CUIABÁ
Pesquisar
Close this search box.

AGRONEGOCIOS

Milho no Brasil: mercado cauteloso, preços firmes e influência de clima, dólar e tensões no Oriente Médio

Publicados

AGRONEGOCIOS

O mercado de milho no Brasil atravessa um momento de cautela nas negociações, com liquidez limitada em diversas regiões e forte influência de fatores externos e internos na formação dos preços. O avanço da colheita no Sul do país, a evolução do plantio da segunda safra, o comportamento do câmbio e as tensões geopolíticas no Oriente Médio estão entre os principais elementos que vêm moldando o cenário do cereal.

Ao mesmo tempo, as cotações encontram suporte em variáveis como o aumento do dólar frente ao real, a valorização internacional do grão e a demanda por parte de setores como a bioenergia. Dados recentes do mercado e análises de consultorias apontam para um ambiente de negociações mais seletivas, com compradores cautelosos e vendedores retraídos.

Mercado interno de milho opera com liquidez limitada

No mercado doméstico, o ritmo de negócios segue moderado, com negociações pontuais em diferentes estados. Levantamento da consultoria TF Agroeconômica indica que muitos compradores têm priorizado o uso de estoques próprios, o que contribui para reduzir a liquidez em algumas regiões.

No Rio Grande do Sul, as negociações permanecem regionalizadas. Os preços variam entre R$ 54,00 e R$ 62,00 por saca, dependendo da região e dos custos logísticos. O valor médio estadual recuou para R$ 57,31 por saca, queda de 1,60% na comparação semanal, refletindo o aumento da oferta com o avanço da colheita.

Em Santa Catarina, o mercado continua travado pela diferença entre as expectativas de preços. Enquanto produtores pedem cerca de R$ 75,00 por saca, compradores indicam valores próximos de R$ 65,00. No Planalto Norte, as negociações costumam ocorrer entre R$ 70,00 e R$ 75,00.

Já no Paraná, a liquidez também é reduzida. As pedidas dos vendedores ficam próximas de R$ 70,00 por saca, enquanto compradores indicam valores ao redor de R$ 60,00 CIF.

No Mato Grosso do Sul, após quedas recentes, os preços mostram leve reação, com cotações entre R$ 54,00 e R$ 56,50 por saca. O setor de bioenergia continua sendo um importante canal de absorção da produção, ajudando a amenizar a pressão sobre os preços.

Colheita avança no Sul e produtividade varia por região

A colheita da safra de verão avança no Sul do país, embora apresente diferenças significativas de produtividade entre as regiões.

Segundo dados da Emater, a colheita do milho no Rio Grande do Sul já alcança 64% da área cultivada.

Em algumas regiões, os resultados são positivos:

  • Erechim: cerca de 85% da área colhida, com média de 9 mil kg por hectare, podendo chegar a 15 mil kg em áreas de maior produtividade.
  • Frederico Westphalen: aproximadamente 95% da colheita concluída, com média de 7.600 kg por hectare.
  • Ijuí: colheita de 96% da área, com produtividade média de 9.240 kg por hectare.
  • Santa Rosa: algumas áreas alcançam 12 mil kg por hectare.
Leia Também:  Conab estima produção de 663,4 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2025/26

Por outro lado, também há registros de incidência elevada da cigarrinha do milho, praga que preocupa produtores em várias regiões.

Em Santa Catarina, o programa Monitora Milho SC identificou média de 120 insetos por armadilha, com maior concentração na região de Porto União, indicando pressão elevada da praga nas lavouras.

Plantio da safrinha e clima entram no radar do mercado

Outro fator relevante para o mercado é o avanço do plantio da segunda safra.

No Paraná, dados do Deral indicam que:

  • A colheita da primeira safra atingiu 54% da área;
  • Cerca de 93% das lavouras apresentam boas condições;
  • O plantio da segunda safra já alcança 62% da área prevista, com 98% das lavouras avaliadas positivamente.

Mesmo assim, atrasos no plantio em algumas regiões aumentam as preocupações do mercado com a janela ideal de semeadura da safrinha. O clima irregular também tem afetado o ritmo da colheita da soja, o que acaba atrasando o início do plantio do milho em algumas áreas.

Preços do milho recebem suporte do dólar e da bolsa de Chicago

O mercado futuro também apresentou valorização na última semana.

Na B3, os contratos do milho registraram alta tanto na sexta-feira quanto no acumulado semanal, refletindo principalmente três fatores:

  • valorização do dólar frente ao real;
  • alta das cotações do milho na Bolsa de Chicago;
  • incertezas provocadas pelo cenário geopolítico internacional.

Entre os contratos negociados na bolsa brasileira:

  • Março/2026: R$ 72,30 por saca
  • Maio/2026: R$ 74,83 por saca
  • Julho/2026: R$ 70,95 por saca

No mercado físico, o indicador médio do Cepea registrou alta de 1,48% na semana, enquanto o dólar avançou 2,14%, movimento que contribuiu para dar sustentação às cotações.

Milho sobe em Chicago com petróleo acima de US$ 100

No cenário internacional, o milho também registra valorização.

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros começaram a semana em alta. O contrato maio foi negociado próximo de US$ 4,67 por bushel, enquanto o julho chegou a US$ 4,97 por bushel, com ganhos superiores a 1%.

Entre os fatores que impulsionam os preços estão:

  • forte demanda pelo milho norte-americano;
  • valorização do trigo e do complexo soja;
  • avanço do preço do petróleo;
  • tensões geopolíticas no Oriente Médio.

O fechamento do Estreito de Ormuz, importante rota do comércio mundial de petróleo, elevou os preços do barril para níveis acima de US$ 100, aumentando preocupações com logística global, custos de transporte e até risco de escassez de diesel em alguns países.

Leia Também:  UVA/CEPEA: Demanda reduzida pressiona cotações das uvas finas em Marialva (PR)

Esses fatores acabam influenciando diretamente o mercado agrícola, especialmente devido ao impacto sobre fretes marítimos e custos de produção.

Conflito no Oriente Médio e fretes mais caros afetam o comércio

O cenário geopolítico também é monitorado com atenção pelo mercado brasileiro. O Oriente Médio é um importante destino para exportações de milho e carnes do Brasil, o que pode gerar impactos caso o conflito se intensifique.

Além disso, o aumento nos custos de transporte e fretes marítimos vem pressionando as cadeias logísticas globais, o que tende a refletir nos preços internacionais das commodities agrícolas.

A volatilidade do câmbio ao longo da semana também dificultou o fechamento de negócios no mercado interno.

Preços do milho no Brasil

A média nacional da saca de milho ficou em R$ 65,84 no dia 5 de março, alta de 1,58% em relação aos R$ 64,82 registrados na semana anterior.

Entre algumas praças importantes do país:

  • Cascavel (PR): R$ 64,00 por saca
  • Campinas/CIF (SP): R$ 76,00 por saca
  • Mogiana (SP): R$ 70,00 por saca
  • Rondonópolis (MT): R$ 56,00 por saca
  • Erechim (RS): R$ 64,00 por saca
  • Uberlândia (MG): R$ 65,00 por saca
  • Rio Verde (GO): R$ 62,00 por saca
Exportações brasileiras de milho avançam em fevereiro

As exportações brasileiras de milho também registraram crescimento em fevereiro.

De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex):

  • Receita total: US$ 347,836 milhões
  • Volume exportado: 1,552 milhão de toneladas
  • Média diária exportada: 86,229 mil toneladas
Preço médio: US$ 224,10 por tonelada

Na comparação com fevereiro de 2025, houve:

  • alta de 8% no valor médio diário exportado;
  • crescimento de 9,3% no volume médio diário embarcado;
  • queda de 1,2% no preço médio da tonelada.
Banco Central e câmbio seguem no radar do agronegócio

O comportamento do câmbio segue sendo um dos principais fatores acompanhados pelo mercado agrícola. O Banco Central do Brasil mantém monitoramento constante da volatilidade cambial, especialmente em um cenário de incertezas globais e maior aversão ao risco.

A valorização do dólar tende a favorecer as exportações brasileiras de grãos, incluindo o milho, ao aumentar a competitividade do produto nacional no mercado internacional. Por outro lado, também eleva custos de insumos e fretes, o que exige atenção dos produtores e do setor de comercialização.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Propaganda

AGRONEGOCIOS

Soja brasileira caminha para safra recorde de 182 milhões de toneladas e reforça liderança global em 2026

Publicados

em

A soja brasileira segue consolidando sua posição como principal protagonista do agronegócio mundial. De acordo com o relatório AgroInfo Junho 2026, divulgado pelo Rabobank, o Brasil deverá colher uma safra histórica de 182 milhões de toneladas na temporada 2025/26, volume que representa um acréscimo de 10 milhões de toneladas em comparação ao ciclo anterior.

O resultado reflete a combinação entre expansão moderada da área cultivada e condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento das lavouras, fortalecendo ainda mais a competitividade do país no mercado internacional.

Produção recorde fortalece oferta brasileira

Segundo a análise do RaboResearch Food & Agribusiness, o desempenho da safra brasileira confirma o elevado potencial produtivo do setor, mesmo em um ambiente global marcado por incertezas geopolíticas e oscilações nos preços das commodities.

Além do crescimento da produção, a demanda pela oleaginosa continua apresentando sinais robustos, sustentando perspectivas positivas para toda a cadeia produtiva.

Exportações seguem em ritmo acelerado

As exportações brasileiras de soja mantêm forte desempenho em 2026. Dados compilados pelo Rabobank mostram que os embarques entre janeiro e maio registraram crescimento de 8% em relação ao mesmo período do ano passado.

A expectativa é que o Brasil exporte aproximadamente 113 milhões de toneladas ao longo do ano, estabelecendo um novo recorde e ampliando em cerca de 5 milhões de toneladas o volume embarcado em comparação a 2025.

Mesmo diante da valorização do real frente ao dólar e do aumento dos custos logísticos internos, a soja brasileira continua altamente competitiva no mercado global, especialmente em relação aos principais concorrentes internacionais.

Leia Também:  Ministro André de Paula realiza entregas do Promaq e cumpre agenda institucional em Jequié (BA)
Mercado internacional influencia preços

Durante o primeiro semestre de 2026, os preços da soja foram fortemente impactados pelo cenário geopolítico internacional.

A expectativa de exportações expressivas dos Estados Unidos para a China ajudou a sustentar as cotações na Bolsa de Chicago (CBOT), enquanto o conflito envolvendo Estados Unidos e Irã impulsionou os preços do petróleo e dos óleos vegetais, incluindo o óleo de soja.

Esse movimento levou os contratos da oleaginosa a alcançarem níveis próximos de US$ 12,20 por bushel em março. Entretanto, a valorização observada em Chicago não se refletiu integralmente nos preços recebidos pelos produtores brasileiros.

A combinação entre prêmios mais baixos nos portos e a valorização do real limitou os ganhos no mercado interno, mantendo as cotações em reais relativamente estáveis ao longo do período.

Esmagamento cresce com margens mais atrativas

Outro destaque do relatório é o fortalecimento da indústria de processamento.

Mesmo com o adiamento do aumento da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel, as margens de esmagamento foram beneficiadas pela valorização do óleo de soja.

No primeiro trimestre de 2026, o volume processado atingiu 14,3 milhões de toneladas, crescimento de 10% em relação ao mesmo período de 2025.

Leia Também:  STF volta a julgar sexta-feira a contribuição rural sobre exportação

A tendência é que a demanda por derivados continue sustentando o avanço do esmagamento ao longo do ano.

Clima nos Estados Unidos e El Niño entram no radar

Nas últimas semanas, os fundamentos de mercado voltaram a assumir protagonismo na formação dos preços globais.

O avanço do plantio e as boas condições das lavouras norte-americanas pressionaram as cotações da soja em Chicago, que registraram queda próxima de 5% durante junho.

Segundo o Rabobank, caso o clima continue favorável nos Estados Unidos, os preços poderão sofrer novas correções no curto prazo.

Por outro lado, após o início da colheita norte-americana, a atenção dos investidores deverá migrar para a América do Sul, especialmente para os possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre a safra brasileira 2026/27.

Perspectivas para o produtor

Apesar da volatilidade dos mercados internacionais e das incertezas climáticas para a próxima temporada, o cenário para a soja brasileira permanece amplamente favorável.

A combinação entre safra recorde, crescimento das exportações, aumento do esmagamento e forte demanda global reforça o papel estratégico da cultura para o agronegócio nacional.

No entanto, produtores devem acompanhar atentamente fatores como o comportamento do clima, a evolução da demanda chinesa, os custos logísticos e os movimentos do câmbio, que continuarão exercendo influência direta sobre a rentabilidade do setor nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Continue lendo

CUIABÁ

POLÍCIA

POLÍTICA MT

MATO GROSSO

MAIS LIDAS DA SEMANA