AGRONEGOCIOS
Mercados asiáticos recuam antes de reunião do Politburo na China, mas acumulam ganhos na semana
AGRONEGOCIOS
As bolsas da Ásia encerraram a semana em queda nesta sexta-feira (25), com destaque para o recuo nos principais índices da China, em meio à cautela dos investidores que aguardam a próxima reunião do Politburo, o comitê político do Partido Comunista que deve definir os rumos da política econômica do país para o restante do ano. Apesar da realização de lucros no dia, os mercados chineses encerraram a semana com ganhos acumulados.
Desempenho dos índices chineses
O índice de Xangai recuou 0,33% nesta sexta-feira, após atingir recentemente a maior pontuação em três anos e meio. Já o CSI300 — que reúne as maiores empresas listadas nas bolsas de Xangai e Shenzhen — caiu 0,53%.
Entre os destaques negativos do pregão estão as ações de bebidas alcoólicas, que recuaram 2%, e os produtos básicos de consumo, que caíram 1,7%. Por outro lado, os setores de inteligência artificial (IA) e semicondutores registraram forte desempenho, com altas de 2,2% e 1,9%, respectivamente.
Mesmo com o recuo pontual, o índice Shanghai Composite avançou 1,7% na semana, acumulando seu quinto ganho semanal consecutivo.
Fatores que sustentam o mercado
Os ganhos recentes do mercado chinês são atribuídos aos esforços do governo de Pequim para conter a concorrência excessiva e o excesso de capacidade, além de sinais de melhoria nas relações comerciais com os Estados Unidos.
Analistas da corretora CLSA observaram que o apetite por risco entre investidores institucionais melhorou significativamente neste mês. No entanto, muitos ainda demonstram cautela quanto a uma recuperação estrutural ampla, preferindo oportunidades específicas em determinados setores.
Expectativa para a reunião do Politburo
A próxima reunião do Politburo, prevista ainda para este mês, é aguardada com grande expectativa. O encontro pode trazer diretrizes importantes para a política econômica da China no segundo semestre.
Para Keiko Kondo, chefe de multiativos da Schroders na Ásia, é improvável que o governo chinês anuncie um grande pacote de estímulo no curto prazo. Segundo ela, as autoridades devem adotar uma postura mais prudente até que haja maior clareza sobre as necessidades reais da economia, especialmente diante das incertezas provocadas pela guerra comercial com os Estados Unidos.
Desempenho de outras bolsas asiáticas
Confira o fechamento dos principais índices da região:
- Tóquio (Nikkei): queda de 0,88%, aos 41.456 pontos
- Hong Kong (Hang Seng): baixa de 1,09%, aos 25.388 pontos
- Xangai (SSEC): recuo de 0,33%, aos 3.593 pontos
- CSI300 (Xangai e Shenzhen): queda de 0,53%, aos 4.127 pontos
- Seul (Kospi): alta de 0,18%, aos 3.196 pontos
- Taiwan (Taiex): leve queda de 0,04%, aos 23.364 pontos
- Cingapura (Straits Times): baixa de 0,28%, aos 4.261 pontos
- Sydney (S&P/ASX 200): recuo de 0,49%, aos 8.666 pontos
Resumo
Apesar da realização de lucros antes da reunião do Politburo, os mercados asiáticos, especialmente o chinês, mantêm um cenário positivo no acumulado recente, impulsionados por medidas governamentais e pela expectativa de ajustes nas políticas econômicas. A próxima reunião do alto escalão político chinês será determinante para os rumos dos mercados nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGOCIOS
Carne, café e soja terão que comprovar origem a partir de 30 de dezembro
Produtores, cooperativas e exportadores brasileiros que abastecem o mercado europeu têm menos de três meses para revisar as informações de origem dos produtos sujeitos ao Regulamento Europeu Antidesmatamento (EUDR). A aplicação começa em 30 de dezembro para grandes e médios operadores abrangidos pela norma. A preparação exige identificar as áreas de produção, conferir fornecedores e reunir evidências de regularidade.
O regulamento alcança bovinos, cacau, café, óleo de palma, borracha, soja, madeira e determinados derivados. Para entrar no mercado europeu, os produtos incluídos precisam atender a dois critérios: estar livres de desmatamento posterior a 31 de dezembro de 2020 e ter sido produzidos conforme a legislação aplicável no país de origem.
Isso significa que uma autorização de supressão de vegetação concedida no Brasil não afasta, por si só, o critério europeu. O comprador responsável pela entrada da mercadoria no bloco terá de verificar tanto a legalidade da produção quanto o histórico da área.
A localização é uma das informações centrais. Para produtos agrícolas, o regulamento exige a geolocalização das áreas onde a matéria-prima foi produzida. Quando um lote reúne produção de diferentes propriedades, as respectivas origens precisam ser identificadas.
Na pecuária, a exigência envolve os estabelecimentos onde os bovinos foram mantidos. A organização dos dados, portanto, precisa alcançar as etapas anteriores ao fornecimento para o abate, conforme os requisitos aplicáveis ao produto.
O Cadastro Ambiental Rural (CAR) pode integrar o conjunto de informações utilizado na comprovação. Sua apresentação, entretanto, precisa estar acompanhada de dados e evidências verificáveis sobre a área, a produção e sua conformidade. Divergências entre coordenadas, documentos e registros dos fornecedores podem dificultar a análise.
A obrigação de realizar a chamada diligência devida, processo de coleta de informações e avaliação de riscos, recai principalmente sobre o operador que introduz o produto no mercado europeu pela primeira vez ou o exporta da União Europeia. O produtor brasileiro que fornece a uma empresa responsável pela exportação pode receber pedidos de informações necessários ao cumprimento dessas obrigações.
Essa diferença também importa para os prazos. A maior parte dos micro e pequenos operadores abrangidos terá até 30 de junho de 2027, mas isso não assegura automaticamente um prazo adicional ao pequeno produtor brasileiro. Quem abastece um comprador sujeito às regras em dezembro precisa organizar os dados conforme as necessidades dessa cadeia.
Há uma exceção no calendário: micro e pequenos operadores já alcançados pelo regulamento europeu da madeira deverão cumprir a EUDR a partir de 30 de dezembro de 2026.
O Brasil está classificado pela Comissão Europeia como país de risco padrão. Por isso, os produtos brasileiros não recebem, de forma geral, a simplificação da diligência reservada às origens de baixo risco. O operador deve avaliar as informações e adotar medidas para reduzir eventuais riscos de descumprimento.
Quando os dados obrigatórios não podem ser obtidos, o produto não pode ser colocado no mercado europeu pelo operador sujeito à regra. Os documentos da diligência devem ser conservados por cinco anos.
A lista de produtos também merece atenção. Segundo a Comissão Europeia, itens acrescentados ao alcance da norma em 2026, como café solúvel, determinados derivados do óleo de palma e línguas bovinas congeladas, estarão sujeitos às exigências a partir de 30 de dezembro de 2027.
Para preparar os próximos embarques, o primeiro passo é confirmar com o comprador quais produtos e operações estão abrangidos. Depois, conferir as localizações, relacionar cada fornecimento à sua origem e organizar o histórico das áreas e os documentos de legalidade. A revisão antecipada permite identificar lacunas antes que elas comprometam a comercialização.
Fonte: Pensar Agro



