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Mercado de milho inicia 2026 com baixa liquidez, mas reage com alta nas bolsas

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O mercado de milho brasileiro começou 2026 em ritmo lento, com baixa liquidez, negociações pontuais e preços regionalizados. A combinação de clima irregular, cautela entre compradores e produtores e o foco na colheita da soja têm limitado os volumes de comercialização. Ainda assim, o cenário nas bolsas indica uma reação, com alta nos contratos futuros e ajustes nas estimativas de safra.

Sul e Centro-Oeste registram pouca movimentação e preços divergentes

De acordo com levantamento da TF Agroeconômica, baseado em dados da Emater, Epagri e DERAL, o ambiente permanece defensivo, especialmente no Sul e no Mato Grosso do Sul.

No Rio Grande do Sul, o preço médio estadual recuou 2,24%, passando de R$ 60,70 para R$ 59,34 por saca. As indicações no mercado spot variam entre R$ 57,00 e R$ 79,00, conforme a região. A colheita já alcança 50% da área, favorecida pelo tempo seco, mas há grande variação de produtividade devido à falta de chuvas e às altas temperaturas nas fases críticas das lavouras. A incidência de cigarrinha-do-milho aumentou, assim como casos pontuais de lagarta-do-cartucho. Parte das áreas inicialmente destinadas a grãos foi redirecionada para silagem por causa do estresse hídrico.

Em Santa Catarina, o mercado segue travado, com vendedores pedindo cerca de R$ 75,00 por saca e compradores ofertando em torno de R$ 65,00. A Epagri aponta redução de mais de 40% na população de cigarrinhas, mas mantém o alerta para patógenos presentes nas lavouras.

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No Paraná, as indicações de venda giram em torno de R$ 70,00 por saca, enquanto as ofertas de compra permanecem próximas de R$ 60,00 CIF. A colheita da primeira safra já atingiu 18% da área, e 94% das lavouras estão em boas condições, segundo o DERAL.

Já no Mato Grosso do Sul, os preços recuaram para a faixa de R$ 53,00 a R$ 54,00 por saca, pressionados pela maior oferta local, mesmo com a demanda do setor de bioenergia.

Clima e câmbio influenciam o comportamento das cotações

Enquanto o mercado físico segue com pouca liquidez, as bolsas reagiram em alta nesta quinta-feira, impulsionadas por fatores externos, pela valorização do dólar e por ajustes nas projeções de safra.

Segundo análise da TF Agroeconômica, as cotações na B3 acompanharam o avanço registrado na Bolsa de Chicago (CBOT) e a valorização da moeda norte-americana. O movimento foi reforçado pela menor disponibilidade de grãos no mercado interno, já que muitos produtores estão focados na colheita e venda da soja.

A Conab também revisou levemente para baixo a estimativa de produção, refletindo os impactos do clima em algumas regiões e possíveis atrasos no plantio da safrinha, o que ajudou a sustentar os preços.

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Contratos futuros sobem na B3 e em Chicago

Na B3, o contrato março/26 encerrou o dia cotado a R$ 70,75, com alta diária de R$ 0,78 e avanço semanal de R$ 0,65. O vencimento maio/26 fechou a R$ 70,35, enquanto o julho/26 terminou a R$ 68,40, ambos com leves ganhos diários.

Na CBOT, o milho também avançou, impulsionado pela forte demanda internacional. O contrato março subiu 0,88%, a 431,25 cents por bushel, e o maio teve alta de 1,20%, a 441,75 cents.

De acordo com relatório semanal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), as vendas líquidas de milho norte-americano cresceram 99% em relação à semana anterior e ficaram 6% acima da média das últimas quatro semanas, somando 2,069 milhões de toneladas. O volume superou as expectativas e já representa 72% da meta de exportação de 83 milhões de toneladas projetada para a temporada.

Perspectiva é de mercado mais ativo nas próximas semanas

Com a colheita avançando e a demanda industrial se mantendo estável, o mercado de milho deve ganhar ritmo gradualmente nas próximas semanas. A expectativa é de que a retomada das negociações ocorra à medida que os produtores concluam o escoamento da soja e os compradores voltem a buscar recomposição de estoques.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Setor cooperativo, que movimenta R$ 758 bilhões, ganha acesso a fundos regionais

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As 4.384 cooperativas brasileiras ganharam uma nova alternativa para financiar projetos de infraestrutura, armazenagem, industrialização e expansão das atividades econômicas. A Lei Complementar 231/2026 passou a permitir que essas organizações utilizem recursos dos fundos de desenvolvimento da Amazônia, do Nordeste e do Centro-Oeste.

A mudança, defendida pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) durante a tramitação no Congresso, alcança um setor que reúne 25,8 milhões de cooperados e gera mais de 578 mil empregos diretos. Segundo o levantamento mais recente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), referente a 2024, as cooperativas movimentaram R$ 757,9 bilhões e acumulavam R$ 1,39 trilhão em ativos.

O número de cooperativas contabilizadas pela OCB caiu de 4.509 para 4.384 entre os dois levantamentos mais recentes. O movimento, porém, não representa uma retração econômica do cooperativismo. No mesmo período, a quantidade de cooperados aumentou de 23,45 milhões para 25,8 milhões, enquanto os empregos diretos avançaram de 550,6 mil para 578 mil. O volume movimentado cresceu 9,5%, passando de R$ 692 bilhões para R$ 757,9 bilhões.

No agronegócio, a presença das cooperativas é ainda mais significativa. O país reúne 1.172 cooperativas agropecuárias, formadas por aproximadamente 1,1 milhão de produtores e responsáveis por 268 mil empregos diretos. O ramo movimentou R$ 438,3 bilhões em 2024, o equivalente a quase 58% de todo o cooperativismo nacional.

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Essas organizações respondem por mais da metade da originação de grãos e fibras no Brasil. Também possuem participação importante nas cadeias de leite, café, carnes, frutas e hortaliças, principalmente por reunir pequenos e médios produtores que, individualmente, teriam menor capacidade de armazenar, industrializar e comercializar a produção.

A nova legislação inclui expressamente as cooperativas entre os possíveis beneficiários do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA), do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO). Até então, a ausência dessa previsão limitava a apresentação direta de projetos por essas organizações.

Na prática, uma cooperativa poderá buscar financiamento para construir ou ampliar silos, armazéns frigorificados, unidades de beneficiamento, fábricas de ração, laticínios, frigoríficos e agroindústrias. Os recursos também podem apoiar investimentos em energia, irrigação, logística e outras estruturas compartilhadas pelos cooperados.

O financiamento não será liberado automaticamente. As cooperativas precisarão apresentar projetos técnica e economicamente viáveis, enquadrados nas prioridades de desenvolvimento de cada região. As propostas serão avaliadas pelas superintendências regionais e pelos agentes financeiros responsáveis pela operação dos recursos.

Os três fundos não devem ser confundidos com o FNO, o FNE e o FCO, linhas constitucionais já utilizadas no crédito rural. O FDA, o FDNE e o FDCO são voltados principalmente a empreendimentos estruturantes, com potencial para gerar empregos, ampliar a atividade econômica e reduzir desigualdades regionais.

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Para a FPA, a mudança permite que os recursos cheguem a municípios nos quais o crédito tradicional ainda é restrito. A organização coletiva também possibilita que produtores dividam custos e executem projetos que dificilmente seriam viáveis de forma individual.

Presidente da FPA, o deputado Pedro Lupion afirmou que o acesso aos fundos amplia a capacidade de investimento das cooperativas e fortalece a geração de renda no interior. O vice-presidente da frente na Câmara, Arnaldo Jardim, destacou que a medida favorece projetos maiores de industrialização e comercialização, com maior agregação de valor à produção.

A Lei Complementar 231/2026 não cria novos gastos nem reserva uma parcela dos fundos exclusivamente para o cooperativismo. A mudança amplia o grupo de organizações autorizadas a disputar os recursos já disponíveis, conforme as regras de cada programa e a qualidade dos projetos apresentados.

Para os municípios produtores, o principal efeito esperado é a possibilidade de transformar uma parcela maior da produção no próprio interior. Em vez de apenas vender grãos, leite, café ou animais, as cooperativas poderão investir no armazenamento e na industrialização, mantendo empregos, renda e arrecadação mais próximos das propriedades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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