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MPA destaca ações que fortalecem o protagonismo feminino na pesca e aquicultura
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Neste Dia Internacional das Mulheres, 8 de março, o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) publica uma matéria especial apresentando a perspectiva de gênero em suas políticas públicas, com foco na valorização do trabalho das mulheres, na autonomia econômica, na garantia de direitos sociais e na justiça socioambiental.
As entrevistadas para essa publicação foram: a secretária nacional de Registro, Monitoramento e Pesquisa da Pesca e Aquicultura (SERMOP), Carolina Doria; a secretária nacional da Aquicultura (SNA), Fernanda Gomes; a coordenadora-geral de Desenvolvimento da Pesca Industrial, Amadora e Esportiva (SNPI), Lariessa Moura; e a coordenadora de Inclusão Socioprodutiva da Pesca Artesanal (SNPA), Millena da Mata. Juntas, elas revelam ações estruturantes que reforçam o protagonismo feminino no setor pesqueiro.
A pesquisa e monitoramento a serviço das pescadoras
Quem pensa que a SERMOP é apenas uma secretaria que atua com dados, monitoramento e pesquisa está enganado. Além de realizar vistorias, contribuir com a legalidade da profissão de pescador e pescadora e contribuir para estabelecer normas, a SERMOP também favorece, com sua atuação, para que as pescadoras e marisqueiras possam ter seus benefícios sociais e garantias de políticas públicas do Governo Federal.
A secretária da SERMOP, Carolina Doria, afirma que a pasta produz muitos dados e pesquisas que são úteis para milhares de pessoas. “Estamos trabalhando com gestão pública e nós da SERMOP temos uma grande responsabilidade com os registros de pescadores e pescadoras. Ao mesmo tempo que queremos garantir políticas, temos a obrigação de cuidar das pessoas e evitar irregularidades”, revela.
“Sendo assim, nosso trabalho também reflete na ponta, pois possibilita que muitas mulheres do nosso país possam ter o recurso do seguro-defeso e outros benefícios, como a aposentadoria especial. Por isso, precisamos fazer com que os registros cheguem até elas e que fique fácil de comprovar a atividade pesqueira, para que consigam garantir seus direitos”, destacou Carolina.
Ações socioambientais na pesca esportiva feminina
Um exemplo relevante de iniciativa que articula pesca esportiva, protagonismo feminino e ações socioambientais é o Anzol Rosa, realizado em Corumbá, em Mato Grosso do Sul. O projeto é voltado exclusivamente para mulheres e promove a participação feminina na pesca esportiva e no turismo de pesca no Pantanal, reunindo pescadoras para a prática da modalidade pesque e solte.
De acordo com a coordenadora da SNPI, Lariessa Moura, nas duas últimas edições realizadas, o evento reuniu mais de 1.100 mulheres pescadoras, sendo 502 participantes na primeira edição, em 2022, e cerca de 600 mulheres na edição mais recente, em 2024, ano em que o MPA esteve presente. O projeto Anzol Rosa se consolida hoje como um dos maiores encontros de pesca esportiva feminina do Brasil.
“Além do aspecto esportivo e turístico, a iniciativa também incorpora ações sociais e ambientais. Em uma das edições, por exemplo, as participantes realizaram o plantio de 500 mudas de ipê nas margens do Rio Paraguai, contribuindo para a recuperação de áreas afetadas por incêndios no Pantanal e para a preservação da mata ciliar”, destacou Lariessa.
As mulheres das comunidades tradicionais
A coordenadora Milena da Mata, que atua na SNPA, nos contou que sua trajetória acadêmica e profissional dialoga com comunidades tradicionais e movimentos sociais, especialmente com mulheres que defendem seus territórios e modos de vida.
“Atualmente atuo na gestão pública voltada para a pesca artesanal, um setor fundamental para a soberania alimentar e para a manutenção dos modos de vida de diversas comunidades no país”, afirma. Para ela, estar nesse espaço como mulher também significa contribuir para ampliar o olhar sobre as desigualdades de gênero que atravessam o setor pesqueiro.
“Entre as ações que destaco está a participação no GT de Mulheres da Pesca Artesanal, um espaço importante de escuta, articulação e construção de propostas voltadas ao reconhecimento e fortalecimento do papel das mulheres na pesca”, afirmou Milena.
A coordenadora também destaca o Plano Nacional da Pesca Artesanal, que busca estruturar políticas públicas voltadas ao fortalecimento da pesca artesanal no Brasil, considerando a questão de gênero.
Valorização das mulheres na aquicultura
A secretária da SNA, Fernanda Gomes, especificou que a pasta tem instrumentos que possuem o recorte de genêro para valorizar e fortalecer a atuação das mulheres. “A própria estrutura da SNA demonstra isso, temos uma secretaria e dois departamentos liderados por mulheres, além da equipe técnica. Isso muito nos orgulha”. Entre as ações desenvolvidas, destacam-se os Sistemas Integrados de Piscicultura e Quintais Produtivos Agroecológicos, que foca em mulheres e jovens em situação de vulnerabilidade nos estados de Alagoas e Minas Gerais.
A implantação de sistemas de piscicultura integrados aos quintais produtivos agroecológicos, com foco nos agricultores familiares, jovens e mulheres em situação de vulnerabilidade socioambiental, é uma iniciativa de extrema relevância para a autossuficiência das famílias na produção de alimentos com qualidade e variedade, além de poder gerar excedentes que gerem renda extra.
Fernanda também falou sobre o processo de empoderamento feminino em nossa sociedade.”O principal é acreditar no seu potencial, ter persistência e empoderar-se, porque demonstramos diariamente que somos capazes de trabalhar de maneira equivalente e até superior aos homens. Não é uma questão de competição com o gênero masculino, mas sim sobre respeito à história de cada mulher e firmar espaço em todos os segmentos da vida”, concluiu.
Mulheres das Águas
Dentre as ações que o MPA desenvolve com ênfase nas mulheres, podemos destacar o Prêmio Mulheres das Águas, realizado anualmente pelo ministério. Ele foi criado em 2023 para reconhecer o trabalho de mulheres que se destacam na pesca e na aquicultura, promovendo práticas sustentáveis e, principalmente, o empoderamento das mulheres que vivem das águas.
A edição de 2026 será realizada no dia 18 de março, no Teatro Nacional, em Brasília, às 18h30.
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Plano Brasil Soberano: Governo amplia crédito para fertilizantes
Fabricantes de fertilizantes, produtores de matérias-primas intermediárias e mineradoras que abastecem o setor poderão contratar capital de giro pelo Plano Brasil Soberano. A mudança amplia o alcance do programa e procura dar fôlego financeiro a uma cadeia considerada estratégica para o agronegócio brasileiro.
Projetos industriais e tecnológicos ligados ao beneficiamento, refino e transformação de minerais críticos e estratégicos também terão acesso a recursos com custo reduzido. O encargo da fonte de financiamento caiu para 3% ao ano, ante percentuais que chegavam a 8% na aquisição de máquinas e equipamentos e a 6,5% em determinados investimentos.
A decisão foi tomada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em reunião extraordinária realizada no fim de agosto. O colegiado também prorrogou por 12 meses o prazo para apresentação dos pedidos de financiamento ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As empresas elegíveis poderão protocolar as solicitações até 31 de dezembro de 2027.
Para o produtor rural, o efeito não será direto. As linhas são destinadas às empresas que produzem, processam ou fornecem insumos para a fabricação de adubos. O objetivo é melhorar as condições financeiras da indústria e reduzir riscos de interrupção no abastecimento do campo.
A inclusão do capital de giro atende a uma característica do setor. Muitas empresas precisam pagar antecipadamente pelas matérias-primas importadas, arcar com frete, armazenagem e processamento e somente depois receber pelas vendas realizadas aos produtores ou distribuidores.
Esse intervalo exige grande disponibilidade de caixa. Quando o crédito fica caro ou escasso, as empresas podem reduzir compras, estoques e produção. A consequência chega às propriedades na forma de menor oferta, dificuldade para programar entregas e maior exposição às oscilações de preços.
Antes da mudança, as empresas da cadeia de fertilizantes podiam recorrer ao Plano Brasil Soberano principalmente para comprar máquinas ou executar projetos de investimento. Agora, os recursos também poderão financiar despesas necessárias ao funcionamento diário das operações.
A medida ganha importância porque o Brasil importa mais de 80% dos fertilizantes que utiliza. Essa dependência deixa a produção agrícola vulnerável ao câmbio, às cotações internacionais, aos custos marítimos e a conflitos capazes de interromper rotas ou restringir a oferta mundial.
O país responde por cerca de 8% do consumo global de fertilizantes e ocupa a quarta posição entre os maiores consumidores. Soja, milho e cana-de-açúcar representam mais de 73% da demanda nacional, o que transforma o insumo em um componente decisivo dos custos das principais cadeias agrícolas.
O crédito mais barato para minerais estratégicos procura estimular investimentos em etapas que ainda são pouco desenvolvidas no Brasil. O país possui reservas minerais importantes, mas parte do material extraído é exportada sem processamento ou não chega a ser transformada internamente nos produtos necessários à agricultura.
Ao apoiar o beneficiamento, o refino e a transformação dentro do país, o governo tenta ampliar a capacidade industrial e diminuir a dependência de produtos acabados vindos do exterior. O resultado, entretanto, dependerá da execução dos projetos, que podem exigir licenciamento, infraestrutura, tecnologia e vários anos até o início da produção.
O percentual de 3% ao ano não representa necessariamente a taxa final que será paga pelas empresas. Ele corresponde ao custo da fonte de recursos e já considera a remuneração do BNDES. Nas operações indiretas, realizadas por bancos credenciados, ainda podem existir encargos do agente financeiro e custos relacionados ao risco do tomador.
Por isso, a medida também não garante uma queda imediata no preço do fertilizante vendido ao agricultor. As cotações continuarão sujeitas ao câmbio, aos preços internacionais, ao frete, à oferta mundial de nutrientes e à demanda no período de plantio.
O ganho mais provável no curto prazo é a melhora das condições para que fabricantes e fornecedores mantenham estoques e cumpram contratos. No longo prazo, se os investimentos aumentarem a produção e o processamento de matérias-primas no Brasil, o setor poderá reduzir a exposição a crises externas e ganhar maior previsibilidade.
O acesso às linhas será restrito aos segmentos definidos conjuntamente pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e pelo Ministério da Fazenda. A relação de atividades autorizadas consta das portarias que regulamentam o Plano Brasil Soberano.
Criado para apoiar empresas afetadas pelo aumento das tarifas norte-americanas e pela instabilidade do comércio internacional, o programa passa a alcançar uma cadeia diretamente ligada à segurança produtiva do país. Para o campo, o efeito concreto será medido pela capacidade da política de ampliar a oferta interna, evitar falta de insumos e reduzir a dependência que hoje transforma qualquer crise internacional em custo adicional dentro da porteira.
Fonte: Pensar Agro



