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Mercado de etanol ganha fôlego com gasolina mais cara e oferta mais ajustada no Centro-Sul
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O mercado brasileiro de etanol entrou em uma fase mais favorável nas últimas semanas, impulsionado pela melhora da competitividade frente à gasolina, pelo avanço da demanda doméstica e por um cenário de oferta mais equilibrado na região Centro-Sul, principal polo produtor do país.
A avaliação faz parte do relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, que destaca uma mudança gradual nos fundamentos do mercado após meses de pressão sobre os preços do biocombustível.
Gasolina fortalece competitividade do etanol
Um dos principais fatores que vêm sustentando a recuperação do etanol é o aumento da competitividade nas bombas. Com os reajustes observados nos combustíveis fósseis e a manutenção de preços mais atrativos do biocombustível em diversos estados brasileiros, consumidores voltaram a ampliar o consumo do hidratado.
O movimento é especialmente relevante em estados produtores, onde a relação de preços entre etanol e gasolina voltou a favorecer o abastecimento com combustível renovável.
Segundo a análise do Itaú BBA, essa retomada da competitividade tem contribuído para melhorar o escoamento da produção e reduzir parte da pressão observada sobre os estoques das usinas.
Produção segue elevada, mas ritmo de moagem exige atenção
Apesar do cenário mais favorável para a demanda, o mercado continua monitorando de perto a evolução da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul.
As condições climáticas observadas ao longo do ciclo influenciam diretamente o ritmo de moagem e a disponibilidade de matéria-prima para a produção de açúcar e etanol. O setor acompanha ainda os impactos das chuvas em algumas regiões produtoras e os efeitos sobre o rendimento agrícola dos canaviais.
A estratégia das usinas também permanece no radar do mercado. Dependendo da rentabilidade relativa entre açúcar e etanol, as empresas podem direcionar maior volume de cana para um ou outro produto, alterando a oferta disponível ao longo dos próximos meses.
Consumo doméstico continua sendo principal suporte
O mercado interno segue como o principal motor para o setor de biocombustíveis. A frota flex brasileira continua garantindo elevada capacidade de absorção da produção nacional, especialmente em momentos de maior competitividade do etanol hidratado.
Além disso, as políticas de descarbonização e os programas de incentivo aos combustíveis renováveis reforçam as perspectivas estruturais positivas para o segmento.
A expectativa é de que o consumo permaneça aquecido durante o segundo semestre, contribuindo para um ambiente mais equilibrado entre oferta e demanda.
Petróleo e câmbio permanecem no radar
O comportamento das cotações internacionais do petróleo segue sendo um dos principais fatores de influência para o mercado brasileiro de combustíveis.
Oscilações nos preços da commodity afetam diretamente a formação dos preços da gasolina e, consequentemente, a competitividade do etanol nas bombas.
O câmbio também desempenha papel importante. Um dólar mais valorizado tende a favorecer as exportações do setor sucroenergético e aumentar a atratividade do açúcar no mercado internacional, impactando as decisões de produção das usinas.
Perspectivas para o segundo semestre
A avaliação do Itaú BBA é de que os fundamentos do mercado de etanol apresentam melhora gradual, sustentados pela recuperação da demanda e por uma oferta mais ajustada em relação aos meses anteriores.
Embora o setor continue sujeito à volatilidade provocada por fatores climáticos, câmbio, petróleo e decisões de mix das usinas, o cenário atual é considerado mais favorável do que o observado no início da safra.
Para produtores, usinas e investidores do agronegócio, a tendência é de um mercado mais equilibrado, com potencial de sustentação dos preços ao longo do segundo semestre de 2026, especialmente se a competitividade do biocombustível frente à gasolina continuar avançando.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Plano Brasil Soberano: Governo amplia crédito para fertilizantes
Fabricantes de fertilizantes, produtores de matérias-primas intermediárias e mineradoras que abastecem o setor poderão contratar capital de giro pelo Plano Brasil Soberano. A mudança amplia o alcance do programa e procura dar fôlego financeiro a uma cadeia considerada estratégica para o agronegócio brasileiro.
Projetos industriais e tecnológicos ligados ao beneficiamento, refino e transformação de minerais críticos e estratégicos também terão acesso a recursos com custo reduzido. O encargo da fonte de financiamento caiu para 3% ao ano, ante percentuais que chegavam a 8% na aquisição de máquinas e equipamentos e a 6,5% em determinados investimentos.
A decisão foi tomada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em reunião extraordinária realizada no fim de agosto. O colegiado também prorrogou por 12 meses o prazo para apresentação dos pedidos de financiamento ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As empresas elegíveis poderão protocolar as solicitações até 31 de dezembro de 2027.
Para o produtor rural, o efeito não será direto. As linhas são destinadas às empresas que produzem, processam ou fornecem insumos para a fabricação de adubos. O objetivo é melhorar as condições financeiras da indústria e reduzir riscos de interrupção no abastecimento do campo.
A inclusão do capital de giro atende a uma característica do setor. Muitas empresas precisam pagar antecipadamente pelas matérias-primas importadas, arcar com frete, armazenagem e processamento e somente depois receber pelas vendas realizadas aos produtores ou distribuidores.
Esse intervalo exige grande disponibilidade de caixa. Quando o crédito fica caro ou escasso, as empresas podem reduzir compras, estoques e produção. A consequência chega às propriedades na forma de menor oferta, dificuldade para programar entregas e maior exposição às oscilações de preços.
Antes da mudança, as empresas da cadeia de fertilizantes podiam recorrer ao Plano Brasil Soberano principalmente para comprar máquinas ou executar projetos de investimento. Agora, os recursos também poderão financiar despesas necessárias ao funcionamento diário das operações.
A medida ganha importância porque o Brasil importa mais de 80% dos fertilizantes que utiliza. Essa dependência deixa a produção agrícola vulnerável ao câmbio, às cotações internacionais, aos custos marítimos e a conflitos capazes de interromper rotas ou restringir a oferta mundial.
O país responde por cerca de 8% do consumo global de fertilizantes e ocupa a quarta posição entre os maiores consumidores. Soja, milho e cana-de-açúcar representam mais de 73% da demanda nacional, o que transforma o insumo em um componente decisivo dos custos das principais cadeias agrícolas.
O crédito mais barato para minerais estratégicos procura estimular investimentos em etapas que ainda são pouco desenvolvidas no Brasil. O país possui reservas minerais importantes, mas parte do material extraído é exportada sem processamento ou não chega a ser transformada internamente nos produtos necessários à agricultura.
Ao apoiar o beneficiamento, o refino e a transformação dentro do país, o governo tenta ampliar a capacidade industrial e diminuir a dependência de produtos acabados vindos do exterior. O resultado, entretanto, dependerá da execução dos projetos, que podem exigir licenciamento, infraestrutura, tecnologia e vários anos até o início da produção.
O percentual de 3% ao ano não representa necessariamente a taxa final que será paga pelas empresas. Ele corresponde ao custo da fonte de recursos e já considera a remuneração do BNDES. Nas operações indiretas, realizadas por bancos credenciados, ainda podem existir encargos do agente financeiro e custos relacionados ao risco do tomador.
Por isso, a medida também não garante uma queda imediata no preço do fertilizante vendido ao agricultor. As cotações continuarão sujeitas ao câmbio, aos preços internacionais, ao frete, à oferta mundial de nutrientes e à demanda no período de plantio.
O ganho mais provável no curto prazo é a melhora das condições para que fabricantes e fornecedores mantenham estoques e cumpram contratos. No longo prazo, se os investimentos aumentarem a produção e o processamento de matérias-primas no Brasil, o setor poderá reduzir a exposição a crises externas e ganhar maior previsibilidade.
O acesso às linhas será restrito aos segmentos definidos conjuntamente pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e pelo Ministério da Fazenda. A relação de atividades autorizadas consta das portarias que regulamentam o Plano Brasil Soberano.
Criado para apoiar empresas afetadas pelo aumento das tarifas norte-americanas e pela instabilidade do comércio internacional, o programa passa a alcançar uma cadeia diretamente ligada à segurança produtiva do país. Para o campo, o efeito concreto será medido pela capacidade da política de ampliar a oferta interna, evitar falta de insumos e reduzir a dependência que hoje transforma qualquer crise internacional em custo adicional dentro da porteira.
Fonte: Pensar Agro



