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Ministro Fávaro destaca potencial da cooperação Brasil-África em segurança alimentar e desenvolvimento rural em painel no Itamaraty

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Nesta quinta-feira (22), o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, participou da abertura do Diálogo Ministerial, sendo um dos eventos do II Diálogo Brasil-África sobre Segurança Alimentar, Combate à Fome e Desenvolvimento Rural, no Palácio do Itamaraty, em Brasília. A programação teve como eixo principal “Diálogo de Alto Nível”, com painéis que abordaram temas como sistemas agroalimentares sustentáveis e resilientes, pesquisa, desenvolvimento e inovação, a Aliança Global contra a fome e a pobreza, além de políticas públicas e financiamento. 

O ministro Carlos Fávaro integrou o primeiro painel “Sistemas agroalimentares sustentáveis e resilientes ao clima e a importância da agricultura familiar – experiências nacionais”, onde destacou o desenvolvimento da agropecuária brasileira, alavancado pela geração e difusão de tecnologias adaptadas aos diversos biomas nacionais, o que resultou em avanços significativos em produtividade, sustentabilidade e competitividade do setor.  

“É importante lembrar que, há 50 anos, o Brasil era importador de alimentos, como ainda ocorre em muitos países. O primeiro grande passo para transformar esse cenário foi o desafio de criar uma empresa pública de pesquisa agropecuária – a Embrapa. Isso possibilitou que, por meio de melhoramento genético, de animais e de sementes, e com práticas produtivas adequadas, o Brasil desenvolvesse uma agropecuária robusta, sustentável e altamente produtiva”, afirmou Fávaro. 

O ministro também ressaltou as similaridades climáticas entre o Brasil e grande parte dos países africanos, destacando o potencial para a replicação de tecnologias desenvolvidas no Brasil no contexto africano. “Vale lembrar que 100% das variedades de capim que sustentam a alimentação da nossa pecuária são de origem africana. Hoje, com o melhoramento genético desse capim e também dos nossos bovinos, queremos devolver esse conhecimento aprimorado para que vocês não precisem esperar 50 anos pesquisando. Graças às semelhanças climáticas e de solo que temos, é possível fazer uma transferência tecnológica direta e adaptada,” destacou. 

Outro ponto enfatizado por Fávaro foi a política de crédito agrícola brasileira, fundamental para viabilizar o acesso dos produtores rurais ao financiamento de custeio, investimento e modernização tecnológica, o que impulsionou a expansão e a sustentabilidade do setor. “Por meio do programa Caminho Verde Brasil, estamos mobilizando recursos para recuperar 40 milhões de hectares de áreas degradadas nos próximos dez anos. Isso também é um ativo valioso presente em muitos países africanos, que merece atenção especial. Muitas vezes, acredita-se que o desmatamento é o caminho para expandir a agropecuária, mas isso não é verdade. É plenamente possível recuperar áreas já degradadas e torná-las novamente produtivas, com alta capacidade,” ressaltou. 

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Durante o painel de sistemas agroalimentares sustentáveis, o ministro da Agricultura e Florestas de Angola, Isaac dos Anjos, relembrou a recente missão da agropecuária brasileira ao país, liderada por Fávaro no início de maio. “Recebemos a visita do ministro Carlos Fávaro, acompanhado de cerca de 24 empresários brasileiros, que vieram conhecer as potencialidades de Angola nas áreas de agricultura, pecuária e florestas. Estamos plenamente disponíveis para negociar com o governo brasileiro as melhores condições para a efetivação dessa cooperação estratégica, que marcará o início de uma nova era entre nossos países. Angola seguirá empenhada no fortalecimento dessa parceria, na promoção de investimentos e no desenvolvimento dos setores agropecuário, agroindustrial e florestal, em consonância com as metas do nosso Plano de Desenvolvimento Nacional”, declarou.  

O ministro de Desenvolvimento Agrário e Agricultora Familiar, Paulo Teixeira, ressaltou que para o crescimento da agricultura é necessário acesso ao crédito, citando o modelo brasileiro como referência. “Temos um sistema robusto de financiamento bancário, o Plano Safra, que atende desde o custeio da produção até a mecanização, a modernização tecnológica e o fortalecimento das cooperativas. Além disso, é fundamental garantir assistência técnica e investir no desenvolvimento de tecnologias, como as produzidas pela Embrapa, para assegurar uma produção agrícola cada vez mais sustentável”, pontuou. 

Cerimônia de abertura – Diálogo Ministerial

Durante a cerimônia de abertura, a primeira-dama Janja Lula da Silva destacou que o II Diálogo Brasil-África constitui o primeiro intercâmbio oficial no âmbito da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. “Os painéis apresentados hoje aprofundam nossa troca de ideias e experiências, alimentando nossas expectativas de que esta semana gere frutos para nossos países. Espero que este diálogo Brasil-África se enraíze nos princípios da solidariedade, da cooperação e do benefício mútuo, nos guiando na construção de parcerias e ações concretas para nossos povos”, afirmou. 

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A diretora executiva da Agência de Desenvolvimento da União Africana, Nardos Bekele-Thomas, ressaltou que o encontro vai muito além de uma discussão sobre agricultura. “Esta é uma oportunidade para a África e o Brasil, e para todo o Sul Global, apresentarem uma voz unificada, fundamentada em soluções baseadas em evidências e focadas em gerar impacto para nossas populações. Este diálogo deve resultar na criação de um marco formal de cooperação Brasil-África, centrado na transformação agrícola, na resiliência climática e na industrialização rural. É fundamental institucionalizar a transferência de conhecimento e tecnologia entre a Embrapa e nossos centros de pesquisa nacionais”, destacou. 

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, também ressaltou a importância da Embrapa no desenvolvimento da agropecuária brasileira. “Conseguimos transformar nosso país com tecnologias desenvolvidas pela Embrapa, adaptadas ao semiárido, aos cerrados e às florestas. A tecnologia brasileira é uma ponte concreta, que permite aprendizado mútuo e desenvolvimento conjunto dos dois lados do Atlântico. Brasil e África compartilham, além do Atlântico Sul, desafios e oportunidades semelhantes no desenvolvimento rural e no combate à fome e à pobreza”, afirmou. 

Também participaram do evento o ministro da Agricultura e Recursos Animais de Ruanda, Cyubahiro Marc Bagabe, o ministro da Fazenda do Brasil, Fernando Haddad, e o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias. 

A agenda Brasil-África fortalece a cooperação bilateral e multilateral entre os países, promovendo o intercâmbio de experiências em produção agropecuária e aquícola, a troca de conhecimentos e tecnologias, a identificação de novas oportunidades de cooperação técnica, além da busca por alternativas de financiamento e investimentos. O encontro também foi uma oportunidade para apresentar os objetivos da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e avançar na construção de soluções conjuntas para os desafios comuns. 

Informação à imprensa
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Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas

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A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.

Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.

“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.

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“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.

Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.

A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.

O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.

A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.

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O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.

As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.

A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.

O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.

Fonte: Pensar Agro

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