditos sigam pressionados para cima, tornando-os uma ferramenta estratégica para empresas do setor.
Além disso, o relatório menciona que eventuais mudanças regulatórias e o avanço das discussões sobre transição energética poderão influenciar o mercado, exigindo atenção por parte dos investidores e players do setor.
O monitoramento contínuo do mercado de créditos Renovabio, como o realizado pelo Itaú BBA, é fundamental para entender as dinâmicas de oferta e demanda, além dos impactos regulatórios que podem alterar o cenário para produtores e distribuidoras.
A valorização dos CBios reforça a importância do programa como mecanismo de incentivo à produção sustentável e à redução de emissões, consolidando o Brasil como referência em políticas de descarbonização no setor de combustíveis.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Fertilizantes: Rabobank reduz projeção para 2026 e alerta para impacto da inadimplência recorde no agro
Inadimplência no campo e preços elevados devem reduzir consumo de fertilizantes
O mercado brasileiro de fertilizantes deverá enfrentar uma retração mais intensa em 2026 do que a prevista anteriormente. Em relatório divulgado nesta quarta-feira, o Rabobank revisou para baixo sua estimativa de vendas de adubos no país e apontou a inadimplência recorde dos produtores rurais como um dos principais fatores de pressão sobre a demanda.
A instituição projeta que as entregas de fertilizantes aos agricultores brasileiros somem 45,1 milhões de toneladas em 2026, o que representa uma queda de 8,2% em relação ao volume recorde registrado em 2025. Caso a previsão se confirme, será o menor volume comercializado desde 2022, período marcado pelos impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia sobre o mercado global de insumos.
A nova estimativa é mais conservadora do que a divulgada em abril, quando o banco previa consumo de aproximadamente 47,2 milhões de toneladas.
Segundo o Rabobank, além dos preços ainda elevados dos fertilizantes, a situação financeira de muitos produtores brasileiros tem limitado a capacidade de investimento e comprometido a aquisição de insumos para a próxima safra.
Guerra no Oriente Médio afetou mercado global de fertilizantes
O relatório destaca que os reflexos da guerra envolvendo o Irã contribuíram para a elevação dos custos dos fertilizantes em 2026. O fechamento temporário do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de matérias-primas e insumos, provocou aumento dos preços internacionais e forte volatilidade nos mercados.
Embora haja sinais de normalização logística e avanços diplomáticos para reduzir as tensões na região, o banco avalia que os impactos sobre a demanda global já foram consolidados.
No caso da ureia, um dos fertilizantes nitrogenados mais utilizados no mundo, os preços retornaram aos níveis observados antes do conflito. Ainda assim, o Rabobank destaca que o comportamento do mercado repetiu um padrão semelhante ao registrado em 2022.
De acordo com a análise, foram necessárias cerca de seis semanas para que os preços atingissem o pico após o início das tensões, seguidas por aproximadamente dez semanas para retornar aos patamares iniciais.
Já o fosfato monoamônico (MAP), um dos fertilizantes mais utilizados na agricultura brasileira, permanece negociado em níveis mais elevados, sustentando os custos de produção para diversas culturas.
Inadimplência recorde preocupa setor agropecuário
Outro ponto de atenção destacado pelo banco é o avanço da inadimplência no crédito rural.
Com base em dados do Banco Central referentes a abril, o Rabobank observa que a inadimplência nas operações contratadas a taxas de mercado alcançou 13,3% do volume financiado, um dos maiores níveis já registrados para o setor.
O cenário reforça as dificuldades enfrentadas por parte dos produtores rurais, especialmente em segmentos que vêm acumulando margens apertadas, custos elevados e dificuldades de acesso a novas linhas de crédito.
A combinação entre menor liquidez no campo e insumos ainda caros tende a limitar o potencial de recuperação da demanda por fertilizantes ao longo do próximo ano.
Rabobank prevê queda nas exportações de milho em 2026
Além do mercado de fertilizantes, o Rabobank revisou as perspectivas para o milho brasileiro e projetou redução nas exportações do cereal.
A expectativa é de que os embarques nacionais atinjam 39 milhões de toneladas em 2026, volume cerca de 3 milhões de toneladas inferior ao registrado no ano anterior.
Entre os fatores que explicam a revisão estão a valorização do real frente ao dólar, que reduz a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional, e a forte concorrência de grandes exportadores, especialmente Estados Unidos e Argentina.
Os elevados custos do transporte rodoviário também continuam sendo um desafio para o setor exportador, reduzindo a competitividade logística do cereal brasileiro.
Demanda interna por milho deve seguir aquecida
Apesar da perspectiva menos favorável para as exportações, o consumo doméstico de milho deverá continuar avançando.
O Rabobank estima crescimento de 5% na demanda interna em 2026, alcançando cerca de 97 milhões de toneladas.
O principal motor desse avanço será o aumento do consumo pelas indústrias de ração animal e pelo setor de etanol de milho, que segue ampliando sua participação na matriz de biocombustíveis brasileira.
Diante desse cenário, o mercado agrícola brasileiro entra em 2026 com desafios relacionados ao crédito rural, custos de produção e competitividade internacional, enquanto busca equilibrar a demanda interna crescente com um ambiente global ainda marcado por incertezas econômicas e geopolíticas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio


