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Mercado do boi gordo inicia a semana estável; carcaças recuam e novilha cai no Espírito Santo

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O mercado do boi gordo começou a semana sem grandes variações nos preços em São Paulo, de acordo com análise publicada nesta segunda-feira (24) pelo informativo Tem Boi na Linha, da Scot Consultoria.

Segundo o levantamento, a semana teve poucos negócios realizados, o que manteve as cotações estáveis. As escalas de abate das indústrias frigoríficas ficaram, em média, em oito dias, refletindo um equilíbrio momentâneo entre oferta e demanda.

Espírito Santo registra queda na novilha

No Espírito Santo, o mercado apresentou um cenário de equilíbrio entre oferta e escoamento, mas com destaque para a queda na cotação da novilha, que recuou R$ 2,00 por arroba.

As demais categorias — boi gordo e vaca gorda — permaneceram sem alterações nos preços. As escalas de abate no estado tiveram média de cinco dias, indicando ritmo de compras compatível com a disponibilidade de animais terminados.

Carcaças recuam após atingir máxima do ano

No atacado de carne com osso, as vendas seguem firmes mesmo na segunda quinzena do mês, período em que tradicionalmente ocorre uma desaceleração da demanda. O bom desempenho se deve à necessidade de reposição por parte dos varejistas e à oferta mais restrita de animais.

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Ainda assim, após atingirem na segunda semana de novembro o maior valor desde janeiro, as carcaças registraram leves quedas:

  • Carcaça do boi capão: recuo de 0,2% (–R$ 0,05/kg);
  • Boi inteiro: queda de 1,2% (–R$ 0,25/kg);
  • Carcaça da vaca: baixa de 0,7% (–R$ 0,15/kg);
  • Carcaça da novilha: retração de 1,2% (–R$ 0,25/kg).

Esses ajustes indicam uma correção natural de mercado após o pico de preços observado nas semanas anteriores.

Setor observa reflexos da retirada de tarifas nos EUA

A recente retirada de 40% das sobretarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros tem gerado expectativas positivas no setor de carnes. Entretanto, conforme a análise da Scot Consultoria, os agentes ainda avaliam o impacto efetivo da medida, sem movimentos expressivos nas negociações até o momento.

Carnes alternativas têm desempenho misto

No segmento de carnes substitutas, o frango médio apresentou alta de 0,7% (R$ 0,05/kg), impulsionado por uma demanda firme no varejo. Já o suíno especial manteve cotação estável, com equilíbrio entre oferta e procura nos principais polos de produção.

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Panorama geral

O início da semana foi marcado por estabilidade nas cotações do boi gordo e ajustes pontuais nas carcaças, em um ambiente de pouca liquidez e acomodação das indústrias. Apesar do cenário calmo, o setor permanece atento à demanda interna, à retomada gradual das exportações e aos efeitos das mudanças comerciais internacionais sobre os preços da proteína bovina.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Setor cooperativo, que movimenta R$ 758 bilhões, ganha acesso a fundos regionais

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As 4.384 cooperativas brasileiras ganharam uma nova alternativa para financiar projetos de infraestrutura, armazenagem, industrialização e expansão das atividades econômicas. A Lei Complementar 231/2026 passou a permitir que essas organizações utilizem recursos dos fundos de desenvolvimento da Amazônia, do Nordeste e do Centro-Oeste.

A mudança, defendida pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) durante a tramitação no Congresso, alcança um setor que reúne 25,8 milhões de cooperados e gera mais de 578 mil empregos diretos. Segundo o levantamento mais recente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), referente a 2024, as cooperativas movimentaram R$ 757,9 bilhões e acumulavam R$ 1,39 trilhão em ativos.

O número de cooperativas contabilizadas pela OCB caiu de 4.509 para 4.384 entre os dois levantamentos mais recentes. O movimento, porém, não representa uma retração econômica do cooperativismo. No mesmo período, a quantidade de cooperados aumentou de 23,45 milhões para 25,8 milhões, enquanto os empregos diretos avançaram de 550,6 mil para 578 mil. O volume movimentado cresceu 9,5%, passando de R$ 692 bilhões para R$ 757,9 bilhões.

No agronegócio, a presença das cooperativas é ainda mais significativa. O país reúne 1.172 cooperativas agropecuárias, formadas por aproximadamente 1,1 milhão de produtores e responsáveis por 268 mil empregos diretos. O ramo movimentou R$ 438,3 bilhões em 2024, o equivalente a quase 58% de todo o cooperativismo nacional.

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Essas organizações respondem por mais da metade da originação de grãos e fibras no Brasil. Também possuem participação importante nas cadeias de leite, café, carnes, frutas e hortaliças, principalmente por reunir pequenos e médios produtores que, individualmente, teriam menor capacidade de armazenar, industrializar e comercializar a produção.

A nova legislação inclui expressamente as cooperativas entre os possíveis beneficiários do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA), do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO). Até então, a ausência dessa previsão limitava a apresentação direta de projetos por essas organizações.

Na prática, uma cooperativa poderá buscar financiamento para construir ou ampliar silos, armazéns frigorificados, unidades de beneficiamento, fábricas de ração, laticínios, frigoríficos e agroindústrias. Os recursos também podem apoiar investimentos em energia, irrigação, logística e outras estruturas compartilhadas pelos cooperados.

O financiamento não será liberado automaticamente. As cooperativas precisarão apresentar projetos técnica e economicamente viáveis, enquadrados nas prioridades de desenvolvimento de cada região. As propostas serão avaliadas pelas superintendências regionais e pelos agentes financeiros responsáveis pela operação dos recursos.

Os três fundos não devem ser confundidos com o FNO, o FNE e o FCO, linhas constitucionais já utilizadas no crédito rural. O FDA, o FDNE e o FDCO são voltados principalmente a empreendimentos estruturantes, com potencial para gerar empregos, ampliar a atividade econômica e reduzir desigualdades regionais.

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Para a FPA, a mudança permite que os recursos cheguem a municípios nos quais o crédito tradicional ainda é restrito. A organização coletiva também possibilita que produtores dividam custos e executem projetos que dificilmente seriam viáveis de forma individual.

Presidente da FPA, o deputado Pedro Lupion afirmou que o acesso aos fundos amplia a capacidade de investimento das cooperativas e fortalece a geração de renda no interior. O vice-presidente da frente na Câmara, Arnaldo Jardim, destacou que a medida favorece projetos maiores de industrialização e comercialização, com maior agregação de valor à produção.

A Lei Complementar 231/2026 não cria novos gastos nem reserva uma parcela dos fundos exclusivamente para o cooperativismo. A mudança amplia o grupo de organizações autorizadas a disputar os recursos já disponíveis, conforme as regras de cada programa e a qualidade dos projetos apresentados.

Para os municípios produtores, o principal efeito esperado é a possibilidade de transformar uma parcela maior da produção no próprio interior. Em vez de apenas vender grãos, leite, café ou animais, as cooperativas poderão investir no armazenamento e na industrialização, mantendo empregos, renda e arrecadação mais próximos das propriedades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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