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Mercado do feijão enfrenta demanda estagnada e preços no piso técnico
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Demanda retraída e excesso de oferta pressionam o mercado do feijão carioca
O mercado do feijão carioca passou por uma das semanas mais difíceis de 2024, com forte desaceleração na demanda, queda generalizada dos preços e estoque crescente de produto sem escoamento. De acordo com Evandro Oliveira, analista da Safras & Mercado, o cenário foi marcado por profunda apatia, sem presença de compradores nos leilões da Bolsa de São Paulo, enquanto a mercadoria se acumulava sem interessados.
“A demanda inexistente e o comportamento defensivo dos compradores foram os pontos centrais da semana”, afirma Oliveira.
A retração foi intensificada pela antecipação das compras antes do feriado de 9 de julho. Depois disso, o mercado praticamente parou, mesmo com corretores flexibilizando preços e abrindo margem para negociação. Ainda assim, ouviram repetidamente que os compradores “não estavam precisando”.
Segundo o analista, essa inércia reflete não apenas a ausência de necessidade imediata, mas também um novo padrão de reposição, agora mais espaçado, cauteloso e desvinculado dos ciclos tradicionais.
Preços caem, mas sem negócios concretos
A desvalorização atingiu todas as categorias do feijão carioca. O tipo extra (notas 9 e 9,5), que chegou a ser negociado por até R$ 305/sc CIF SP, caiu para entre R$ 230 e R$ 245/sc, com valores FOB entre R$ 242–246 em São Paulo e R$ 219–222 no Noroeste de Minas Gerais.
Outros padrões também sofreram:
- Grãos intermediários (notas 8 e 8,5): R$ 190–220/sc CIF SP
- Comerciais (notas 7,5 e 8): R$ 140–180/sc
A maioria das cotações, no entanto, permanece nominal, ou seja, sem confirmação por vendas reais.
Oferta continua crescendo mesmo com apatia do mercado
Mesmo diante da falta de liquidez, a entrada de feijão irrigado de Minas Gerais e Paraná não cessou. Em alguns momentos, a Zona Cerealista operou com mais de 10 mil sacas acumuladas.
“Mesmo com feijões de diferentes qualidades e origens disponíveis, o mercado não reagiu”, destaca Oliveira.
Com isso, corretores passaram a buscar soluções alternativas, como armazenagem terceirizada e vendas por amostras, fora do ambiente tradicional de pregão.
Negociações fora da bolsa ganham espaço, mas ainda em volumes reduzidos
As vendas com embarques programados começaram a crescer, mas de forma tímida. Essas negociações se concentram em pequenos volumes, muitas vezes para blends, feitas diretamente entre as partes.
Segundo o analista, não há perspectiva de reação no curto prazo.
“O mercado depende inteiramente da retomada do canal varejista, que ainda opera abastecido. Os preços, embora baixos, não estimulam a demanda e desanimam o produtor, especialmente nos feijões de menor qualidade.”
Feijão preto também sofre com paralisação e falta de giro no varejo
O mercado do feijão preto encerrou a semana em situação semelhante, com total ausência de liquidez e compradores afastados, mesmo com ampla oferta. As negociações praticamente não ocorreram na Bolsa de São Paulo.
“O relato recorrente entre os vendedores foi de ‘não estou precisando’, revelando um mercado profundamente travado”, aponta Oliveira.
Preços nominais e vendas pontuais
As cotações operaram como referência, sem confirmação de negócios:
- Feijão preto maquinado e ensacado (para empacotadores com menos espaço): R$ 190–200/sc CIF SP
- Feijão a granel (para grandes empacotadores): R$ 170–180/sc CIF SP
Os preços FOB regionais mostram grande variação e fraca liquidez:
- Sul do Paraná: R$ 126–132/sc
- Oeste Catarinense: R$ 127–130/sc
- Curitiba (PR): R$ 138–141/sc
- Campos de Cima da Serra (RS): R$ 143–145/sc
- Interior de SP: R$ 161–164/sc
A maior parte dessas cotações está abaixo do mínimo oficial, comprometendo a rentabilidade e desestimulando novos plantios.
Promoções não ativam consumo e varejo se torna gargalo
Mesmo com promoções em supermercados, o consumidor final não respondeu, o que agravou a situação para empacotadores, que trabalham com margens cada vez menores. Como as exportações seguem pouco representativas, o mercado segue dependente do consumo interno, que continua travado.
Impacto das chuvas e perdas no Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, a colheita foi praticamente concluída, mas parte das lavouras tardias sofreu com chuvas excessivas, que causaram germinação dos grãos e queda na qualidade. O preço médio estadual recuou 14,04%, chegando a R$ 184,29/sc. Há relatos de negócios pontuais em até R$ 120/sc.
Expectativas para os próximos meses: estabilidade com viés de alta
Oliveira aponta três fatores que podem sustentar uma leve alta no médio prazo:
- Preços no piso técnico, sem espaço para mais quedas significativas;
- Início da entressafra nacional, com colheitas apenas residuais até dezembro;
- Redução de área plantada para a safra 2025/26, devido ao desânimo dos produtores.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Exportação recorde não impede queda do frango vivo no mercado interno
O Brasil caminha para estabelecer um novo recorde nas exportações de carne de frango em 2026, mas o avanço das vendas externas ainda não foi suficiente para absorver o aumento da oferta. Com mais animais prontos para o abate, os preços do frango vivo recuaram em algumas das principais regiões produtoras, enquanto as cotações dos cortes permaneceram praticamente estáveis no atacado.
A pressão ocorre em uma cadeia que produziu 15,3 milhões de toneladas de carne de frango em 2025 e faturou cerca de R$ 50 bilhões somente com exportações, considerando a receita de R$ 9,8 bilhões convertida pelo câmbio de R$ 5,10. O Brasil ocupa a terceira posição entre os maiores produtores mundiais e lidera o comércio internacional da proteína.
No ano passado, o país exportou o volume recorde de 5,324 milhões de toneladas. Para 2026, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta embarques de até 5,5 milhões de toneladas, além de uma produção próxima de 15,6 milhões de toneladas. A disponibilidade no mercado interno pode alcançar 10,1 milhões de toneladas.
O avanço da oferta já aparece nos abates. No primeiro trimestre deste ano, o peso das carcaças chegou a 3,73 milhões de toneladas, crescimento de 6,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Paraná respondeu por 35% da produção, seguido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.
A ampliação dos abates ajuda a explicar por que os preços não acompanham o desempenho das exportações. A demanda internacional segue aquecida, mas o mercado doméstico precisa absorver cerca de dois terços de toda a carne produzida no país. O consumo estimado para 2026 é de 47,3 quilos por habitante, um dos maiores do mundo, mas ainda insuficiente para provocar uma reação mais forte diante da oferta atual.
Levantamento mostra que o frango vivo foi negociado a R$ 5,20 por quilo em São Paulo. No oeste do Paraná, a referência ficou em R$ 4,60. Goiás e Mato Grosso do Sul registraram queda de R$ 4,65 para R$ 4,55, enquanto Minas Gerais e Distrito Federal passaram de R$ 4,70 para R$ 4,60 por quilo.
No Sul, as referências ficaram em R$ 4,75 no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Os preços mais elevados continuam concentrados no Nordeste e no Norte, variando de R$ 6,80 no Ceará a R$ 7,20 no Pará. As diferenças refletem custos logísticos, disponibilidade regional de aves e características próprias de cada mercado.
No atacado paulista, o peito congelado permaneceu em R$ 8,50 por quilo, a coxa em R$ 6,90 e a asa em R$ 11. Os cortes resfriados foram negociados por R$ 8,60, R$ 7 e R$ 11,10, respectivamente. A estabilidade, porém, não representa recuperação, porque as indústrias encontram dificuldade para elevar os preços diante da quantidade de carne disponível.
O principal instrumento para ajustar o mercado é o controle dos alojamentos. O termo corresponde ao número de pintinhos de um dia colocados nas granjas para engorda. Como as aves chegam ao peso de abate em aproximadamente 40 a 45 dias, um alojamento elevado hoje se transforma em maior oferta de carne poucas semanas depois.
A redução dos lotes permite diminuir gradualmente a quantidade de animais disponíveis e recuperar o equilíbrio entre produção, consumo e exportações. O ajuste precisa ser planejado porque uma redução excessiva também pode provocar falta de produto e aumento repentino dos preços no futuro.
A pressão não alcança todos os avicultores da mesma maneira. No sistema de integração, predominante nas principais regiões produtoras, a indústria normalmente fornece pintinhos, ração, medicamentos e assistência técnica. O produtor entra com as instalações, mão de obra, energia e manejo, recebendo conforme o desempenho do lote e as condições estabelecidas em contrato.
Por isso, a cotação do frango vivo não corresponde diretamente ao valor recebido por todos os integrados. Ainda assim, o excesso de oferta reduz a rentabilidade geral da cadeia e pode afetar o ritmo dos alojamentos, a remuneração dos contratos e a capacidade das empresas de repassar custos. O impacto é mais direto sobre produtores independentes, que compram os insumos e comercializam os animais por conta própria.
A disponibilidade de milho e farelo de soja ajuda a conter parte da pressão. Os dois produtos formam a base da ração e representam a maior parcela do custo de produção. Com oferta elevada de grãos, a alimentação das aves está menos onerosa do que em períodos de escassez, evitando uma deterioração maior das margens.
No comércio exterior, os embarques continuam funcionando como principal sustentação do setor. Nos primeiros 13 dias úteis de julho, o Brasil exportou 299,2 mil toneladas de carne de aves e miudezas, com receita equivalente a R$ 2,73 bilhões. A média diária cresceu 41% em relação a julho de 2025, embora o preço médio tenha recuado 1,3%.
O cenário indica que a avicultura brasileira permanece competitiva e deve ampliar sua presença internacional. No curto prazo, porém, o recorde das exportações terá de ser acompanhado por um controle mais preciso dos alojamentos. Sem esse ajuste, a expansão da produção continuará chegando ao mercado antes que a demanda consiga absorvê-la, mantendo os preços do frango vivo sob pressão.
Fonte: Pensar Agro


